Crítica 2 | Esquadrão Suicida

Crítica 2 | Esquadrão Suicida

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De novo na trave

Calma, segurem as pedras. Esquadrão Suicida não é um filme ruim. Mas está longe, muito longe, de ser um filmaço, ou até mesmo o filme pelo qual todos estavam esperando.

Bom, o que todos estavam esperando? Um filme diferente, afinal trata-se do primeiro do subgênero “super-heróis” protagonizado por seus antagonistas, os vilões. Além disso, as prévias prometiam uma produção insana, alucinadamente cômica, despertando óbvias especulações de que serviria como a resposta da DC para Guardiões da Galáxia (2014).

Esquadrão Suicida - CinePOP2




E você pergunta, quais dos quesitos apresentados acima o resultado final conseguiu entregar? Bem, poucos, infelizmente. Esquadrão Suicida é um filme bem rotineiro, que em momento algum consegue exceder ou transcender sua estrutura básica, e o que recebemos termina abaixo do que o projeto poderia alcançar. É impossível escapar de tal sensação.

Sabe aquela máxima “quem viu o trailer, viu o filme”? Pois bem, Esquadrão Suicida se encaixa perfeitamente, deixando poucas surpresas para aqueles que vieram acompanhando as prévias até aqui. O filme é essencialmente o trailer alongado em duas horas e, em casos assim, o produto fica bem diluído. Outra crítica que o filme vem recebendo o acusa de misturar muitos elementos, personagens e subtramas, o que não é necessariamente um problema desde que cada um destes itens seja bem trabalhado.

Esquadrão Suicida - CinePOP3

O filme começa com os protagonistas já encarcerados, embora nunca defina o tempo em que estão atrás das grades – um dos problemas do roteiro é sua cronologia, dentro do próprio filme e em sua junção com outros filmes deste universo, leia-se Batman Vs. Superman. Ganhamos dois flashbacks, contando um pouco as vidas prévias do Pistoleiro (Will Smith) e da Arlequina (Margot Robbie) – os astros do filme – para depois subirem os créditos com o título estilizado do longa. E aí apresenta-se outro problema, a montagem ou edição. As cenas são boas e bem dirigidas, sua inclusão dentro do todo é incoerente, não fazendo muito sentido, recaindo também no ritmo do filme. A abertura, por exemplo, é mal confeccionada e exibe fragilidade logo na largada.




Esquadrão Suicida - CinePOP4

Os personagens fazem o esperado deles, alguns ganhando mais destaque que outros (e inclusive surpreendendo na escolha, como El Diablo, papel de Jay Hernandez – irreconhecível – um dos personagens chave na trama). No entanto, ao final da projeção alguns destes vilões estarão mais para mocinhos. O ponto alto do filme no quesito se chama… Viola Davis – você achou que eu fosse dizer Margot Robbiené? Robbie está bem, serve de alívio cômico, mas não deixa de ser uma fábrica de one-liners, as chamadas frases de efeito. Os diálogos da moça consistem basicamente nas tiradinhas engraçadas. Já Davis mastiga a tela com uma ameaça mais presente e real do que qualquer membro deste esquadrão de desajustados. A atriz indicada ao Oscar (Dúvida e Histórias Cruzadas) carrega a intensidade dramática e eleva o nível do jogo patamares acima na pele de Amanda Waller, a grande vilã e titereira mestra.

Esquadrão Suicida - CinePOP5

Sem entrar muito em território de spoilers, vale dizer que a grande ameaça do filme deixa a desejar. Uma força maligna e antiga que chega para… você acertou, dominar o mundo. Cabe aos heróis vilões salvarem o dia. E essa é a história de Esquadrão Suicida. Quase nada além disso é feito, deixando prevalecer essa estrutura básica de “protagonistas combatem ameaça de outro mundo”, vista repetidamente. Um ícone instantâneo e neo fenômeno da cultura pop como Arlequina merecia mais, como quem sabe ter sua história contada num filme próprio. Por falar na personagem, uma pergunta deve estar matando-os de curiosidade: como é o Coringa de Jared Leto? Bem, não é. Tanto empenho foi colocado e divulgado na confecção do personagem, e o que pode ser dito é que definitivamente este retrato difere de tudo o que conhecemos, ou talvez esperamos, do infame palhaço criminoso.

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