Pixar | Disney+ tem curtas essenciais do estúdio no catálogo. Conheça suas histórias!

Criada no final da década de 1970 como uma divisão de computadores da Lucasfilm, a Pixar passou a investir no ramo das animações para desenvolver novos softwares e hardwares e acabou se destacando tanto nesse setor que chamou a atenção da Disney, com quem desenvolveu uma longa parceria até ser oficialmente adquirida pela mesma em 2006.

Com o passar dos anos, a Pixar se consagrou como um polo de criatividade e enfileirou premiações do cinema com seus filmes, virando a grande referência das animações 3D no mundo. Porém, como toda grande empresa, eles tiveram de começar por baixo. E parte do acervo do Disney+ traz justamente alguns dos curtas responsáveis por revolucionar não apenas a história da empresa, mas todo o setor das animações cinematográficas.

Foto: Coolcaesar via Wikimedia Commons

Por isso, o CinePOP listou os ‘curtas essenciais’ que estão disponíveis no streaming e são indispensáveis para todos os fãs do estúdio e que querem entender um pouco mais dos primeiros passos da empresa, antes dela se tornar a potencial mundial de animações. Confira!

As Aventuras de André & Wally B.

Divulgação/ Pixar Animation Studios

O primeiro curta da história da Pixar contou com a genialidade de John Lasseter para mostrar que a animação 3D era possível. Mais do que isso, ele foi responsável por mostrar à diretoria que era necessário ter alguém voltado para trabalhar a parte técnica da animação, mas também seria fundamental ter um cuidado especial para trabalhar a história dos personagens.

“Todas as imagens na animação eram criadas pelas mesmas pessoas que faziam o software. Era como ir a um museu onde os quadros eram feitos pelas pessoas que fabricavam as telas e os pincéis”, disse Lasseter nos bastidores do DVD Pixar Short Films.

Diante dessa proposta, John começou a trabalhar no projeto e teve de seguir as ordens de simplicidade solicitadas pela diretoria. Mas, para isso, ele decidiu se espelhar na criação de outro ícone: o Mickey Mouse.

Ed Catmull e Alvy Ray Smith [fundadores da Pixar] me pediram para pensar em como seria o visual de um personagem feito com formas geométricas simples. Esferas, cones, cilindros, caixas… Esse tipo de coisa. Mas comecei a ver a simplicidade com que Ub Iwerks fazia os primeiros desenhos do Mickey Mouse. E comecei a desenhar o que acabou sendo o André, um personagem feito com formas simples”, contou John.

Reprodução/ Walt Disney Animation Studios

O curioso é que essa história de manter a simplicidade uma técnica animada apelidada de ‘técnica da gota’, que permitia uma movimentação mais fluida do corpo de André – e garantiu a criação do Wally B. – e surpreendeu o mundo ao trazer para o 3D o efeito de passagem borrada do personagem correndo.

A trama do curta é muito simples. André está andando pelo bosque até se surpreender com uma abelha e sair correndo. Ponto. Simples assim. No auge dessa simplicidade, o curta foi levado a convenções de tecnologia e encantou a todos.

“‘André & Wally B.’ provou que se podia contar histórias por meio desta mídia. Mesmo que não fosse bem uma história, ela estava lá no curta. E funcionou”, assumiu Craig Good, um dos animadores originais da casa.

Luxo Jr.

Divulgação/ Pixar Animation Studios

Esse curta é tão importante que acabou virando o mascote oficial do estúdio. Com a comprovação de que era possível contar história por imagens computadorizadas, Lasseter fez questão de ousar novamente, buscando um curta que pudesse fazer as pessoas sentirem emoções ao assisti-lo. Isso era uma estratégia do principal acionista majoritário da empresa, um tal de Steve Jobs, que queria mostrar ao mundo o poder dos computadores Pixar e como era interessante para pessoas comuns adquirirem um.

Com isso, Lasseter vem com a ideia do curta da lâmpada, o que exige um trabalho especial para os animadores desenvolverem um objeto que projetasse luz e sombra próprios. Com essa nova tecnologia, eles prepararam o projeto e guardaram o melhor para o fim. Além de ter uma “lâmpada bebê”, ela ainda pularia e murcharia uma bola de brinquedo.

A SIGGRAPH acontece até hoje. Essa imagem é da edição 2024. Divulgação/ ACM SIGGRAPH

Estamos falando da década de 1980, então isso era algo impensável até então. Com o curta finalizado, a equipe que trabalhou se divertiu horrores assistindo e levou Luxo Jr. para ser exibido na SIGGRAPH, a principal convenção de anual sobre computação gráfica do mundo. Ela reunia muitos animadores, nerds, publicitários e cientistas. A reação do povo na primeira exibição do curta foi descrita como “animalesca”.

Nos primeiros segundos, quando viram a lâmpada projetando luz e o efeito das sombras, o público foi à loucura. Quando a lâmpada bebê aparece, houve mais gritos e aplausos. Quando o pequeno Luxo Jr. saltou sobre a bolinha, se equilibrou e murchou o brinquedo, o auditório se tornou um zoológico. E segundo o próprio John Lasseter conta, o que mais chamou atenção foi que as pessoas vinham até ele para falar não sobre a tecnologia, mas sobre a história. As pessoas queriam saber se a lâmpada adulta era a mãe ou o pai, eles perguntavam de quem era a bola. Era tudo que Lasseter queria. As pessoas sentiram alguma coisa ao ver a história.

Sonho do Red

Divulgação/ Pixar Animation Studios

Com o sucesso na SIGGRAPH, a Pixar passou a ser muito requisitada para fazer comerciais de TV.  Mas não era o bastante. Eles ainda acreditavam no potencial de filmes animados em 3D. Então, surgiu a ideia de fazer um curta mais elaborado e que fosse mais dramático, podendo explorar cenários e sentimentos mais pesados.

Dessa premissa nasce Red’s Dream. O curta acompanha um melancólico monociclo que vive abandonado em uma loja de bicicletas, mas sonha em virar astro de circo, sendo utilizado por um palhaço.

Se tem uma palavra que é perfeita para descrever esse aqui é ‘melancolia’. A história é ambientada em uma noite chuvosa da cidade grande, então é possível ver um grande estudo de cenários. O trabalho de iluminação também é espetacular, porque trabalha no escuro de forma excepcional para a época.

Ele foi importante por trazer essa visão mais artística para os gênios por trás das telas. “A arte desafia a tecnologia, e a tecnologia inspira a arte. E, resumidamente, esse passou a ser o nosso método de trabalho na Pixar, disse Lasseter. No entanto, Sonho do Red acabou não se destacando tanto quanto o curta anterior. Curiosamente, brinca John Lasseter, o “curta fez muito sucesso na Europa”.

Tin Toy

Divulgação/ Pixar Animation Studios

Então, chega o curta que mudaria o nível da Pixar de uma vez por todas. A essa altura do campeonato, a Pixar já era mais reconhecida no mercado por seus curtas do que pelas tentativas frustradas de fortalecer a marca de computadores. Então, John Lasseter observou seu sobrinho, um simpático bebê, interagindo com seus brinquedinhos. Ele pegava todos e chacoalhava, até colocá-los na boca. Diante daquela cena, Lasseter pensou que um bebê poderia ser algo monstruoso partindo da perspectiva de um brinquedo.

O curta é estrelado por um homenzinho de lata que é perseguido por Billy, um bebê muito pequeno. E ele realmente sofre com o moleque, que não entende muito bem o que está acontecendo. O grande desafio desse curta foi modelar o bebê, que é considerado o primeiro personagem 100% humano da Pixar (o palhaço do Sonho do Red usava maquiagem e não tinha ‘pele humana’ para animar).

O resultado desse curta foi fora de série, já que conquistou o Oscar de Melhor Curta Animado de 1988. Mas a real importância dessa animação foi outra.

“Foi a primeira animação computadorizada em 3D a ganhar um Oscar. Mas a coisa mais importante que Tin Toy fez foi plantar em nossas cabeças a ideia de que brinquedos poderiam tomar vida e agir pelas costas dos adultos. Daí surgiu a ideia para Toy Story, confirmou John Lasseter.

Nesse meio tempo, a Disney fez uma série de propostas para tirar John Lasseter do estúdio. Só que ele tinha plena fé na equipe e acreditava que aquele trabalho poderia render algo grande, então recusou todos os convites. Com o sucesso de Tin Toy, a equipe Pixar tinha definido sua meta: fazer um curta de aproximadamente meia hora de duração e, caso desse retorno, investiriam em um longa-metragem animado.

No entanto, a Disney percebeu que Lasseter não ia ceder, então decidiu parar de lutar contra a Pixar e propôs uma parceria. Eles fecharam um acordo milionário para desenvolverem três filmes de longa-metragem completamente em 3D. A Pixar tentou argumentar que gostaria de tentar fazer um filme de 30 minutos antes, mas perdeu no argumento para os executivos da Disney, que falaram: “Uma equipe que consegue fazer uma animação computadorizada de 30 minutos é plenamente capaz de fazer uma de 90 minutos”.

Divulgação/ Pixar Animation Studios

Eles toparam, e o primeiro projeto conjunto foi um tal de Toy Story, que é considerada a primeira animação longa-metragem feita completamente em computação gráfica na história.

A parceria com a Disney rendeu muitos louros, até que a empresa do Mickey tirou o escorpião do bolso e fechou um acordo de mais de sete bilhões de dólares para comprar a Pixar em 2006. O estúdio se isolou como o maior vencedor da história da categoria de Melhor Animação do Oscar, com 11 estatuetas. Além disso, chegou ao auge em 2011, quando Toy Story 3 (2010) conseguiu uma indicação também na categoria de Melhor Filme.

Divulgação/ Pixar Animation Studios

O importante é que mesmo com o sucesso dos longas-metragens nos cinemas, a Pixar entendeu a importância dos curtas e nunca parou de produzi-los. Com o passar dos anos, os curtas viraram laboratórios para revelar novos animadores e diretores, servindo como verdadeiras escolas para jovens cineastas que eventualmente ganham chance de demonstrar seus trabalhos no próprio estúdio.

Todos os curtas citados estão disponíveis no Disney+.

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Pedro Sobreirohttps://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.