Amado e dono de um legado inestimável, Chadwick Boseman se despediu deste mundo, vítima de um câncer no cólon. Famoso por representar grandes ícones da cultura black americana, o ator ficou eternizado ao dar vida ao Rei de Wakanda, que também era o super-herói Pantera Negra. O mundo chora sua morte com a sensação angustiante de perda. Isso se explica pelo ícone cultural que este homem se tornou e mostra que, por meio de sua arte, ele conseguiu dar voz e orgulho para o povo negro ao redor do mundo. Como forma de homenagem, reunimos fãs negros do ator para contarem como o trabalho de Chadwick Boseman influenciou e o que ele significa para eles.

“É difícil dizer adeus a alguém, ainda mais quando se tem muitos planos pela frente e uma legião a lhe admirar. É assim que a partida de Chadwick Boseman é sentida por todos aqueles que acompanharam a sua ascensão em Hollywood e o poder da sua representatividade para milhões de jovens dessa geração ao dar vida a um honrado rei e guerreiro negro. A notícia de sua morte é um choque que atordoa todas as pessoas, como eu, que esperavam revê-lo em mais uma aventura no cinema e a estampar outdoors. A arte é capaz de fazer um indivíduo do outro lado do hemisfério ganhar uma importância extraordinária em nossas vidas. O desempenho do ator tornou-se espelho de admiração. Estraçalhá-lo antes do tempo é trágico e, neste momento, insubstituível no nosso imaginário” – Leticia Alasse, repórter do CinePOP.



“A arte é capaz de fazer um indivíduo do outro lado do hemisfério ganhar uma importância extraordinária em nossas vidas”

 

“O impacto do desenlace de Chadwick é muito grande, mas não é maior do que a relevância que ele deixa para a causa negra no cinema. Hollywood infelizmente se acostumou a relegar os negros a certos papéis e a ver a cultura africana como algo rude. Pantera Negra nada contra essa difícil maré, e mostra que o negro também está entre os maiores heróis da terra; mostra que a pessoa de cor preta influencia meninos e meninas em todo o mundo a serem heróis, tendo exatamente a sua aparência. A minha sobrinha reconhece o Pantera Negra e gosta dele. Como medir esse valor? O mesmo mundo em que a pessoa com essa etnia é constante e convenientemente ignorada. Chadwick é o bastião dessa causa, e sua imagem e semelhança são, para sempre, um forte escudo a ser apontado contra os inimigos da igualdade e da fraternidade. Yibambe!

Aproveite para assistir:



Sam Wilson se comunica com o Capitão América e avisa que está chegando à sua esquerda, em Vingadores: Ultimato. Você se lembra de quem foi o primeiro a chegar no campo da batalha final contra Thanos? Pois é. Esse é o seu tamanho. Luz, que é luz, ilumina; e por causa de Chad, os negros agora brilham. Descanse em paz. Wakanda Forever!” – Gleibson “Slip” Simões, colunista e administrador do site O Mestre da HQ.

“Chadwick é o bastião dessa causa, e sua imagem e semelhança são, para sempre, um forte escudo a ser apontado contra os inimigos da igualdade e da fraternidade. Yibambe!”

 

“O filme Pantera Negra mudou minha vida em vários aspectos. Eu lembro desde a pré-produção, a organização e o anúncio do filme. E a gente saber que ia ser um filme feito com elenco majoritariamente negro, com direção negra, com produção negra… Atores que a gente já amava, como o Michael B. Jordan, a Lupita Nyong’o, Danai Gurira e os novos atores, como o Chadwick Boseman, que a gente ainda não conhecia muito o trabalho, mas que todo mundo já tinha amado ele em Guerra Civil. O impacto que esse filme teve na vida de pessoas negras que se envolveram. Eu, enquanto uma pessoa que tinha um site de cultura pop e era envolvido com isso, foi muito forte, foi muito importante pra mim. Eu lembro que fui convidado pela Disney para assistir ao filme com um coletivo de mulheres negras, em São Paulo, e levaram várias crianças das comunidades pra assistir ao filme. Eu já tinha assistido ao filme duas vezes, né? E eu lembro que nessa sessão, em específico, eu me emocionei muito, porque pude ver várias crianças se sentindo representadas pelo filme, pela força, por tudo que o filme representava. Tanto se sentindo representadas pelo Killmonger falando em ‘Ah, ele é mais f*d*’ quanto se sentiam representadas pelo Pantera Negra, pela atuação do Chadwick Boseman. Eu lembro que um dos meninos falou assim: ‘Ah, mas eu prefiro o Pantera porque ele é mais classudo’. Enfim, algo que as pessoas brancas já estão acostumadas a ter, mas que a juventude negra não tinha tanto isso. Tinha pequenos fragmentos em alguns outros filmes e animações, mas não tinha em grande escala, como ‘Pantera Negra’ foi. E a importância disso, o tamanho que isso tem… Isso refletiu na forma como a gente se conectou com o Chadwick Boseman, né? Nesses últimos quatros anos, ele se envolveu com caridade, visitou crianças com câncer, os outros filmes que ele fez – o último que assisti foi o ‘Destacamento Blood‘ -, em que o personagem dele tava morto. Agora, se eu for re-assistir esse filme, vai ter uma nova carga. Mas, eu lembro que, quando fui assistir ao filme e ele apareceu, eu fiquei: ‘Olha o Pantera Negra, que legal’. Porque fidelizou como personagem. O cara representou demais e foi uma coisa muito importante. A gente não pode diminuir o impacto da representatividade desse filme, não só nas telas, mas por trás delas também. Tudo o que aconteceu, todo o trabalho que ele veio fazendo enquanto lutava contra um câncer que ninguém sabia, né? E mesmo assim fazendo filme, sendo esse símbolo de representatividade, com discursos poderosíssimos – como o discurso dele no SAG Awards. Enfim, o Chadwick Boseman foi uma pessoa que sempre impunha muito respeito e era um símbolo de representatividade muito forte. Então eu sinto como se fosse um parente, como se fosse uma pessoa que eu conheça. E a importância dele e de Pantera Negra é indescritível” – Levi Kaique, colunista do site Mundo Negro, digital influencer e palestrante.



Levi tatuou, no idioma do filme, a palavra “Yibambe”, que significa “Manter-se firme”, em Xhosa.

 

“Lembro que na 1ª vez que vi Pantera Negra, eu saí da sessão chorando. Chorando de emoção, de felicidade. Creio que todos, todos os nossos irmãos e irmãs sentiram algo parecido. Um mix de emoções, uma deslumbrante euforia. Mas o que mais me impactou, é que eu não tinha mais medo ou vergonha de ser quem eu sou. Não tinha mais vergonha das minhas raízes, de poder celebrar e adorar uma cultura tão linda e rica como a minha. Eu saí de lá com forças pra enfrentar tudo que a sociedade sempre impôs como errado, sujo.

Nesse mesmo dia, Martin Luther King dizia: ‘Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão  julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho que um dia o estado do Alabama, com seus racistas cruéis, cujo governador cospe palavras de interposição e anulação, um dia bem lá no Alabama meninos negros e meninas negras possam dar-se as mãos com meninos brancos e meninas brancas, como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje’.

Passamos por um momento tão frustrante e sufocante, em que diariamente perdemos irmãs e irmãos, por conta de um pensamento tão desumano quanto bárbaro. Sua voz e todas as outras não serão em vão.

Obrigado por interpretar um personagem tão icônico e tão representativo. Obrigado por nos ajudar a termos mais orgulho de quem somos.



É com os olhos cheios de lágrimas, que digo: Descanse em paz, Rei” – Gustavo Martins, assistente de atendimento e estudante de Publicidade e Propaganda.

“Passamos por um momento tão frustrante e sufocante, em que diariamente perdemos irmãs e irmãos, por conta de um pensamento tão desumano quanto bárbaro. Sua voz e todas as outras não serão em vão”.

 

“Depois de tanto tempo esperando por algo que representasse os negros/pretos, a Marvel conseguiu atender nosso pedido. O tanto de criança negra que mal sabia que existia um herói preto nos quadrinhos e viu Chadwick Boseman como Pantera Negra nos cinemas não está – literalmente – no gibi. Foi uma coisa linda. Eu ficava muito orgulhoso quando via as crianças gritando na rua e saindo nas salas do cinema: ‘Wakanda Forever!‘. Muitos viram que negros podiam ser heróis, sim, não era mais só coisa de branco. A morte do Sr. Boseman não foi só um tiro em nossos peitos, foi uma amostra forçada para que aceitemos que nossos heróis também se partem. Mas, com toda certeza, ele deixa um legado. O problema é que vivemos atualmente um momento tão complicado, com mortes e mais mortes por conta da cor de nossa pele. Seres humanos que enfrentam todos os dias olhares preconceituosos e xingamentos apenas por serem quem são; sem dizerem nada, e já são julgados.

Primeiro foi a perda de Kobe Bryant, para mim, um ídolo desde pequeno; Depois foram/ são os inúmeros atentados aos nossos irmãos. João Pedro, George Floyd e muitos outros que se foram SEM CULPA alguma! E enfim, chegamos ao nosso herói, Chadwick Boseman. Ele pode ter sido um herói por representar inúmeras pessoas que tanto se machucam por serem negros. Entretanto, com toda certeza, ele foi mais que um super-herói para sua família por tudo que enfrentou com essa terrível doença. Já perdi minha amiga muito cedo por isso, e me dói mais uma vez ver isso acontecendo com uma pessoa que nunca conversei, mas me sentia próximo ‘apenas’ por ser o Pantera Negra” –  Volney Tolentino, fundador do site Cebola Verde.



“A morte do Sr. Boseman não foi só um tiro em nossos peitos, foi uma amostra forçada para que aceitemos que nossos heróis também se partem”.

 

“Querido T’Challa,

Eu vou precisar ser breve porque meu prazo é tão curto quanto foi sua vida. Eu sou artista e dentre os caminhos da minha carreira eu adoraria ter te encontrado em cena. Imagina ter o meu eterno rei de Wakanda contracenando comigo?! Seria inefável! Mas esse encontro infelizmente vai ficar pro Orún.

Eu costumo dizer para o meu amor que ele é meu Wakanda, meu lar. Foi assim que você me fez sentir quando estrelou naquele filme, em casa. Você também me ensinou a me esforçar para enxergar o mundo com os olhos do outro, quando não desistiu do Killmonger e abriu sua terra para todos os pretos ‘perdidos’ pelo mundo. Eu ainda não consegui processar sua partida, não derramei uma lágrima, só estou em choque, parece que não é real!Mas de todo o ‘chororô’ que eu poderia ter, ou terei né, e todas as coisas que eu poderia te dizer, que caberiam em várias cartas, posso resumir em uma palavra: GRATIDÃO!



Você vai fazer muita falta e isso é eterno, mas nós, seus súditos, seremos eternamente gratos por tudo, levaremos pra sempre em nossos corações a lembrança da esperança que você nos deu, e isso também é eterno. Esperança, força, Mãe África, persistência! Você nos lembrou que essas palavras ainda fazem parte do nosso vocabulário, e nos ensinou que elas sempre serão nosso alicerce.

Muito obrigada por ter existido! Que minha mãe Yansã te guie, e que Olorum te receba de braços abertos no Orún. Axé, e até breve, Chad!” – Naíma Alli, artista.

“Todas as coisas que eu poderia te dizer, que caberiam em várias cartas, posso resumir em uma palavra: GRATIDÃO!”.

 

“É até difícil falar, mas vamos lá. Chadwick Boseman mudou minha vida, Wakanda mudou minha vida. Eu ainda tenho um grande caminho a percorrer, mas Chad foi o ponto de partida que, antes de conhecer o seu trabalho, eu não tinha. Se hoje eu procuro ser uma pessoa melhor, se hoje tenho orgulho de ser negro, se hoje luto contra o racismo, se hoje choro pela morte do Rei, foi por causa do Chadwick Boseman. A morte não é o fim, mas um ponto de partida” – Edi Rezende,fundador e sócio proprietário do site Cabana do Leitor.

Chadwick Boseman mudou minha vida, Wakanda mudou minha vida”.

 


“Eu já conhecia o Pantera Negra, mas meu herói favorito sempre foi o Homem-Aranha. Então, em 2016, saiu ‘Capitão América: Guerra Civil‘ e pude ver esses dois personagens juntos e ao lado de outros que já gostava. Confesso que a aparição de Chadwick Boseman me surpreendeu e fiquei mais empolgado ainda para ver o filme solo do rei de Wakanda.

Ele, Ryan Coogler, Michael B. Jordan, Danai Gurira e Lupita Nyong’o me deram o que eu nunca tive: um blockbuster de herói repleto de representatividade e com pessoas da minha cor. Desde então então o termo #WakandaForever passou a ser usado como um grito de força. Todos eles e, principalmente, Boseman, por ser o protagonista, fizeram história e estarão para sempre na história.

#WakandaForever” – Alan Ramirez, sócio-proprietário da marca de roupas Safra e estagiário de produção nos canais Fox Sports.

“Ele, Ryan Coogler, Michael B. Jordan, Danai Gurira e Lupita Nyong’o me deram o que eu nunca tive: um blockbuster de herói repleto de representatividade e com pessoas da minha cor”.

 

“‘Crime, futebol ou música. (…) Eu não consigo fugir disso aí’, lamentava um jovem Mano Brown em ‘Negro Drama’, clássico dos Racionais MC’s gravado em 2002. Na canção, dele e de Edi Rock, os pretos mais perigosos do Brasil denunciavam um país racista que nega chances e sonhos a pessoas pretas. Um lugar que insistia em ser um não-lugar, onde crianças brancas que querem ser astronautas encontram guarida, e crianças pretas que sonham ter uma profissão são ridicularizadas. A negritude brasileira começa a morrer quando seus sonhos, por mais utópicos que sejam, são pisados ao nascer. Como sonhar em sermos heróis se não tínhamos heróis como nós, com nossa cor, com nosso cabelo?

Chadwick Aaron Boseman (1976-2020) nos libertou desse destino. Ao nascer na Carolina do Sul, um dos territórios mais racistas dos Estados Unidos, foi herói desde cedo. No início da carreira, foi morar no Brooklyn e trabalhou no Harlem, bairros com forte presença negra em suas ruas e culturas. Bebeu de fontes racializadas para se definir como o herói negro que o mundo conheceu. Foi ator, diretor e roteirista.

E nada disso consegue dimensionar o que de fato Boseman foi para crianças e adultos pretos em todo o mundo. Com seu T’Challa, o eterno rei de Wakanda que em segredo virava o Pantera Negra, ensinou a adultos que heróis podem chegar tarde, mas chegam; e para crianças, uma lição ainda maior, a de que pretinhos e pretinhas podem ser o que quiserem, desde que queiram – e que violências diversas, praticadas por policiais ou não, não nos matem na travessia.

Ver Boseman atuar sempre foi a certeza de que podemos e ponto, seja o que for, porque a classe e a elegância com a qual dava vida a heróis reais eram únicas no mundo. Em 2013, no filme ‘42‘, o ator deu vida a Jackie Robinson, o primeiro jogador de beisebol negro da principal liga estadunidense, morto em 1972; no ano seguinte,  em ‘Get On Up‘, fez James Brown, o artista mítico que balançou o mundo com sua música preta; em 2017, estrelou ‘Marshall‘ com o papel de Thurgood Marshall, que em 1967 se tornou o primeiro juiz negro da Suprema Corte dos Estados Unidos. Poderia ser ainda mais: ‘Yasuke‘, filme anunciado em 2019 que contaria a história do personagem-título, que viveu no século XVI e é o único samurai conhecido de origem africana, o teria como protagonista. Todos heróis reais, que sob o talento de Boseman se tornaram ainda maiores.

Chadwick Boseman, que morreu aos 43 anos, em casa e junto à sua família, sempre entendeu a grandeza daquilo que passou a vida representando: grandes ícones raciais daqui, de lá e do mundo inteiro. Boseman, ele mesmo, se tornou mais um. Se foi jovem, vítima de um câncer no cólon descoberto em 2016 e que fez parte de sua trajetória durante todo o auge de uma carreira tão brilhante quanto eterna. Que a volta para casa de um herói como ele tenha o conforto e o amor que foi semeado com a sua arte. Wakanda forever, Chadwick também” – Marcelo David Macedo, jornalista.

“Com seu T’Challa, o eterno rei de Wakanda que em segredo virava o Pantera Negra, ensinou a adultos que heróis podem chegar tarde, mas chegam”.

 

Vá em paz, Chadwick Boseman! Você será eternamente lembrado.

Comentários

Não deixe de assistir:

SE INSCREVA NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE