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O Grande Gatsby

O Grande Gatsby é a nova versão cinematográfica do clássico literário escrito por F. Scott Fitzgerald, publicado em 1925, e pré-requisito em todas as escolas americanas.  Sendo assim, é difícil encontrar por lá alguém que não seja familiarizada com essa história impactante. Para todo o resto, um filme foi produzido em 1974, protagonizado por Robert Redford, Mia Farrow e Bruce Dern, escrito por Francis Ford Coppola, vencedor de dois Oscar: melhor figurino e melhor trilha sonora.

A nova versão, inclusive, se retirou da corrida do Oscar desse ano, ao adiar sua estreia do fim do ano passado para o meio desse, em prol de uma bilheteria mais polpuda. Não sei se o novo “O Grande Gatsby” seria digno de Oscar (em categorias que não as técnicas), mas é sem dúvidas uma produção muito bem realizada e extremamente satisfatória. Um misterioso e aparentemente excêntrico milionário de quem todos só conhecem o nome, dá as melhores festas da cidade de Nova York, na década de 1920, sem poupar despesas.

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O narrador Nick Carraway, papel de Tobey Maguire, aos poucos se envolve e descobre quem de fato é o ricaço. Com todas as histórias e lendas que são contadas sobre o protagonista Jay Gatsby, o astro Leonardo DiCaprio surge como a nova encarnação do carismático e atormentado personagem, que deseja desesperadamente se livrar de um estigma impossível, a fim de conquistar a mulher de seus sonhos, a hoje casada Daisy Buchanan, papel da talentosa mas insossa Carey Mulligan.

O texto original de Fitzgerald tinha, entre outras coisas, a ideia de deixar transparecer a exuberância e eterna festa da classe alta americana, que lucrou muito no pré-guerra. Isso sem levar em conta o mercado negro das bebidas ilegais favorecido pela lei seca. Todos esses são elementos dos sonhos para que o extravagante Baz Luhrmann faça a tela ganhar vida com figurinos, cenários e diversos outros elementos para lá de chamativos. O 3D da obra é igualmente muito bem aplicado e eficiente.

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Ao contrário do que foi dito nos Estados Unidos, não sentimos um ambiente artificial dos cenários de Luhrmann, que embora surreais aparentam sempre o peso e a presença de terem sido construídos fisicamente. Um grande diferencial de “O Grande Gatsby” para os outros filmes do cineasta como “Romeu + Julieta”, “Moulin Rougue” e até mesmo o enfadonho “Austrália” é que Luhrmann faz desse um filme seu, sem precisar recorrer às esquisitices de seus filmes passados (cenas aceleradamente cômicas, efeitos sonoros de desenhos animados, etc..). Dessa forma, criando com “O Grande Gatsby”, seu filme mais sério e adulto.

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A história chega a ser delineada de forma mais eficiente, até mesmo do que na produção original de 1974. Motivações de personagens, relacionamentos, tudo é mais bem explorado nos 142 minutos do novo filme. Quanto ao elenco, não é o trio de protagonistas que se destaca, e sim um trio de coadjuvantes. Começando por Joel Edgerton (“A Hora Mais Escura”), que cria um Tom Buchanan mais tridimensional do que o de Bruce Dern. Edgerton está ótimo em cena. Isla Fisher (“Truque de Mestre”) capricha no sotaque para viver a sofrida Myrtle, amante de Tom; e a beleza de Elizabeth Debicki, modelo transformada em atriz – em seu primeiro filme, hipnotiza nas formas da golfista Jordan Baker. O único pecado do roteiro parece ser tê-la esquecido, já que a personagem some da trama de maneira abrupta.

Depois de Maio

Poderia falar apenas do filme. Comentar sua história, seus planos, as atuações, etc. Mas, não resisti aos encantos e provocações de “Depois de Maio”, de Olivier Assayas. O filme, a rigor, trata sobre a juventude francesa nos anos seguintes a maio de 1968, mês síntese das convulsões culturais e políticas do período.

Gilles tem 16 anos em 1971. Era um período de ressaca. Junto com amigos, ele se envolve em movimentos sociais de esquerda que buscavam a derrubada do capitalismo. Nos primeiros momentos do filme, acompanhamos um verossímil registro do espírito daquela época, confrontos com a polícia, debates sobre os problemas do proletariado, a organização de uma intervenção, com direito a mimeógrafo que só pode reproduzir material que contribua para a revolução. Depois que o grupo agride gravemente um vigia, os amigos rumam para a Itália, tentando escapar das consequências.

Essa fuga revela as personagens como “filhinhos de papai”. Mas Assayas faz crítica rasa. A película expõe o pós-1968 em sua contradição. É um começo de transição entre duas épocas, dando os primeiros passos para deixar uma Guerra Fria e derrubar costumes. A estrutura da narrativa absorve essas contradições fazendo o espectador sentir essa transição.

As contradições estão marcadas em diálogos, como aquela em que um comunista alerta Gilles. Gilles estava lendo um livro que expunha as falha da Revolução Cultural de Mao, na China. Outro momento genial é a discussão sobre qual forma os filmes de propaganda de esquerda deveriam adotar para não se filiarem a uma estética burguesa.

A maior contradição são os desejos opostos de Gilles: se engaja na luta revolucionária, ao mesmo tempo busca desenvolver sua individualidade artística. Não é possível ser revolucionário sendo um artista individualista burguês, parece dizer o velho revolucionário. E eu pergunto, seria possível ser artista sem ser revolucionário?

Assayas expõe a transição desse período. Quanto mais perto do final estamos, aumentam o número de personagens que vão se acomodando. Ou melhor, se ajeitando. A palavra “acomodar” não transmite bem o sentimento do filme. Não se trata de uma desilusão – ao menos explícita – com a causa comunista, nem de um gesto cínico, no qual o velho comuna descobre que vale mais a pena vender camisas de Che do que empunhar armas. Não! Com seu ritmo, o filme reproduz aquela natural acomodação da vida. A maioria das pessoas luta por seus ideais até certo ponto. Alcançando ou não, ou apenas realizando parte deles, em algum instante, adotamos uma forma tranquila para levar nossas vidas. E ela segue e nos leva.

A complexidade do início dos anos 1970 está plena na tela. Temos os revolucionários, os adolescentes deslumbrados, os adultos obcecados com o comunismo e aquelas mais interessados no sexo e no desbunde do em derrubar o capital. Afinal, pergunto ao leitor, o que é mais gostoso: imprimir panfletos em mimeógrafos ou uma orgia?

O trabalho de Assayas é provocador para nós que vivemos um renascimento do protesto. Depois de uma final de século apático, o século XXI veio com uma emergência, e começamos a atirar para todos os lados. Grita-se contra tudo e contra todos. Virou moda protestar. As grandes ideologias do passado não tem a mesma força, vivendo dos restos que os movimentos sociais deixam cair. Hoje, luta-se pela igualdade entre os gêneros, pela liberdade de expressão, por direito individuais, pelos direitos coletivos, pelo meio ambiente, pelo desenvolvimento. Todos querem (a sua versão de) um mundo melhor. Da esquerda aposentada à velha direita, dos ateus aos evangélicos, dos que querem mudar tudo aos que querem manter tudo. Protesta-se muito sobre tudo, embora eu ache que ainda não aprendemos a reclamar.

“Depois de maio” expõem as contradições de 1970. E as nossas? Hoje, apesar dos protestos de rua, virou moda protestar pelas redes sociais; filhos, netos, mães, pais, avós e avôs compartilham o mesmo meme. E, ao menos no Brasil, os protestos de rua não possuem mais o choque. Deve existir alguma contradição quando a polícia dá segurança para protestos que pretendem mudar tudo que aí está! Não, não quero a violência dos protestos do passado. Mas, se naquele tempo, com blocos ideológicos razoavelmente delimitados, já havia contradição, quanto mais hoje, onde no Oriente Médio radicais religiosos derrubam ditaduras, movimentos de minorias pedem censura e grupos majoritários querem negar direitos básicos às minorias!

Não quero entrar mais em política. Fica chato rápido! Queria só deixar registrado, o quanto o filme de Assayas violentou minha mente acomodada…

 

 

Depois da Terra

No clássico de ficção científica da década de 1960, “O Planeta dos Macacos”, descobríamos junto ao protagonista, no auge do clímax, que a ação se passara o tempo todo na Terra. Já em “Depois da Terra”, novo blockbuster da Sony, tal revelação impactante é entregue logo de início. Confeccionado pelo astro Will Smith, para servir de trampolim para sua cria, Jaden Smith, o filme acompanha pai e filho lutando por sobrevivência e precisando desenvolver uma relação de confiança.

Como diz a narração inicial de Jaden, a Terra foi completamente devastada pelos humanos, fazendo com que procurassem no futuro outros planetas para viverem. Em seu novo lar, os terráqueos encontraram hostis alienígenas que soltaram neles a fúria dos Ursas, criaturas monstruosas que dizimam humanos guiados pelo cheiro de seu medo.

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O general Cyrpher Raige (Will Smith) desenvolveu a técnica de combate às criaturas, conhecida como “fantasma”, onde o medo não é uma opção. Por anos, o militar vem treinando cadetes espaciais para se tornarem Rangers, e exterminarem a ameaça. Seu filho, Kitai (Jaden Smith), tenta de toda as formas se provar digno do pai. E a matriarca Faia (Sophie Okonedo) espera que os dois se tornem próximos.

Ao saírem numa missão, envolvendo o treinamento com um Ursa de verdade, pai e filho sofrem um terrível acidente a bordo de uma aeronave no espaço, no qual se tornam os únicos sobreviventes exilados justo no antigo lar dos humanos, a Terra. Agora, numa trama verdadeiramente simplista, o jovem precisa aprender a controlar seu medo e atravessar quilômetros a fim de salvar a si mesmo e seu pai (que quebrou a perna e foi colocado fora de ação).

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Não tem como esconder o nepotismo impregnado em “Depois da Terra”, onde o astro Will Smith prepara o terreno e passa a tocha para seu primogênito. Criada por Will, a trama de “Depois da Terra” é também bancada por sua produtora, a Overbrook Entertainment. Um dos grandes problemas, é que embora não seja péssimo, Jaden Smith também não é um jovem ator talentoso para carregar basicamente sozinho uma produção desse porte.

Will aceita um papel coadjuvante em prol de alavancar a carreira do herdeiro. Entra na jogada o diretor indiano M. Night Shyamalan, que embora tenha começado a carreira como uma das vozes mais inovadoras do cinema americano atual, se encontra em baixa devido a consecutivos trabalhos execrados pelos especialistas, que igualmente ficaram longe de render boas bilheterias.

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Shyamalan também aceita um trabalho genérico aqui, como um operário padrão de qualquer empacotado hollywoodiano. Para não dizer que nada em “Depois da Terra” remete ao cinema de Shyamalan, os mais meticulosos podem notar algum traço de assinatura em momentos de diálogos entre pai e filho, na trilha sonora, e no desenvolvimento da cena do clímax. A curiosidade fica por conta da direção de arte, que cria numa obra futurística um design no mínimo estranho. A civilização humana parece viver em grandes cavernas tecnológicas no novo planeta. Panos e velas de tecido fazem parte das estruturas e casas.

Tudo parece ser extremamente frágil dentro dos utensílios usados pelos humanos nesse futuro, seja com fins militares ou domésticos. “Depois da Terra” não mostra nada verdadeiramente incrível ou novo. Ao final o sentimento é o de se ter mascado um bom chiclete, não delicioso, no qual não se deposita um pensamento após ter sido descartado no lixo. Uma missão onde um jovem precisa atravessar um percurso enfrentando macacos, aves, e espécies de tigres não é exatamente um material digno do melhor blockbuster.

Dizem as más línguas que a produção é uma espécie de propaganda da Cientologia sobre dominar o medo.  Alguém aí falou em “A Reconquista”?

Se Beber, Não Case – Parte 3

Terceira parte da franquia de comédia de enorme sucesso, “Se Beber, Não Case – Parte III” tentou se diferenciar a pedido dos fãs e dos especialistas, mas a nova guinada parece não ter funcionado também (nem um pouco, devo acrescentar). Vamos começar pelas curiosidades. Era sabido que mais cedo ou mais tarde o título em português se voltaria contra ele mesmo, desde o primeiro exemplar. Afinal, “A Ressaca” se transformava por aqui no trocadilho engraçadinho para promover uma campanha de trânsito.

Conseguiram passar batido pelo segundo, já que sendo praticamente uma cópia carbono do original, contava novamente com um casamento. No terceiro finalmente não existe mais casamento. Porém, não existe mais a ressaca também, anulando o título original junto com sua tradução. Na trama, os problemas de Alan (Zach Galifianakis) se escalam até a morte de seu pai (incluindo uma cena de abertura com a decapitação de uma girafa). O fato faz com que todos os seus conhecidos e amigos realizem uma intervenção para levá-lo para uma espécie de sanatório.

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No caminho, o trio de lobos é atacado por criminosos comandados pelo personagem de John Goodman, o mafioso Marshall. Para variar, Doug (Justin Bartha) é tirado de cena, sendo levado pelos bandidos como garantia. O que o poderoso chefão deseja é que o trio encontre o irritante Leslie Chow (Ken Jeong), que roubou uma enorme quantia dele, e com quem o único a ter contato é justamente Alan.

O terceiro filme é apenas isso. O trio caçando o Sr. Chow, chegando perto de capturá-lo, somente para o asiático escapar por seus dedos outra vez, por Tijuana e Las Vegas. Nos Estados Unidos, diversos críticos definiram “Se Beber, Não Case III” como não uma comédia, mas uma espécie de thriller de ação, o que não deixa de ser verdade. Muito pouco humor é tentado aqui, e o que é tentado passa em branco.

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Alan, o personagem mais engraçado dos filmes anteriores, passa a ser tratado como digno de pena, uma vez que o filme reconhece seu comportamento excêntrico como loucura. Tudo em relação ao personagem no novo filme soa como a síndrome das unhas no quadro negro. Não desce redondo. As tentativas de humor funcionam contra ele agora.

Some a isso um péssimo timing cômico orquestrado pelo mesmo Todd Phillips dos filmes anteriores, com piadas sem graça que se alongam demais. A participação da comediante em evidencia, Melissa McCarthy (“Uma Ladra Sem Limites”), é embaraçosa. Ed Helms e Bradley Cooper (Stu e Phil respectivamente), as partes sérias do filme, tem muito pouco a fazer aqui, e parecem (especialmente o indicado ao Oscar, Cooper) incomodados com o material.

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Quem toma os holofotes dessa vez é Chow, o personagem inconveniente dos filmes anteriores. Um estereotipo grosseiro e rude, que por alguma razão caiu nas graças do público. No novo filme é mostrado seu lado negro e ameaçador, quando extermina pessoas e animais (um galo, e dois cachorros, em cenas de péssimo gosto) à sangue frio.

Mas o que não consegue é criar uma cena verdadeiramente engraçada envolvendo o afetado personagem, ou dar-lhe uma personalidade forte o suficiente para que nós criemos empatia com ele. “Se Beber, Não Case – Parte III” é um desperdício completo. Uma das comédias mais sem graça dos últimos tempos, que consegue rivalizar com preciosidades como “A Máfia Volta ao Divã”, “Meu Vizinho Mafioso 2” e “A Inveja Mata”, em matéria de risadas disparadas por celuloide. Um dos piores filmes de 2013.

 

O Grande Gatsby

Ousado e extravagante: Esses adjetivos sempre estiveram presentes na carreira de Baz Luhrmann, e aqui eles estão mais evidentes.

No ano passado, tivemos uma nova releitura musical de ‘Os Miseráveis’, famosa obra literária de Victor Hugo, que já havia sido adaptada várias vezes para o cinema; agora é a hora do icônico romance de F. Scott Fitzgerald, ‘O Grande Gatsby’, ganhar sua nova versão para as telonas – nessa ocasião, em 3D. Essa também já teve suas transposições marcantes, dentro da sétima arte, como a variante de Jack Clayton, em 1974, com Robert Redford e Mia Farrow. E que, por sinal, é sempre bem notada e elogiada. A nova já é a quarta adaptação da novela.

Porém, acredito que dessa vez, o megalomaníaco cineasta Baz Luhrmann – sim, aquele mesmo de ‘Moulin Rouge – Amor em Vermelho’ e ‘Romeu + Julieta’ – tenha feito, de fato, um filme que conseguiu mostrar ao espectador, do ponto vista visual, a colossal dimensão do fruto de Fitzgerald. Até mesmo pela sua gigantesca e ousada produção orçamentária. É um filme esteticamente impressionante, em seu calibre panorâmico, de um modo geral.

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Para que melhor conheçam um pouco dessa história, o conto, na verdade, tem como seu maior protagonista o investidor Nick Carraway (Tobey Maguire), um homem que possui grande fascínio platônico por seu enigmático vizinho Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). Carraway é um rapaz que vive em total conflito consigo mesmo, pois, apesar de venerar os ricos e o glamour da época, ele não se conformava com o materialismo sem limites e a falta de moral, que imprime certo declínio. E em meio a toda essa duvida, Nick é convidado por Jay para uma festa incrível, e lá, suas relações se estreitam, o deixando ainda mais encantado com o mistério por trás do milionário. A fortuna de Gatsby é motivo de rumores, isso por nenhum dos convidados, ou amigos, saberem muito bem sobre o passado do anfitrião de conduta duvidosa.

Nick descobre que seu novo colega ricaço tem uma paixão antiga por sua linda e meiga prima Daisy Buchanan (Carey Mulligan), o que o deixa feliz e surpreso. Sabendo que tal sentimento ainda existe entre eles, o rapaz resolve reaproximar os dois, ignorando o fato de ela ainda ser casada com seu velho amigo, dos tempos de faculdade, o ex-atleta Tom Buchanan (Joel Edgerton) – até porque o sujeito vive traindo descaradamente sua prima, o que o incomoda bastante. O que acaba gerando um conflito gigantesco entre os personagens e enriquecendo a trama ainda mais. Um misto de amor e ódio, rancor e saudade, dúvida e certeza, emerge em meio a tudo isso. Tornando o enredo cada vez mais envolvente e atraente.

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Interessante, também, é a personalidade de Jay Gatsby, quando assim é explorada lá pelo fim do segundo e terceiro atos. Pois, vejamos, é sabido que o Gatsby era sim um dos maiores símbolos representativos daquela época e sociedade, que poderia ser adjetivada como rica e vazia. Todos desfrutavam de sua mansão, da sua bebida e da bela recepção. Alçavam-se gratuita e socialmente através daquilo. Essa questão de total domínio social anda sempre muito junto com o irrestrito descontrole pessoal. Que é muito bem retratado, num cena em que o Jay perde a cabeça e agride o Tom Buchanan, revelando, indiretamente, seu passado e verdadeira personalidade; o afastando, mais ainda, do seu maior objetivo, o amor. E, mesmo que Gatsby seja ou tenha sido uma figura invejável superficialmente, de nada valeu seu glamour no fim das contas. Um legado inexistente é a pior coisa que pode acontecer na vida de alguém. E, mesmo com todo esforço, creio que tenha sido esse seu trágico fim.

Apesar de possuir uma direção que se mostra bastante eficaz, até por assim impetrar uma narrativa orgânica, que conta bem a sua história e prende o espectador o tempo todo, Baz Luhrmann perde um pouco a mão em alguns momentos. Deixando uma barriga no meio do seu filme. Abusando de panorâmicas, que cuja função é apenas despontar a sua colossal produção fílmica – o oposto do que o néscio Tom Hooper fez em ‘Os Miseráveis’ -, e tendo sucesso em alguns momentos, ele ainda falha por desperdiçar muito tempo de tela com isso. Onde poderia, muito bem, através da própria linguagem visual, falar mais sobre o perfil dos seus personagens, os tornando ainda mais interessantes, e sem precisar de diálogos expositivos ou narrações em off, como as constantes falas do Nick. E, ainda sim, muito é feito por essa vertente. Principalmente quando se trata do Gatsby, seu personagem é totalmente desenvolvido através das suas propriedades, figurinos, trejeitos e constantes ações.

É aí que entra a soberba direção de arte de Damien Drew (The Pacific), Ian Gracie (Além da Linha Vermelha) e Michael Turner (Missão: Impossível – Protocolo Fantasma). Esses merecem toda atenção da fita, por terem sido tão minimalistas ao retratarem uma fiel Long Island, mas extremamente viva e jovial. Que assim como a trilha de Craig Armstrong (O Preço do Amanhã), flerta o tempo todo entre o geek e o pop, mas não perde a essência da obra e cidade, em questão. É um deslumbre visual, o comando artístico desse trio. Certamente serão figurinhas carimbadas no Oscar 2014.

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Todavia, nada disso ganharia tamanho destaque, não fosse à boa fotografia assinada por Simon Duggan (Presságio), que tem o papel de destacar, intensamente, através de lentes muito saturadas, uma estética elegante e ao mesmo tempo extravagante – achei que a versão 3D prejudicou um pouco o trabalho desses profissionais, isso pelo diretor não saber utilizar bem a tecnologia. A profundidade de campo das cenas é mínima, o que acaba sendo um tiro pela culatra. Além de anular a própria razão de aspecto desejada, torna a imagem tremula, deixando os enquadramentos sem firmeza. Claro que algumas tomadas surtem efeitos e farão com que o espectador médio se impressione.

O elenco também não fica atrás e, a despeito da atuação de Tobey Maguire (Homem-Aranha) soar um tanto apática, essa é sem duvida a persona do sujeito. Não tem jeito, igualmente como Jack Nicholson e Morgan Freeman, ou você embarca nos seus estilos característicos ou simplesmente não suporta. Assim também é Leonardo DiCaprio (Django Livre), que vem, de filme após filme, fazendo grandes papeis, mas que  ainda, pelo seu passado como ator teen, não caiu nas graças da plateia em geral. E aqui, mais uma vez, ele empresta seu charme, elegância e explosão nas horas em que é requisitado. Completando assim a lista de atuações, Carey Mulligan (Shame) engendra mais uma de suas personagens: tímida, singela, inocente e tremendamente encantadora. Ênfase também para beleza estonteante da novata Elizabeth Debicki, maravilhosamente linda.

Sem mais delongas, eu diria que, apesar de possuir alguns problemas técnicos e vários exageros, ‘O Grande Gatsby’ é um bom filme, em todo seu contexto. Não tem vergonha de se assumir como uma ousada produção e cumpre bem esse papel, embora que não seja nenhum ‘O Aviador’, como muitos vêm pregando. Até porque não é um cineasta como Martin Scorsese que está no comando do troço, e sim um homem que, desde o início de sua carreira, gosta de mexer com o extravagante e tenta criar obras que parecem mais um espetáculo teatral da Broadway, o que, a bem da verdade, não é de tudo ruim.

Alvo Duplo

(Bullet To The Head)

Elenco: Sylvester Stallone, Jason Momoa, Christian Slater, Sung Kang, Sarah Shahi, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Jon Seda, Holt McCallany, Brian Van Holt.

Direção: Walter Hill

Gênero: Ação

Duração: 91 min.

Distribuidora: Imagem Filmes

Orçamento: US$ 55 milhões

Estreia: 12 de Abril de 2013

Sinopse: Em ‘Bullet to the Head’, Stallone vive um assassino profissional contratado para se unir a um investigador do FBI (Sung Kang). Juntos, eles vão à Washington investigar uma série de assassinatos. A dupla se envolve em uma perigosa jornada pelas ruas de Nova Orleans e pelos bastidores de Washington, em busca de vingança pela morte dos respectivos parceiros.

Curiosidades:
» O primeiro corte da ação de Sylvester Stallone (‘Os Mercenários’) não agradou o estúdio, nem o ator, e teve que ser reeditada. O próprio Stallone supervisionou a nova montagem, e tentou salvar a trama do fíasco.» Walter Hill (’48 Horas’) dirige. Ele entrou no lugar deixado por Wayne Kramer(‘Território Restrito’), que deixou o projeto alegando diferenças criativas com Stallone.

» Jason Momoa, estrela do remake de ‘Conan – O Bárbaro’, interpreta o vilão Keegan. Christian Slater e Sarah Shahi (da série The L Word) completam o elenco.

» Alessandro Camon (indicado ao Oscar por ‘O Mensageiro’) roteiriza.

5x Pacificação

(5x Pacificação)

Elenco: Documentário

Direção: Cadu Barcellos, Luciano Vidigal, Rodrigo Felha e Wagner Novais

Gênero: Documentário

Duração: — min.

Distribuidora: RioFilme

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 16 de Novembro de 2012

Sinopse: Para contar a história das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas favelas do Rio de um modo diferente do que se vê nos noticiários, os produtores Cacá Diegues e Renata de Almeida Magalhães abraçaram o projeto de quatro diretores de “5x Favela — agora por nós mesmos”, para que as UPPs fossem examinadas de dentro, do ponto de vista dos que moram nas comunidades.

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Cores

(Cores)

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Elenco: Acauã Sol, Pedro di Pietro, Simone Iliescu, Tônico Pereira, Guilherme Leme, Maria Célia Camargo.
Direção: Francisco Garcia
Gênero: Drama
Duração: 94 min.
Distribuidora: Pandora Filmes
Orçamento: US$ — milhões
Estreia: 10 de Maio de 2013
Sinopse: São Paulo. Dias Atuais. O Brasil vive um momento de crescimento econômico. CORES é uma história de amizade e desilusão entre três jovens amigos em uma grande metrópole. Luca (31) é um tatuador e mora com sua avó. Ele mantém seu estúdio de tatuagem nos fundos da casa em um bairro periférico da cidade. Luiz (29) mora em uma pensão no centro da cidade, faz bicos com sua moto e trabalha em uma drogaria, e Luara (30), sua namorada, é uma garota que reside em um apartamento na frente do aeroporto e deposita todo seu tempo no trabalho em uma loja de peixes ornamentais para espantar a solidão e conseguir financiar uma viagem. A vida dos 3 amigos é marcada por uma rotina ordinária e pela alienação impregnada pela sociedade de consumo, onde a falta de perspectiva prevalece.

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Amorosa Soledad

(Amorosa Soledad)

Elenco: Inés Efron, Ricardo Darín, Nicolás Pauls, Monica Gonzaga, Fabián Vena, Diego Velázquez, Santiago Giralt.

Direção: Martín Carranza e Victoria Galardi

Gênero: Comédia Romântica

Duração: 84 min.

Distribuidora: Esfera Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 10 de Maio de 2013

Sinopse: Soledad acaba de ser abandonada pelo seu namorado. Nesse momento, decide que ficará sozinha pelos próximos dois anos, evitando assim um novo fracasso amoroso. No entanto, as coisas não saem como ela planeja e sua busca pela estabilidade emocional apresenta inúmeras contradições.
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Elena

(Elena)

Elenco: Elena Andrade

Direção: Petra Costa

Gênero: Documentário

Duração: 94 min.

Distribuidora: Espaço Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 10 de Maio de 2013

Sinopse: Elena viaja para Nova York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Deixa para trás uma infância passada na clandestinidade dos anos de ditadura militar. Deixa Petra, a irmã de sete anos. Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas. Filmes caseiros, recortes de jornal, um diário. Cartas. Em todo momento, Petra espera encontrar Elena caminhando pelas ruas com uma blusa de seda. Pega o trem que Elena pegou, bate na porta de seus amigos, percorre seus caminhos e acaba descobrindo Elena em um lugar inesperado. Aos poucos, os traços das duas irmãs se confundem, já não se sabe quem é uma, quem é a outra. A mãe pressente. Petra decifra. Agora que finalmente encontrou Elena, Petra precisa deixá-la partir.

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Confissões de Um Jovem Apaixonado

(Confession of a Child of the Century)

Elenco: Charlotte Gainsbourg, Pete Doherty, Lily Cole, August Diehl, Volker Bruch, Guillaume Gallienne, Joséphine de La Baume, Karole Rocher, Rhian Rees, Rebecca James.

Direção: Sylvie Verheyde

Gênero: Drama

Duração: 120 min.

Distribuidora: Imovision

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 17 de Maio de 2013

Sinopse: Paris 1830: Otávio é um jovem burguês que leva uma vida ociosa. Após ser traído pela mulher que ama, ele se vê em desespero e passa a levar uma vida de excessos. Em uma viagem para o interior do país, conhece Briggite, uma jovem viúva, 10 anos mais velha do que ele e se apaixona novamente. Porém, terá ele coragem suficiente para viver esse amor?

Curiosidades:
» Adaptação do livro homônimo de Alfred de Musset.

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Giovanni Improtta

(Giovanni Improtta)

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Elenco: José Wilker, Andrea Beltrão, Thelmo Fernandes, André Mattos, Gillray Coutinho, Julia Gorman, Yago Machado , Norival Rizzo, Roney Villela, Paulo Mathias Jr, Thogun Teixeira, Cristina Pereira.
Direção: José Wilker
Gênero: Comédia
Duração: 99 min.
Distribuidora: Sony Pictures
Orçamento: US$ — milhões
Estreia: 17 de Maio de 2013
Sinopse: Giovanni Improtta (José Wilker) é um contraventor que sonha com a ascensão social. Ao saber que a lei dos cassinos está sendo negociada nos bastidores, ele resolve entrar para o ramo. Para limpar sua imagem recorre ao vereador evangélico Franklin (Thelmo Fernandes), seu velho amigo, que lhe consegue o título de cidadão honorário do Rio de Janeiro. Apesar de ser casado com Marilene (Andréa Beltrão), Giovanni mantém um caso tórrido com Patrícia, filha de um figurão. Como o pai dela não gosta do romance, Giovanni decide agradá-lo comprando um rim, já que sofre de problemas renais. Porém, o que ele não esperava era ser acusado de tráfico de órgãos e, para piorar, que o promotor do caso fosse assassinado. Giovanni logo se torna o suspeito número um do crime e agora precisa encontrar um meio de provar sua inocência.

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(Dos Más Dos)

Elenco: Adrián Suar, Carla Peterson, Juan Minujín, Julieta Díaz, Alfredo Casero, Tomás Wicz, Micaela Cuccaresi, Juana Wein, Nicolás Torcanowsky, Kevin Melnisky, Judith Kusnir.

Direção: Diego Kaplan

Gênero: Comédia

Duração: 108 min.

Distribuidora: Paris Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 17 de Maio de 2013

Sinopse: Diego, Emilia, Richard e Betina são dois casais de amigos de longa data. Aos 40 anos são profissionais talentosos. Diego e Emilia tem um filho de 14 anos e uma vida familiar organizada, enquanto Richard e Betina, que não têm filhos, vivem uma vida mundana.Em uma noite de descontração Betina e Richard confessam aos amigos que praticam a troca de casais e que gostariam de experimentar o swing com eles. Esta confissão desperta fantasias dormentes em Emilia, que insiste que Diego aceite o convite.
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Walachai

Walachai

Elenco: —

Direção: Rejane Zilles

Gênero: Documentário

Duração: 83 min.

Distribuidora: Okna Produções

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 24 de Maio de 2013

Sinopse: Walachai é uma colônia rural alemã localizada há apenas 70 km de Porto Alegre. Em alemão antigo, significa “lugar longínquo, perdido no tempo”. Há outros povoados de nomes singulares no país, como Jamerthal, Batatenthal, Padre Eterno e Frankenthal. São comunidades que têm uma dinâmica própria e ainda vivem distantes do mundo globalizado. Muitos de seus habitantes nunca aprenderam a falar português e comunicam-se num dialeto alemão transmitido pelas gerações de descendentes. No entanto, nada sabem de sua Alemanha de origem. São todos brasileiros e se identificam como tal.

Curiosidades:
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Artigas – La Redota

(La Redota – Una Historia de Artigas)

Elenco: Jorge Esmoris, Franklin Rodríguez, Gualberto Sosa, Yamandú Cruz.

Direção: César Charlone

Gênero: Drama

Duração: 120 min.

Distribuidora: Panda Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 24 de Maio de 2013

Sinopse: No ano de 1884, o governo uruguaio encomenda ao famoso pintor Juan Manuel Blanes um retrato do libertador José Artigas, o homem que liderou um exército popular no interior do país. O artista utiliza um esboço de 1811, realizado pelo espião espanhol Guzmán Larra para começar sua obra. Setenta anos antes, Larra havia sido contratado para acabar com a vida de Artigas e acabou testemunhando os anseios de seus oito mil companheiros. Os destinos desses três homens se cruzam, mudando a vida de cada um deles e do povo uruguaio.

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A Datilógrafa

(Populaire)

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Elenco: Romain Duris, Déborah François, Bérénice Bejo, Shaun Benson, Mélanie Bernier, Miou-Miou, Eddy Mitchell, Nicolas Bedos, Frédéric Pierrot, Marius Colucci.
Direção: Régis Roinsard
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 111 min.
Distribuidora: Paris Filmes
Orçamento: US$ — milhões
Estreia: 24 de Maio de 2013
Sinopse: Aos 21 anos de idade, Rose Pamphule mora com seu pai e estar prestes a casar com o pacífico filho de um garagista. Ela poderia virar uma dona de casa, mas a jovem tem planos mais ambiciosos. Ela sai de sua cidade e tenta um emprego de datilógrafa no escritório de seguros de Louis. Mesmo se suas habilidades como secretária são fraquíssimas, o homem fica impressionado com a velocidade com a qual Rose consegue digitar. Logo o espírito competidor de Louis se desperta: ele decide aceitar Rose como sua secretária, contanto que ela treine para participar da competição de datilógrafa mais rápida do país.

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Camille Outra Vez

(Camille Redouble)

Elenco: Mathieu Amalric, Denis Podalydès, Noemie Lvovsky, Samir Guesmi, Elsa AmielIndia Hair, Jean-Pierre Léaud, Anne Alvaro.

Direção: Noemie Lvovsky

Gênero: Drama

Duração: 115 min.

Distribuidora: Imovision

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 30 de Maio de 2013

Sinopse: Camille tinha dezesseis anos quando conheceu Eric. Eles se apaixonaram e tiveram uma filha, porém, vinte e cinco anos depois, o casamento acaba e Eric a abandona por uma mulher mais jovem. Na noite de 31 de dezembro Camille, de repente, se vê novamente em seu passado, onde reencontra seus pais, seus amigos, sua adolescência e Eric.
Será que ela vai tentar escapar de seu destino e mudar a vida dos dois? Ou será que ela vai amar de novo mesmo já sabendo o final de sua história?

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Terapia de Risco

Com um trabalho que possui seus principais elementos de linguagem, Steven Soderbergh se despede da sétima arte.

Desde o início de sua carreira, no final da década de 80, quando venceu o Festival de Cannes por seu excepcional longa de estreia, Sexo, Mentiras e VideotapesSteven Soderbergh já impressionava pelo amplo domínio de linguagem cinematográfica e constante versatilidade artística. Seus trabalhos posteriores, Kafka e O Inventor de Ilusões, o colocaram num alto patamar onde, ainda dentro do seu estilo tipicamente alternativo, conseguiu fazer produções mais ousadas, como Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento e Traffic: Ninguém Sai Limpo. Sendo ambos indicados ao Oscar de melhor filme e este último lhe rendendo o prêmio de melhor diretor.

Ingressando de vez em Hollywood, comandou o estrelado Onze Homens e um Segredo, que o consolidou como um dos cineastas mais promissores de sua geração. E, apesar de não ter ido bem ao realizar os sofríveis Confissões de uma Garota de Programa e Contágio, conseguiu, novamente, destaque com os recentes A Toda Prova e Magic Mike. Estes muito elogiados pela crítica e público, fazendo novamente as pazes com os apreciadores de sua arte.

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Agora, com cinquenta anos de idade, para surpresa de todos, Soderbergh anuncia sua provável e precoce aposentadoria. Se despedindo nos cinemas (pois, para TV, fez o ainda inédito Behind the Candelabra) com o ótimo suspense policial Terapia de Risco. Um filme que, coincidentemente, imprime suas principais características, especialmente em sua parte estética.

Na trama, a jovem e misteriosa Emily Taylor (Rooney Mara) recebe a notícia que enfim seu marido Martin Taylor (Channing Tatum) será libertado da prisão, onde havia sido acusado por um crime de colarinho branco. Ainda que aliviada, Emily tem estranhas crises de depressão e busca ajuda psiquiatra para conter a ansiedade. Recebendo apoio psicológico, amparada pelo Dr. Jonathan Banks (Jude Law), é submetida a um tratamento a base de fortes medicamentos, que acarretam alguns efeitos colaterais. E, mesmo reagindo inicialmente de forma positiva, tal evento gera consequências inesperadas na vida da jovem e do psiquiatra.

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Criando, como de costume, uma narrativa elegantíssima e ao mesmo tempo tensa, Soderbergh desenvolve, de maneira muito orgânica, um conto que se mostra cada vez mais curioso. Logo no início do primeiro ato, devido a uma espetacular apresentação geral dos principais fatos do caso, somos totalmente fisgados e embarcamos na história. Isso pela sua irrestrita capacidade de direção, onde não precisa de muitos diálogos e tempo para expor toda informação necessária que o expectador carece saber até aquele momento.

O clima de tensão está constantemente presente nas ações dos personagens e notadamente nos diálogos de Emily com o psiquiatra. Aonde reside tudo que está por trás dos reais acontecimentos. A fotografia, que é também assinada pelo próprio Soderbergh, tem fator fundamental para que tal sensação permaneça ao longo da trama. Com lentes opacas, uma espécie de nevoa parece rondar os cenários internos e externos. Causando uma impressão de conflito, ao público, e sendo muito importante para o suspense desejado.

Um dos pontos mais altos da fita é, sem duvidas, a atriz Rooney Mara, que pouco a pouco vai conquistando seu espaço na indústria com interpretações corajosas e ousadas. Ela mostra aqui o seu lado sensual e misterioso, assim como fez em Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, deixando, propositalmente, a plateia ambígua a respeito de sua Emily. Jude Law também está muito bem em tela e consegue imprimir realmente a imagem de um homem desesperado e confuso sobre os acontecimentos passados. A eterna parceira do diretor novamente marca presença, Catherine Zeta-Jones começa como uma personagem secundaria e cresce ao longo do conto. Já não podemos dizer o mesmo de Channing Tatum, que passa despercebido, como na maioria de seus papeis.

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O roteiro de Scott Z. Burns (O Desinformante!), apesar de simplório do ponto de vista crítico e artístico, é promissor. Porém, nas mãos de um diretor menos experiente, poderia ser desperdiçado, por algum descuido. Os diálogos não são primorosos, mas o mérito está em sua narrativa. A decupagem foi essencial para que tudo funcionasse bem. E a trilha sonora do ótimo Thomas Newman (Operação Skyfall), também auxilia as cenas de suspense e investigação. A melodia é intensa e enigmática.

Todavia, como já era de se imaginar, Terapia de Risco tem um final revelador, mas que funciona organicamente. Não é nada forçado ou maniqueísta. É surpreendente e interessante. E se realmente esse for o último filme de cinema dirigido por Steven Soderbergh, garanto que este terminou muito bem sua história na sétima arte e deixará saudades.

Cores

O mundo é muito grande para você viver dentro de um aquário. Dirigido pelo cineasta Francisco Garcia, em seu primeiro longa, Cores é um filme bastante atípico quando pensamos em cinema nacional. O filme fala sobre a desilusão da juventude, seus conflitos e irresponsabilidades. Pelos olhos de três amigos, completamente perdidos em suas vidas, somos arrastados para o submundo da desilusão.

É um retrato nu e cru de uma sociedade sem forças para superar as adversidades da vida.

O trabalho como desafogo e exploração emocional é um exercício constante que vemos em cena. Os três trabalhadores utilizam o seu cotidiano improdutivo para exaltar suas inconseqüências sem responsabilidades. O grande problema vem com essa viagem nas personalidades dos que aparecem em cena. Os atores não conseguem desenvolver seus personagens, pecam pela fala de experiência. Isso acaba atrapalhando a profunda história escrita pelo diretor e Gabriel Campos.

Ninguém pode falar de ninguém. Entre cigarros, bebidas e músicas barulhentas, a falta de cores coloca o filme em paralelo com o sentimento de cada personagem, associada à inconseqüente falta de direção de cada um dos amigos. O poder de revolução da juventude passa longe do pensamento e ações dos protagonistas. A história mais bem definida é a de Luara que usa a Polaroid em vez do Instagram. Sua fidelidade aos seus sonhos, sua inocência imatura e seus desejos são muito bem retratados pelos lentes de Garcia.

O filme se prolonga em seu vazio existencial, deixando o público definir o sentido de algumas sequências, consegue ser maduro e confuso ao mesmo tempo. Se o espectador se agarrar aos conflitos, metaforicamente demonstrados, de cada personagem, pode ser que goste desse curioso longa metragem.

Em Transe

Em Transe‘ é o novo trabalho do prestigiado cineasta inglês Danny Boyle. O diretor começou a carreira realizando filmes feitos para a TV, até dirigir duas obras inglesas cultuadas pelos cinéfilos, “Cova Rasa” (1994) e principalmente “Trainspotting – Sem Limites” (1996) – que promete uma continuação em breve.

Depois de ser mirado e engolido por Hollywood, com filmes como “Por Uma Vida Menos Ordinária” (1997) e “A Praia” (2000), Boyle voltou às raízes com filmes menores (“Extermínio” e “Caiu do Céu”).

Mesmo tendo realizado a elogiada ficção científica “Sunshine – Alerta Solar” (2007), o cineasta atingiu o status de superstar com “Quem Quer Ser Um Milionário?”, grande vencedor do Oscar 2009. Boyle dava o passo então de ser um diretor conhecido apenas nas rodinhas cinéfilas, para um reconhecido por todos, aquele tipo de profissional que chama a atenção a qualquer novo trabalho. E isso foi bem verdade com seu filme seguinte, um drama basicamente passado num único cenário, com um único ator. “127 Horas” igualmente foi indicado ao Oscar,e catapultou de vez Boylecomo um diretor estrela.

Mas Boyle parece ter aprendido com sua experiência em Hollywood, “A Praia” foi seu filme mais “americanizado” e também o mais problemático. Boyle aprendeu a não se deslumbrar, e a fazer filmes significativos em seus próprios termos, sem a interferência da grande indústria cinematográfica. É por isso que Boyle pode ser considerado um dos cineastas autorais ainda resistentes. Mesmo sem escrever os próprios filmes (embora tenha participado no roteiro de “127 Horas”), Boyle ainda trabalha comJohn Hodge, o roteirista de todos os seus filmes iniciais.

Em Transe” marca a reunião da dupla, que não trabalhava junta desde 2000. Baseado num filme feito para a TV de 2001, escrito e dirigido pelo mesmo John Ahearne (co-roteirista aqui), o filme tem como protagonista Simon, personagem deJames McAvoy (“X-Men: Primeira Classe”), funcionário de uma casa de leilões de obras de arte, viciado em jogo. Por suas dívidas o protagonista arma um roubo ao lado do criminoso Franck, papel do ótimo francês Vincent Cassel (“Cisne Negro”), e sua gangue.

O roubo sai errado e Simon é seriamente ferido na cabeça. Depois de recuperado, o protagonista parece ter excluído de sua mente o local onde guardou a peça roubada. A única solução para encontrá-la são sessões de hipnose, realizadas pela Dra. Elizabeth, papel da bela e voluptuosa descendente de latinos Rosario Dawson (“Sin City – A Cidade do Pecado”), uma psicóloga especialista no assunto. Porém, a cada passo dado em direção a obra de arte, as sessões parecem desbloquear algo mais, guardado na mente do atormentado protagonista.

Em Transe” é uma obra muito interessante, e funciona em variados aspectos. A trama é excessivamente confusa, mas não impossível de acompanhar, e ao final se mostra como um desses filmes onde tudo faz sentido, e podemos facilmente rastrear cada passo dado pelo roteiro voltando tudo em nossas mentes. “Em Transe” nem de perto se espelha na complexidade de “Amnésia”, de Christopher Nolan, por exemplo. Aparentemente fugindo de obras miradas a premiações, o diretor planeja entregar com “Em Transe”, quem sabe um projeto voltado apenas ao entretenimento.

O que acontece é que um filme pipoca de Danny Boyle é nesse nível, muito mais complexo do que muitos filmes de arte. Boyle se deleita em poder enganar o público, e pregar nele peças de cinco em cinco minutos. Nada do que vemos no filme é o que aparenta, e as reviravoltas vão se desenrolando a cada camada com o passar da projeção. Vamos descobrindo segredos sobre o protagonista, sobre o criminoso e sobre a própria psicóloga.

Em Transe” pode ser considerado um filme confuso, mas um bom filme confuso aonde sentimos prazer no desafio de tentar encaixar todas as peças, ao contrário de simplesmente não nos importarmos. Os atores estão especialmente bons, Cassel é sempre um show a parte, mas aqui temos desempenhos satisfatórios de James McAvoy (que realmente vem impulsionando sua carreira) e Rosario Dawson, num desempenho contido e desembaraçado, com pleno domínio de cena. Com elogios de sobra, “Em Transe” é sem dúvidas um dos melhores filmes desse início de ano.