Em 42 anos de saga, Star Wars conseguiu se imortalizar como uma das franquias mais frutíferas, tanto dentro como fora das telonas. Entre um hiato generoso a cada trilogia, a marca se expandiu em livros, quadrinhos, animações e games, que deram sequência na jornada criada pelo visionário George Lucas, à medida que expandiram o universo em subtramas que ganharam vida por si só.

Em se tratando dos cinemas, Star Wars se consolidou como uma produto cultural revolucionário logo em 1977, com a estreia de Uma Nova Esperança. A produção, peculiarmente intitulada como Episódio IV, trazia uma mescla surpreendente de efeitos práticos, uso de stop motion e animatronics que garantiam uma autenticidade e versatilidade em seus personagens, lhes trazendo à vida quase que organicamente.

O passar das décadas e o advento da tecnologia fizeram com que a franquia desse um salto em sua qualidade de produção técnica, mas o uso excessivo da ferramenta também fez com que os episódios I, II e III se tornassem alvos de críticas por sua artificialidade visual.

Dez anos de um hiato desde a estreia de Star Wars: A Vingança dos Sith e J.J. Abrams trouxe a franquia de volta às telonas, prometendo o resgate da essência visual que fez da franquia o sucesso emblemático que é hoje. E com a chegada de A Ascensão Skywalker, que marca o fim da Saga Skywalker, o cineasta retornou à cadeira de diretor, finalizando uma jornada que prometeu se despedir tão grandiosa e ousadamente como chegou nos anos 70.

E em uma entrevista EXCLUSIVA à nossa jornalista Rafa Gomes, o supervisor de Efeitos Visuais do filme, Roger Guyett, comentou a evolução técnica de Star Wars ao longo dos seus 42 anos nos cinemas e o que faz de A Ascensão Skywalker a combinação perfeita entre o trabalho clássico feito no início da saga e a culminação da mais alta qualidade em efeitos visuais já usados na história da franquia.

Essência clássica + novos recursos visuais

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“Uma das coisas na qual trabalhamos realmente duro no Episódio VII e subsequente no capítulo IX, foi essa ideia de que você sentiria que realmente estaria nessa jornada e que estaria nesses lugares, vivendo essas experiências ao lado de toda a audiência. E parte disso é tentar fazer a maior parte da fotografia do filme em locações físicas, para que então – quando estivermos fazendo os efeitos visuais – seja possível mostrar um pouco mais de contenção quando estamos no mundo digital, para que você sinta que o evento que está testemunhando realmente seja passível de acontecer. E parte disso é, obviamente, a forma como você escolhe representar isso para a audiência, independente de você estar usando uma câmera ou tomada que seja mais crível ou quando você desenha esses processos pelo qual viaja. O objetivo é que eles ainda mantenham elementos que sejam familiares para as pessoas”. 

Tecnologia ultra realista 

“Uma das vantagens que temos agora ao final de 2019 versus quando eles iniciaram a franquia é o fato de que a tecnologia digital é muito mais avançada e é capaz de produzir imagens que pareçam realmente foto reais. Então, nós pegamos esse princípio que você descreveu, esse sentimento de que tudo é muito real, e decidimos o que podemos fazer, em quais locações poderíamos ir, o que precisamos filmar para garantir essa sensação de que essas coisas estão acontecendo. Mas no filme há uma quantidade tremenda de tecnologia digital que foi usada, mas ao mesmo tempo fizemos algumas coisas de maneira prática também e você vê isso especialmente nos personagens do filme. Eles são mais como fantoches clássicos, mais como personagens animatrônicos como você deve ter visto nos filmes originais. Então nós estamos realmente respeitando os processos que foram usados nos primeiros longas, mas ao mesmo tempo – obviamente – não tentando esquecer que estamos também usando uma tecnologia que é muito mais avançada”.

Uma General Leia literalmente palpável

“Trazer Leia para às telas consumiu um enorme esforço da nossa parte, para garantir que ela realmente pode se assentar dentro do filme. Nós respeitamos todos os elementos necessários para trazê-la de volta para o filme e isso foi muito desafiador. Houve um uso tremendo de softwares e tecnologia para trazê-la de volta, mas é perceptível o quão autêntico o resultado ficou”.

Um novo conceito em lutas espaciais

“Nós tivemos times diferentes trabalhando no filme, muita gente trabalhou conosco, literalmente milhares de pessoas. Nós tivemos um time trabalhando em Singapura, a empresa Industrial Light & Magic, e Nigel Summer estava encarregado da água e do oceano. Aquela cena de luta entre Ren e Rey foi feita em um planeta onde o oceano era um elemento muito grande no confronto. Nós queríamos trazer uma personalidade e drama para o oceano, mas obviamente você nunca consegue filmar algo desse porte, então foi aí que decidimos usar a tecnologia digital e o realismo que eles são capazes de atingir. Nós fizemos muito disso, mas ao mesmo tempo há muito efeitos especiais práticos também. Vez outra os pobre atores Adam Driver e Daisy Ridley eram cobertos de água. Jogávamos muita água neles e se não me engano gravamos essa cena em Londres – acho que foi no mês de outubro ou novembro, então estava absolutamente congelando! E mesmo nessas condições eles fizeram um trabalho incrível, principalmente a Daisy, com seus braços descobertos. Nós todos estávamos cobertos da cabeça aos pés com jaquetas gigantes e bem agasalhados, enquanto ela se digladiava com o Ren. Ela realmente teve que usar um pouco da ‘mágica’ de Jedi para fazer isso! Mas eu acho que essa sequência ficou espetacular e bem dramática”.

O importante envolvimento de J.J. Abrams

“Eu acho que o J.J. Abrams, de muitos dos diretores com os quais já trabalhei, possui um enorme entendimento do trabalho que fazemos e, claro, quer incorporar tudo o que fazemos dentro do filme. Nós fizemos algo em torno de duas mil tomadas para o longa, então muito do trabalho que desenvolvemos é uma parte tão essencial para a narrativa em si, que ele tem que estar envolvido no processo e ele quer estar. Tivemos muitas reuniões, fazíamos revisões pelo menos duas vezes por semana, onde conversamos por horas sobre o trabalho que estávamos desenvolvendo e isso seguiu, é claro, até a pós-produção. Então assim que terminamos de fazer a fotografia, entramos nessa etapa e tentamos fazer todo o trabalho que é necessário para o filme. Mas é claro que você precisa editar a produção. Mas fizemos muitos testes durante a pré-produção e até mesmo um pouco mais de trabalho, enquanto o filme estava sendo rodado, justamente porque a nossa parte de pós-produção foi bem comprimida – até porque as filmagens se encerraram entre o final de fevereiro e início de março, então creio que tivemos cerca de nove ou 10 meses para finalizar o filme todo. Então não tivemos muito tempo para fazer toda essa quantidade de trabalho, por isso precisamos de muita gente. E em todo esse processo, o envolvimento de J.J. foi essencial para que chegássemos ao resultado que os fãs viram no filme”.

Assista nossa crítica:

O grandioso elenco conta com Daisy RidleyAdam DriverJohn BoyegaOscar Isaac, Lupita Nyong’o, Domhnall GleesonKelly Marie TranJoonas SuotamoBillie LoudNaomi AckieRichard E. GrantKery Russell e os veteranos Mark Hamill e Billy Dee Williams.

Carrie Fisher também aparecerá como a General Leia Organa através do uso de imagens nunca antes divulgadas de ‘O Despertar da Força‘.

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