Jovem e um tanto pueril, em meio a um universo de criaturas mirabolantes e inimagináveis e personagens masculinos que exalam os clássicos estereótipos das populares histórias medievais. Nimue percorre aqui sua própria versão da famosa lenda do Rei Arthur, transformando essa narrativa – que tem atravessado os séculos – em um novo conto antigo, com uma roupagem mais contemporânea e representativa.

E Cursed – A Lenda do Lago carrega em si, inicialmente, alguns vestígios nostálgicos das séries desse gênero lançadas nos anos 90. Resgatando um pouco dessa febre de época, que nos presenteou com algumas das produções mais icônicas de seu tempo, como Xena: A Princesa Guerreira e Hércules: A Lendária Jornada, a nova produção original da Netflix investe seu orçamento em uma aventura que se mescla aos gêneros de ação e fantasia, proporcionando uma experiência que traz de volta um imaginário que por tempo demais permaneceu adormecido fora das telinhas.



Com uma trama que apresenta ares alegóricos, Cursed faz uma combinação que a difere de outras aclamadas séries que trazem em seu eixo o simbolismo de elementos fantásticos, como Game of Thrones e até mesmo Vikings. Construindo seu próprio ritmo narrativo com pitadas de drama, a série é colorida em seu design de produção, explora a luz do dia em paisagens naturais de forma mais delicada e sensível, contrastando essa leveza com cenas violentas mais gráficas e sombrias. Tudo isso ajuda a dosar não apenas o alto nível de censura da trama, como também visa ser um pouco mais abrangente na escolha de seu público.

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Co-criada por Frank Miller e Thomas Wheeler, a adaptação da obra homônima escrita pela mesma dupla transita entre a intensidade de suas cenas de ação, a leveza e a serenidade muitas vezes expressa em sua fotografia e os artifícios fantasiosos, que resgatam figuras clássicas da jornada do Rei Arthur, como o mago Merlin e o semi-lendário rei bretão, Uther Pendragon. Com uma protagonista feminina identificável, Cursed – A Lenda do Lago, se torna também uma virada de chave na atuação da jovem atriz Katherine Langford, que faz a sua migração do pesadíssimo drama teen 13 Reasons Why para uma série com camadas diferentes. E à vontade em uma nova era, a protagonista conduz a trama entre alguns erros e muitos acertos técnicos, gera uma identificação com a audiência, à medida que também constrói diversas dinâmicas envolventes com os personagens coadjuvantes.

Em alguns momentos caricata ao ponto de nos remeter à própria Xena, Cursed consegue corrigir as falhas do seu primeiro episódio – que beira às séries de menor orçamento do canal SyFy – com um segundo capítulo que faz uma guinada avassaladora em sua trama e ritmo. Aprimorando o seu compasso gradativamente, a produção é progressiva não apenas na evolução da dinâmica de seus personagens, mas também em suas cenas de ação, que ganham mais voracidade e um pouquinho mais de sanguinolência.



Com efeitos visuais que às vezes pecam por serem grosseiros e artificiais demais, a produção consegue suprir essa falta por um trabalho consistente em seus efeitos práticos, lutas belamente coreografadas e personagens carismáticos – cujos arcos são cativantes e exploram bem o desenvolvido de cada qual, bem como de seu background. Divertida e prazerosa o suficiente para render uma boa maratona em meio à quarentena, Cursed – A Lenda do Lago tem suas imperfeições, mas possui também um enorme potencial e pode mesmo se tornar a nova queridinha dos apaixonados por aventuras e fantasias.

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