POLÊMICA! Cinemark DRIBLA a Cota de Tela e exibe animação brasileira de 2024 mais de 17 MIL VEZES

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A polêmica envolvendo a exibição de ‘Zuzubalândia‘ pela rede Cinemark reacendeu um debate urgente sobre o futuro do cinema nacional — e deixou evidente um problema que vai muito além de um único filme: a distorção do propósito da Cota de Tela.

Criada para garantir espaço ao audiovisual brasileiro dentro de um mercado historicamente dominado por produções hollywoodianas, a política pública nunca teve como objetivo ser tratada como mera formalidade burocrática. Sua função é clara: ampliar o acesso do público às produções nacionais, fortalecer distribuidoras independentes, impulsionar novos realizadores e criar diversidade real nas salas de exibição.

Por isso, a estratégia adotada pela Cinemark, revelada em reportagem da Folha de S.Paulo, expõe uma interpretação oportunista da legislação.

Ao programar mais de 17 mil sessões de ‘Zuzubalândia‘ em 2026 e registrar apenas 1.882 espectadores, a rede parece ter transformado uma política de incentivo cultural em um exercício matemático para cumprir porcentagens no papel. A média de 0,1 espectador por sessão é um retrato claro de que essas exibições, em muitos casos, não estavam sendo pensadas para alcançar público real.

Trata-se de uma manobra que esvazia completamente o espírito da lei.

A justificativa de que as sessões fazem parte do Projeto Escola até pode atender formalmente às exigências regulatórias, mas não responde à questão central: exibir filmes nacionais em horários de baixíssima circulação, sem divulgação consistente e sem esforço concreto para atrair audiência, é cumprir a Cota de Tela apenas tecnicamente — e sabotar sua finalidade prática.

A crítica, no entanto, não deve recair sobre a existência da política.

Pelo contrário: a Cota de Tela segue sendo uma ferramenta essencial para a sobrevivência do cinema brasileiro. Basta observar mercados como França e Coreia do Sul, onde mecanismos robustos de proteção à produção local ajudaram a consolidar indústrias audiovisuais fortes e competitivas internacionalmente.

O problema está na ausência de mecanismos mais inteligentes de fiscalização e qualificação dessas exibições.

Existem caminhos claros para que a regra seja cumprida de forma legítima. Um deles seria exigir taxas mínimas de ocupação ou metas de diversidade de títulos, impedindo que uma única obra seja usada massivamente como “preenchimento estatístico”. Outra alternativa seria distribuir as sessões nacionais em horários comercialmente relevantes, como noites e fins de semana, garantindo condições reais de competição.

Também seria fundamental atrelar o cumprimento da cota a critérios de promoção, exigindo campanhas de divulgação proporcionais às dedicadas aos blockbusters estrangeiros.

Não faltam exemplos de filmes brasileiros recentes que provaram existir demanda quando há espaço real de exposição. O público brasileiro consome cinema nacional quando ele é tratado como produto competitivo, e não como obrigação escondida em sessões vazias no horário do almoço.

O caso de ‘Zuzubalândia‘ escancara uma falha estrutural: quando grandes exibidoras buscam atalhos para cumprir a lei, demonstram não apenas desinteresse pela produção nacional, mas uma resistência histórica à construção de um mercado audiovisual mais equilibrado.

Defender a Cota de Tela, neste contexto, é defender a diversidade cultural.

Assista ao trailer:

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