Crítica | O Conto dos Contos

Crítica | O Conto dos Contos

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Um Conto de Fadas Belo e Perturbador

De vez em quando, a sétima arte nos apresenta obras cujo estilo se aproxima muito de determinados cineastas, e juramos terem sido confeccionadas por tais. Em parte consideradas homenagens, muitas vezes diretores de prestígio “imitam” um visual ou narrativa que foi construído ao longo da carreira de outro companheiro de profissão. Assim, temos Woody Allen se vestindo de Alfred Hitchcock em Match Point – Ponto Final (2005), JJ Abrams homenageando o ídolo Steven Spielberg em Super 8 (2011) e David O. Russell dando uma de Scorsese em Trapaça (2013), por exemplo.

Em O Conto dos Contos é a vez do italiano Matteo Garrone (Gomorra e Reality – A Grande Ilusão) realizar sua melhor impressão do mexicano Guillermo del Toro, conhecido por seus contos de fada macabros e criaturas mil. Na trama, baseada no livro de Giambattista Basile e coescrita pelo próprio Garrone, o cineasta apresenta três histórias, sobre três reinos distintos e seus monarcas, que se entrecruzam ao longo. Neste conto de fadas subversivo, e mais próximo de como eram originalmente tais histórias, o italiano capricha no desconforto, na violência e no grotesco, ainda introduzindo muito conteúdo nas entrelinhas.

O Conto dos Contos - CinePOP2




A primeira subtrama apresenta a mexicana Salma Hayek como a rainha infeliz de John C. Reilly, frustrada por não conseguir dar a luz a um herdeiro. Sua vida já não tem mais sentido. Como última solução, um misterioso homem pode trazer a tão sonhada resposta. Para isso, a regente só precisaria… comer o coração de um monstro marítimo! Então, seu bravo companheiro (Reilly) parte para trazer a especiaria a ser devorada pela futura matriarca – numa das melhores cenas do filme (a estética da coisa funciona por si só). O plano dá certo, porém, a virgem que cozinhou o “prato” também fica grávida de forma simultânea, parindo um gêmeo albino do príncipe em outro ventre. O elo entre os dois não será visto com bons olhos pela rainha.

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Na segunda história, o francês Vincent Cassel dá continuidade à sua persona e fama sedutora no papel de um Rei mulherengo. O sujeito chegado a orgias está em busca de uma nova beldade a quem possa admirar. Após o vislumbre de uma camponesa, com a voz mais doce que seus ouvidos já escutaram, o supremo acredita ter encontrado a futura rainha. No entanto, sua nova pretendente está longe de ser sinônimo de beleza – isto é, até encontrar uma bruxa e ser transformada nas formas de Stacy Martin (Ninfomaníaca – Volume 1).

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No terceiro ato, Toby Jones é o rei viúvo precisando criar a filha, a princesa vivida pela atriz Bebe Cave (a personagem feminina mais forte do filme). Ao encontrar uma pulga e começar a alimentá-la, o rei se depara com uma criatura crescente, chegando ao tamanho de um bezerro. Após sua morte por asfixia, o couro retirado do “pulgão” irá determinar o pretendente adequado para a princesa. Numa perturbadora reviravolta, a jovem termina prometida para um candidato, digamos, bem longe de seus ideais.

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O Conto dos Contos é belíssimo. Seu visual é comparável a pinturas em movimento. Sua parte técnica e tudo o que envolve a direção de arte, figurinos e a fotografia do veterano Peter Suschitzky (The Rocky Horror Picture Show, O Império Contra-Ataca e Senhores do Crime) são dignos de indicações ao Oscar. As atuações comprometidas do elenco também são destaque. Seus contos deturpados servem de analogia para a moral e os costumes sociais, surpreendendo pela relevância e atualidade.

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