Uma das coisas que tornou a escritora Agatha Christie tão popular foi a fórmula que ela basicamente utilizava em quase todas as novelas de suspense que escreveu: uma fórmula que consistia em reunir em um mesmo ambiente confinado uma grande quantidade de suspeitos de um crime ocorrido enquanto esses indivíduos estavam juntos nesse ambiente. A partir daí, o leitor tem que descobrir quem cometeu o crime e o porquê, e o caminho para o descarte dos suspeitos se torna, assim, a coisa mais legal para o leitor. Numa pegada bastante similar, estreou neste final de semana na Amazon Prime a série de suspenseNove Desconhecidos’.

Frances (Melissa McCarthy) é uma renomada escritora, que infelizmente não anda escrevendo muito bem pois não atravessa um bom momento em sua vida pessoal. Assim, ela topa se hospedar por uns dias no spa Tranquilium, que supostamente transforma a vida das pessoas para melhor. Lá ela conhece Tony (Bobby Cannavale), Lars (Luke Evans), Carmel (Regina Hall), o casal Ben (Melvin Gregg) e Jessica (Samara Weaving, irreconhecível), e a família Marconi: Zoe (Grace Van Patten), Napoleon (Michael Shannon) e Heather (Asher Keddie). Porém, os métodos que Masha (Nicole Kidman) usa para melhorar as pessoas são um bocado controversos, e o que era para ser um retiro espiritual de reencontro consigo mesmo aos poucos vai se tornando o pior pesadelo desses ‘Nove Desconhecidos’.



Baseado no livro homônimo de Liane Moriarty, a série chama atenção pelo elenco de peso, encabeçada pela ótima Melissa McCarthy, cuja personagem desperta piedade no espectador. Nicole Kidman, por sua vez, embora bem no papel, não traz nada que não já tenha apresentado em papéis anteriores, construindo sua personagem através do olhar arregalado ou pela ausência de emoções a uma líder espiritual cheia de mistérios.

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O que prende a gente em ‘Nove Desconhecidos’ é querer saber como se desenrolará a trama do roteiro de John-Henry Butterworth e David E. Kelley. De início, tanto o espectador quanto os convidados não sabem nada do que está acontecendo, nem sobre o local, nem uns sobre os outros. Em paralelo, o background dos personagens vai se mesclando com a apresentação do local e dos atendentes, balanceando bem a banho maria o avançar do enredo, o que pode insatisfazer os mais impacientes.



Aos poucos as falhas de cada um vão aparecendo, e o motivo por qual cada pessoa foi escolhida por Marsha para estar ali vai se revelando: todos têm profundos problemas pessoais. E esse é o principal motivo que conquista os espectadores da série dirigida por Jonathan Levine: os métodos utilizados por Marsha são quase sádicos. Sua forma de cura é figurativamente colocar o dedo na ferida e fazer as pessoas sofrerem, o que gera desconforto e certo fascínio nos personagens – e também nos espectadores.

Dividido em oito episódios de aproximadamente uma hora cada, os três primeiros entraram disponíveis juntos na plataforma da Amazon Prime, porém, a estratégia do streaming é lançar um episódio por semana às sextas-feiras. Talvez essa não seja a decisão mais acertada, uma vez que a série de suspense se desenrola muito aos pouquinhos. Entretanto, considerando que cada episódio termina com um gancho provocador para o próximo, ‘Nove Desconhecidos’ se configura como um suspense psicológico tentador de ir assistindo.

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