Crítica | Unbreakable Kimmy Schmidt – 1ª Temporada

Crítica | Unbreakable Kimmy Schmidt – 1ª Temporada

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Em Maio de 2013, a polícia de Cleveland libertou 4 mulheres, entre elas uma criança de 6 anos, de um longo cativeiro. As mulheres adultas haviam sido confinadas, abusadas e torturadas por 10 anos. Tão complicado quanto imaginar tudo que elas passaram, é imaginar o processo de reconstrução da vida de cada uma.

Dentro desse grupo, uma das mulheres se destacou por ser quem segurou as pontas emocionais da geral, tirando de si mesma uma força e um otimismo que talvez nem ela soubesse que existia, Amanda Berry sempre dizia que nunca ia permitir ninguém quebrasse o espírito daquelas mulheres.

Aproximadamente 5 meses depois disso tudo, a NBC encomendou o roteiro de 13 episódios que trouxessem essa temática. A escolha certeira foi a nossa adorada dupla Tina Fey e Robert Carlock. Próximo da fase de finalização da série, a NBC desistiu do enredo (oi?) e ele acabou sendo apresentado pra Netflix, que abraçou a ideia e lançou ‘Unbreakable Kimmy Schmidt‘ em seu catálogo de originais.




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Pela história lá em cima eu nem preciso situar tanto vocês do que a série se trata, é claro que ela não é totalmente fiel aos acontecimentos reais. No caso estavam em cativeiro apenas mulheres adultas que não eram abusadas fisicamente (eram, claro, mas não no sentido sexual) e que foram capturadas por um maníaco religioso com umas neuras sobre o fim do mundo.

Após libertas – já falando apenas da série – todas voltam para suas vidas, em uma pequena e pacata cidade. Kimmy foi a única que soltou o “não sou obrigada” e resolve arriscar a vida em New York para não carregar o fardo de ser levada de volta a uma cidade pequena onde ela sempre seria lembrada como uma das mulheres que fez parte daquele infeliz episódio.

Representando a mais otimista de todas, Kimmy parte para uma nova vida na cidade grande, cercada de um estilo de vida e de pessoas totalmente diferentes dela. Inocente que só e totalmente deslocada, ela faz de sua filosofia de vida em cativeiro a ferramenta para se manter em pé na sua nova situação. Ou seja, nada vai quebrá-la.




Tirando o aspecto ‘resenha de contra-capa de DVD’, chega a hora de eu começar a colocar meu dedinho pessoal e dizer que a personagem da Kimmy é ótima em muitos pontos, mas às vezes ela me irrita profundamente… Talvez isso tenha uma pontinha de inveja do tipo “meu, ninguém consegue ser feliz, saltitante e otimista desse jeito”, mas às vezes irrita mesmo porque irrita mesmo, algumas situações são o surreal levado ao level hard… Coisas do tipo “ah, roubaram todo meu dinheiro… mas tudo bem, vamos viver e dançar porque tudo se acerta”. Fia, se eu perder 10 centavos hoje eu choro mais que criança tomando vacina!

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Quando a gente não se afeiçoa totalmente com a protagonista, corre alguns riscos. Deus é testemunha de que eu tentei gostar da série, e de que isso começou a acontecer com o passar dos episódios e foi decaindo novamente. Não foi uma série que eu assisti com aqueeeeele gosto. E isso não se dá por eu ser uma pessoa Telecine Cult pra séries, já fiz outras críticas sobre séries que são bem nonsense e que ainda assim me cativaram. Tem coisa que não bate e é simples assim, e isso foge totalmente da nossa compreensão.

Mas eu sempre fui e sempre serei a defensora do “assistam e tirem suas conclusões”, até porque eu fiz uma pesquisa no Google para saber se eu era anormal por não ter me apegado à série e eu já tô procurando ajuda especializada, pois pelo jeito eu sou a única que nutre esse sentimento. Todas as outras críticas que eu li são apenas elogios para tudo na série.

À medida que vai ajeitando a vida, Kimmy arruma alguém com quem dividir um lugarzinho pra morar, um lugar pra trabalhar e vai aumentando destemidamente seu círculo pessoal. Se talvez o excesso de otimismo que ela tenha me aperrenhe às vezes, a forma como ela lida com as relações do cotidiano me fascina. Mesmo tendo sido isolada da sociedade, ela consegue ter uma interação social destemida, ela não perde a confiança nas pessoas e não vira aquele ser amargo, vítima da própria história. Ponto pra ela!

A série em si também não se preocupa nem um pouco em mostrar como as coisas se deram. Pouco se sabe sobre como o cativeiro delas foi descoberto, ou sobre o fuá feito em cima do acontecimento depois disso. Alguns flashbacks vão revelando poucas situações que elas viviam lá dentro, mas eu gosto do fato de que eles tocaram o “bola pra frente” e não se aprofundaram muito na discussão do fanatismo religioso ou neuras assim. Mas é claro que a gente quer saber o que que pega em relação ao cara que deixou elas lá todo aquele tempo, e daí sim eu achei que os últimos episódios trouxeram algo muito raso e um julgamento bem mais ou menos.

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Enfim, é bem legal ir vendo as pessoas que ela vai encontrando pelo caminho, cada um com as suas situações e fragilidades pessoais. Parece que ela ainda tá lá, fechada com pessoas que ela tem que oferecer um suporte, uma ajuda ou um ombro. Ela tem uma natureza altruísta onde ela sente que tem de ser a muleta de todo mundo. Acho que a situação do cativeiro é uma ótima metáfora do como nos fechamos nas nossas próprias emoções. Às vezes temos de nos mostrar firmes quando não estamos e ajudar pessoas que nos procuram quando nem do nosso fardo estamos dando conta. Para algumas pessoas o modo de liberar as emoções é justamente aconselhar as pessoas, até de um modo que elas não conseguem aplicar nas próprias vidas.

A série funciona como um drama e muitos momentos, mas também tem um tom de comédia à lá Fey, que eu adoro! Também são trazidas várias referências da cultura pop e a gente acompanha um conflito de uma pessoa que ficou parada no tempo tendo que se atualizar e tentando entender como é que o mundo tá funcionando. À mesma medida que ela usa expressões que ninguém mais usa, o termo “googlar” é algo totalmente novo pra ela.

E, claro, não tem como não deixar de falar de alguns personagens específicos. Para mim, o Titus é um que rouba a cena. Ele mora sozinho e a Kimmy passa a morar com ele. O cara fez a cena que mais me matou de rir quando vai cantar no velório de um desconhecido e eu fico ruim só de lembrar a vergonha alheia que passei vendo aquilo! Épico! Ele também já tem um grande entrosamento com as produções da Fey, é uma parceria que já tá dando certo faz tempo.

Outra que não pode passar batida é a Lillian, aquela mulher parece um fantasma, surgindo do nada e aparecendo nas situações menos oportunas ever! Só a cara dela já me faz rir. Também temos a Jacqueline, a patroa da Kimmy, que é uma madaminha de primeira que é cheia de complexos pessoais, insegura e auto-depreciativa. Em alguns episódios, a gente tem vontade de abraçar ela e nunca mais largar.

Jacqueline tem uma enteada que também é uma figura, especialista em bater de frente com a Kimmy, naquela famosa relação de “sou eu que pago o seu salário” (mesmo que não seja ela) e vai mostrando várias e outras facetas no decorrer da série. Ela tem uma neura com a Kimmy por sentir que ela esconde algum segredo, e já que ninguém ali sabe que ela era uma daquelas mulheres em cativeiro, ela não está errada. A juventude livre dela em contraste com as situações de vida da Kimmy rendem alguns dos melhores momentos da série.

A série passou meio arrastada, tanto que já tá batendo na porta a segunda temporada, e eu super procrastinei ver a primeira, enquanto um monte de gente tava lá sofrendo horrores pensando em ter que esperar tanto tempo pra ver como a história ia continuar. Mas, acima do meu gosto pessoal, a série tem acertos, principalmente aquela abertura M A R A V I L H O S A que pegou uma tendência da internet pra fazer algo sensacional.

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São poucos e rapidinhos episódios, dá pra fazer temporada de boas, num finzinho de semana mais ocioso, dar umas boas risadas e alcançar pra ver a segunda já que sair. Muito embora ela não tenha batido em cheio com o meu gosto pessoal, eu recomendo que vocês deem uma olhada no piloto e tirem as suas próprias conclusões, já dá pra ter uma boa ideia do contexto da série e da vibe dos personagens.

A série é bem produzida, a fotografia é riquíssima em cores e acho que isso e um jeito lindo de mostrar a alma da Kimmy, o otimismo tudo que paira na áurea dela. O fato de eu ter achado a Kimmy meio irritante as vezes se dá com certeza pelo fato de uma personagem muito bem interpretada. O elenco é todo ótimo e a comédia rápida me agrada muito.

Vamos ver o que a segunda temporada tem pra trazer, algumas coisas ficaram aí pra se desenrolar, e vejo um panorama com uma nova temporada ainda melhor que a primeira. O que foi apresentado até agora leva um 7,0 de boas!

 

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