Em setembro, a franquia Velozes e Furiosos completa 20 anos de vida. Lançada como uma aventura sobre rachas de carros tunados e com influência de filmes policiais, a saga acabou sofrendo mutações ao longo do tempo, mas conquistou mesmo o público quando assumiu de vez essa pegada de filme de assalto. Essa entrada no gênero se consolidou há exatos 10 anos, quando chegou aos cinemas Velozes e Furiosos 5: Operação Rio, um longa ambientado na Cidade Maravilhosa, que foi responsável por mudar de vez os rumos de Dominic Toretto (Vin Diesel) e seus amigos nos cinemas, e acabou retratando uma essência de Brasil que parece estar longe de voltar.

A começar pelo contexto em que o filme foi gravado. Na época, o Rio de Janeiro entrava de vez nos noticiários internacionais porque se preparava para receber a Rio+20, a Copa do Mundo FIFA de 2014 e também a Olimpíada Rio 2016. Por conta dessa sequência de eventos, a cidade começou uma série de projetos de reforma urbana e tentativas de pacificação que modificariam de vez a dinâmica do Rio, marcando uma época única para quem pode vivenciá-la. Mais do que isso, eram tempos esperançosos, porque o Rio e o Brasil num geral contavam com vários investimentos nacionais e estrangeiros. O país era bem visto no cenário internacional e o povo estava cada dia mais próximo de deixar o mapa da fome. Era como se, naquela virada de década, o país deixasse de se tornar o “País do Futuro”, termo cunhado há 70 anos, e enfim se tornasse o “País do Presente”. Era uma clima esperançoso e diferenciado de estar com os olhos do mundo voltados para cá.

Todos esses eventos aconteceram em menos de uma década na Cidade Maravilhosa

Fora isso, foi a última vez em que os quatro grandes clubes de futebol do Rio emplacaram uma sequência histórica de títulos. Teve o Flamengo campeão Brasileiro em 2009 com atuações de gala do sérvio Petkovic, o Botafogo campeão Carioca de 2010 na histórica cobrança de pênaltis em que o uruguaio Loco Abreu venceu o Flamengo do goleiro Bruno com a famosa cavadinha, o Fluminense bicampeão Brasileiro em 2010 e 2012 com o artilheiro Fred firmando seu status de ídolo tricolor, e o Trem Bala da Colina do Vasco da Gama, que conquistou a Copa do Brasil  e chegou em segundo no Brasileirão de 2011 com Juninho Pernambucano, Felipe, Diego Souza e Cia. Era um clima de otimismo geral no esporte do Rio de Janeiro.



A última grande sequência dos times do Rio foi há quase uma década. Depois, a crise se instaurou nos quatro, mas apenas o Flamengo conseguiu se organizar e resolver as finanças.

Nessa época, inclusive, as diretorias de Vasco e Flamengo disputavam nos bastidores quem entregava mais camisas de presentes aos famosos internacionais que vinham se encantar pela cidade. E o elenco de Velozes e Furiosos não escapou. Enquanto The Rock, o estreante da saga, posou para uma foto com a camisa do Rubro-Negro da Gávea, o protagonista da franquia, Vin Diesel, desfilou por aí com sua camisa branca do Gigante da Colina. Parece impensável nos dias de hoje, né? Mas isso foi bem comum na década passada.

Ações das diretorias visavam expor as marcas internacionalmente e dar lembranças legais para os craques das telonas.

Nos cinemas, o Rio também era protagonista, como algumas das maiores produções de Hollywood escolhendo a cidade como locação para seus projetos. Dentre elas, destacam-se O Incrível Hulk (2008), Os Mercenários (2009), a animação indicada ao Oscar, Rio (2011) e, claro, o aniversariante do dia: Velozes e Furiosos 5: Operação Rio (2011). E o legal dessas produções é que elas retratam um Rio de Janeiro pré-reformas. No assalto da família Toretto mesmo é possível ver pontos que não existem mais, como a Perimetral, a Cinelândia sem o VLT e um Porto Maravilha quase abandonado.

Alguns dos maiores sucessos da época se passaram no Rio de Janeiro.

Então, nessa atmosfera esperançosa e positiva, a trama de Velozes e Furiosos 5 chegou com tudo para aproveitar as paisagens incríveis do cartão-postal do Brasil e contar uma história divertidíssima sobre o roubo do cofre de um dos chefões do crime sul-americano. Claro que há momentos muito aleatórios, como o assalto a um trem expresso que atravessa o deserto brasileiro que é muito parecido com o Arizona. A cena não acrescenta em muito, até porque nem o trem nem o deserto existem de verdade, mas rendeu uma sequência de ação interessantíssima. E é interessante ver como eles trazem uma trama política que lembra de longe o que foi retratado em Tropa de Elite 2, sem contar cenas que tentam replicar o subgênero “Favela Movie”.

O grande vilão da trama, inclusive, lembra muito um dos ex-governadores presos da Cidade Maravilhosa

A trilha sonora também é outro ponto que merece destaque. Eles aproveitam alguns hits latinos, valorizando bastante o rap, além de trazer grandes nomes do cenário musical nacional, como Marcelo D2, MV Bill e Carlinhos Brown. E ainda termina ao som de Danza Kuduro, um hit internacional que ganhou várias versões no Brasil e acabou marcando a época, mais ou menos como foi Despacito há alguns anos, e acabou virando meme graças ao encerramento do fenômeno que foi a novela Avenida Brasil. Falando em meme, o filme ainda imortalizou a cena da discussão entre Vin Diesel e The Rock, que termina com Vin chamando seus aliados ali na região da Cidade Nova para peitar o brucutu de cavanhaque enquanto diz: “This is Brazil!”. Não é surpresa que a cena tenha viralizado na internet brasileira pouco tempo depois.



O icônico momento em que Don diz: “Isso é Brasil” virou um meme no país

Também é impossível falar desse filme sem lembrar das caracterizações. Apesar de se chamar “Operação Rio”, a equipe ficou apenas quatro dias na cidade e gravou apenas as cenas estritamente necessárias para representar bem o Rio nas telonas. Também houve um estudo para fazer uma boa caracterização dos personagens e um caminhão de contratos firmados com as empresas locais. Resultado: astros internacionais vestidos de Gari, Policial Militar enquanto tomam Brahma, Antarctica e comem salgadinhos da Piraquê. É muito divertido assistir ao filme e caçar quais as marcas conhecidas que aparecem em cena. Por se tratar de uma produção multimilionária de Hollywood, esses itens parecem estranhos no ninho, o que rende boas risadas.

Antes de ser a Mulher Maravilha, Gal Gadot foi Gari no Rio de Janeiro.

Em questões de trama, o filme é importante porque introduz o agente Luke Hobbs (The Rock), uma das peças-chave da franquia atualmente, neste universo. Ele também aposenta o Vince (Matt Schulze), abrindo espaço para a entrada de novos personagens nesse núcleo familiar de Don. Isso sem contar que o filme deixa todos os membros da “família Toretto” milionários, o que leva cada um a um canto do mundo como ladrões internacionais, dando atenção para o casal Han (Sung Kang) e Gisele (Gadot), que ganhariam uma importância ainda maior no filme seis.

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Fato é que Velozes e Furiosos 5: Operação Rio marcou uma geração e tem em seu grande mérito conseguir capturar aquele espírito otimista que o Brasil e o Rio de Janeiro vivam naquela época. E sua importância na franquia é inquestionável, já que seus eventos influenciam diretamente nos acontecimentos de Velozes e Furiosos 6 e Velozes e Furiosos 7. Goste ou não, o longa conquistou seu espaço no imaginário popular e agora completa uma década de existência.

Velozes e Furiosos 5: Operação Rio está disponível na Netflix

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