Desdobramentos internacionais voltaram a puxar os holofotes para o tema da produção

A decisão recente da Rússia de invadir o território da Ucrânia causou impacto sobre todas as esferas da sociedade. Economicamente, o país invasor se torna cada vez mais excluído do sistema monetário mundial por meio de sanções aplicadas por Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e Japão. Politicamente, seu presidente é acusado de crimes de guerra pelas autoridades ucranianas e a lista de aliados se torna menor a cada dia.

Já no âmbito cultural, a Rússia tem sido privada mais e mais de sediar grandes eventos. Foi o caso da final da UEFA Champions League, que originalmente seria em São Petersburgo e então transferida para Paris, e o cancelamento do GP de Fórmula 1 que seria disputado em solo russo. Todavia, cada vez mais uma produção lançada em 2015 volta a ter relevância.

Por volta de 2015 a Netflix disponibilizou em seu catálogo o documentário Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom, produção dirigida por Evgeny Afineevsky, sobre o Euromaidan. Visto em termos gerais, o termo foi criado para designar aqueles que, dentre a população ucraniana, desejavam uma integração maior do país com a Europa.


Documentário voltou a ganhar força na atualidade.

A ideia do país integrar o bloco continental não é nova, uma vez que o pedido formal de admissão vem sendo preparado para, então, ser apresentado oficialmente em 2024 e assim passar a ser um integrante oficial por volta de 2030. Antes desse planejamento as duas entidades já mantinham relações vantajosas entre si, com um acordo de livre comércio vigorando desde 2008.

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Entretanto, o desejo de oficialmente se tornar parte da União Europeia não foi uma unanimidade na população, e a decisão contrária era encabeçada pelo próprio governo. No ano de 2013, durante o mês de novembro, o então presidente ucraniano Viktor Yanukovych, abertamente alinhado com a Rússia, suspendeu o então acordo de associação entre o bloco e o país do leste europeu.

A decisão gerou um poderoso efeito em cadeia que mobilizou toda a nação, com milhares de pessoas indo às ruas para protestar contra a decisão e pedindo que o já polêmico mandatário desistisse do cargo. Não só isso, mas os protestos também trouxeram à tona diversas acusações de abuso e corrupção perpetradas pelo governo.

A corrupção do governo detonou uma onda de protestos pró-integração com a União Europeia.

Conforme a intensidade das demonstrações aumentaram, tornando as ações verdadeiros atos de combate contra o governo que ficaram conhecidos como Revolução Maidan, Yanukovych foi deposto do cargo bem como toda a sua administração desmantelada. O saldo final foram mais de cem manifestantes e dezoito policiais mortos nos embates.


É na esteira dos acontecimentos que Winter on Fire relata o movimento Euromaidan sob a perspectiva da população que foi às ruas e consequentemente da instabilidade nacional que se abateu a partir disso, se aproveitando de imagens que viralizaram nas redes sociais e noticiários mas também contando com depoimentos de pessoas presentes no acontecido.

O documentário não tenta esconder seu posicionamento relacionado à situação, sendo visivelmente favorável a aproximação da Ucrânia com a União Europeia e extremamente crítico à influência que a Rússia exercia no, até então vigente, governo Yanukovich. Sendo assim, a atual guerra se desenrola pelo país pode ser encarada como um desdobramento do levante Euromaidan que aproximou a Ucrânia do ocidente.

Winter on Fire teve sua estreia programada para ocorrer no festival de Veneza e foi bem recebido. Ele também se tornou uma das primeiras produções com o selo Netflix a conquistar uma indicação ao Oscar, no caso a de melhor documentário longa-metragem. 

 

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