A turnê mundial de divulgação de ‘Wicked: Parte 2‘ não passou despercebida — e não apenas pelo peso do nome ou pela expectativa em torno do desfecho da história de Glinda e Elphaba. O que realmente movimentou as redes e a imprensa é a dinâmica entre suas protagonistas, Ariana Grande e Cynthia Erivo, que transformaram cada aparição em um misto de emoção, afeto e, claro, controvérsia.
A química das duas, presente desde as filmagens, se converteu em um pacto de cuidado durante a turnê. Ariana chegou a explicar publicamente o motivo de tantas mãos dadas, toques de apoio e olhares carinhosos que chamaram atenção durante as entrevistas: segundo ela, as duas fazem “check-ins constantes” para manter o equilíbrio em meio ao ritmo caótico de divulgação, canalizando energia uma pela outra — inclusive de forma física, pelas mãos.
“Eu faço isso, eu sou muito… canalizo muito energia em minhas mãos”, explica Ariana. “Eu estou sempre segurando a mão, ou estou apertando algo, procurando algo para tocar… É frequentemente sobre com quem estou e é tipo um canal de suporte”, falou ao podcast “Good Hand”, de Amy Poehler.
O diretor Jon M. Chu corrobora essa visão ao afirmar que a relação entre as atrizes poderia facilmente ter descambado para rivalidade — afinal, são duas vozes gigantes interpretando personagens icônicas — mas que, pelo contrário, elas acabaram formando quase uma “família” durante o processo. Ele mesmo admitiu que “elas poderiam ter se odiado”, mas terminaram profundamente conectadas.
Não surpreende, então, que a vulnerabilidade das duas tenha se tornado parte essencial da narrativa da divulgação. Em um vídeo dos bastidores divulgado pela CNN, Ariana e Cynthia falam sobre a carga emocional do filme — especialmente sobre dor, perdão e maturidade — temas que parecem ter ecoado também na vida real. Erivo contou que uma das cenas mais difíceis e emotivas foi justamente a sequência de ‘Wicked – Parte 2‘, onde o peso da despedida ganhou contornos ainda mais intensos nos bastidores.
Mas essa intensidade também atraiu olhares críticos. Parte da internet passou a enxergar certos momentos das entrevistas como excessivamente performáticos. A entrevista em que ambas discutem “auras” uma da outra virou meme, com usuários afirmando que tudo soava “ensaiado demais” — uma repercussão que ganhou espaço em veículos internacionais.
Outros episódios aumentaram a temperatura em torno da turnê. Rumores de disparidade salarial circularam por semanas, até o estúdio negar oficialmente que Ariana teria ganhado mais do que Cynthia — um boato que ganhou força online antes mesmo de qualquer confirmação.
As críticas não se limitaram às entrevistas: até materiais promocionais feitos por fãs entraram no olho do furacão. Cynthia se mostrou incomodada com pôsteres editados com IA que obscureciam seus olhos, dizendo-se ofendida pela forma como isso “a apagava”. Ariana, por sua vez, respondeu de forma conciliadora, pedindo respeito e lembrando que a cultura da edição exagerada pode desumanizar artistas.
E como se não bastasse o desgaste emocional, a turnê também teve seus sustos e tensões reais — e uma das mais amplamente debatidas envolveu o cancelamento da vinda de Ariana ao Brasil para a pré-estreia. A cantora, que interpreta Glinda, usou os Stories do Instagram para explicar que seu voo precisou fazer manutenção por questões de segurança, o que a impediu de chegar a tempo para o evento em São Paulo. Segundo ela, toda a equipe buscou alternativas — voos noturnos, conexões, opções privadas —, mas nada era viável, o que a deixou “com o coração partido”.
A notícia caiu como uma ducha fria para muitos fãs. Nas redes sociais brasileiras, surgiram críticas duras. Alguns internautas acusaram Ariana e sua equipe de desorganização ou de tratar o público latino-americano como menos prioritário.
Já na pré-estreia de Singapura, um fã invadiu o tapete vermelho e agarrou Ariana Grande. Cynthia interveio imediatamente, afastando o agressor até a chegada dos seguranças — um momento tenso que rapidamente viralizou.
Apesar das turbulências, a recepção do público não tem sido apenas negativa. Muitos fãs defendem a sinceridade das duas, argumentando que, após anos de divulgação de blockbusters marcada pela neutralidade robótica de celebridades, ver artistas vulneráveis, chorando, rindo e apoiando-se mutuamente é um refresco bem-vindo. Outros ressaltam que Ariana e Cynthia parecem carregar para fora das telas o mesmo arco emocional das personagens, reforçando a mensagem central da história: a importância do perdão e da amizade.
Ao final, a junket de ‘Wicked: Parte 2‘ se transformou em algo maior do que uma simples rodada de entrevistas. Tornou-se um retrato — às vezes terno, às vezes desconfortável — de duas artistas tentando preservar sua humanidade enquanto carregam, juntas, um dos filmes mais aguardados dos últimos anos. E, de certa forma, talvez essa autenticidade — mesmo quando imperfeita — seja justamente o que está fazendo a divulgação repercutir tanto quanto o próprio filme.
Prova disso é que o Deadline revelou que a sequência deve abrir em torno de US$ 200 milhões nas bilheterias mundiais.
Projeções indicam que o longa deve arrecadar entre US$ 125-150 milhões em sua estreia nos EUA. Internacionalmente, a produção deve somar cerca de US$ 70 milhões através de 78 mercados.
A expectativa é que a continuação supere a abertura global do primeiro filme, tornando-se a maior estreia da história para um longa baseado em um musical da Broadway.
=’Wicked: Parte 2‘ alcançou 72% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes. De modo geral, os especialistas elogiaram os visuais do filme, chamando-o de “esplêndido”. Apesar de considerarem a segunda parte tão boa quanto o primeiro e uma adaptação incrível, muitos ainda a veem como um pouco inferior ao longa original.
Confira as reações e siga o CinePOP no YouTube:
“Os efeitos visuais são de primeira linha. Assim como toda essa esplêndida e cinematográfica adaptação musical que, se você somar os tempos de duração dos dois filmes, fica apenas dois minutos abaixo de cinco(!) horas. Para ser honesto, eu queria mais”, afirmou Pete Hammond do Deadline.
“O filme corrige uma queixa comum do espetáculo, dando à dupla mais cenas (e músicas) juntas nesse trecho final, que agora soa como uma história robusta por si só”, disse Peter Debruge do Variety.
“Ariana Grande a preenche com tanta emoção que humaniza e enriquece a personagem e, por extensão, o filme inteiro”, disse David Rooney do The Hollywood Reporter.
“Se você gostou do que Wicked fez com o material, Wicked: Parte 2 é exatamente o que você estava esperando. Toda a empolgação que ficou ali, no fundo da sua mente, volta com tudo no momento em que o primeiro número musical começa”, disse Alex Harrison do Screen Rant.
“As coisas que não funcionaram da primeira vez, bem, elas ainda não funcionam. As coisas que deram certo em Wicked? Elas ainda dão, só que um tantinho melhor”, disse Kate Erbland do IndieWire.
“Wicked: Parte 2 não é apenas uma adaptação fiel, mas também desenvolve o que funcionou no primeiro filme enquanto se apoia nas atuações principais. Os personagens são mais maduros e complexos, tornando-o um sucessor digno do primeiro filme”, disse Therese Lacson do Collider.
“Uma Parte Dois bem mais sombria e emocional, que culmina em uma conclusão incrivelmente catártica, embora não seja tão cativante quanto sua predecessora”, disse Molly Edwards do GamesRadar+.
“Ainda assim, a sensação de uma obra que, na tradução de um meio para outro, deixa de desafiar a gravidade e meio que despenca de modo brusco de volta à terra firme não é algo fácil de dissipar”, disse David Fear do Rolling Stone.
Crítica | ‘Wicked: Parte II’ é uma épica conclusão para o maior evento musical do século | CinePOP
A continuação chega aos cinemas também na versão dublada, com as vozes das atrizes Myra Ruiz (Elphaba) e Fabi Bang (Glinda).
O longa é dirigido pelo premiado cineasta Jon M. Chu e conta ainda com a participação da vencedora do Oscar Michelle Yeoh, Jonathan Bailey e Jeff Goldblum, entre outros no elenco.

