Tubarões no Cinema

Tubarões no Cinema

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Engraçado como os filmes sobre tubarões passaram por uma evolução desde o lançamento do clássico moderno Tubarão, de Steven Spielberg, que completa 40 anos em junho de 2015.

TUBARÕES, com letra maiúscula porque estes seres ganharam notoriedade no âmbito dos vilões não humanos em narrativas de suspense e terror. Neste especial, selecionamos nove filmes sobre eles.

Nem todos eles são bons. Nem todos eles são dignos de serem contemplados numa lista. Mas eis o aviso: aqui não estamos dando ênfase aos melhores filmes sobre tubarões. Nesta lista, vamos traçar um breve panorama histórico dos filmes deste gênero, como uma espécie de catálogo, e no final de cada filme comentado, uma breve crítica estrutural, analisando a forma e o conteúdo de cada produção.




Preparados para sentir medo? Pois então, vamos nessa!

Tubarões: breves definições biológicas e inserção na cultura popular

De acordo com alguns pesquisadores da área de biologia, toda a mitologia acerca dos tubarões começou a ganhar força com o filme lançado por Steven Spielberg no começo dos anos 70. Essa informação consta no documentário O Mistério dos Tubarões, de Paul Spillenger, lançado em 2003. A produção é da National Geographic e mergulha nas profundezas do mar na área da Austrália para buscar compreender como esses seres vivem, contando, inclusive, com histórias pessoais de medo e horror de muitas pessoas que já passaram por apuros com estas criaturas pré-históricas.

Antes de adentrar no universo cinematográfico dos roteiros que investem nos tubarões como os vilões da história, cabe traçar neste especial outro painel bem breve, com definições e conceitos destes seres carregados de mistérios. Façamos de conta, caros leitores, que esta seja uma pequena extensão das suas aulas de biologia.




Tubarão é um tipo de peixe que vive em profundezas de até 2000 metros. Atualmente, são conhecidas 375 espécies ao redor do planeta. Estes animais se alimentam de outros peixes, plâncton e lulas, sendo que alguns, raras exceções, como o tubarão de água doce e o tubarão cabeça-chata vivem tanto em água doce como água salgada.

Os mais temíveis e ferozes são o tubarão branco, tubarão tigre, tubarão azul e tubarão mako, conhecidos na biologia por encabeçarem a lista da cadeia alimentar marinha.

No que tange aos detalhes históricos, até o século XVI, os tubarões eram conhecidos como “cães marinhos”. Foi com a Expansão marítima europeia, avançando pelos mares que permitiu o achamento e registro das terras americanas, por sinal, que estes seres começaram a ser compreendidos e estudados de maneira mais ampla. Segundo oOxford English Dictionary, a conhecida nomenclatura shark foi batizada por Sir John Hawkins, que em 1569, exibiu um espécime em Londres.

Os tubarões podem viver entre 20 e 30 anos no geral, sendo que algumas espécies, como o inofensivo tubarão-baleia, que só assusta pelo tamanho, pode viver até 100 anos. Com olfato e audição apurada, de acordo com alguns cientistas, estes seres dependem muito pouco da visão. Alguns diretores não fazem sequer uma pesquisa básica na internet para entenderem o modo de viver dos tubarões, entregando filmes que beiram o absurdo, como algumas produções que serão apresentadas neste especial, principalmente no âmbito da velocidade alcançada por estes seres. A velocidade média dos tubarões varia entre 19 e 30km /h. Apenas o tubarão-branco e o tubarão-mako atingem velocidade de 50 km/h em momentos de caça, principalmente quando sentem cheiro de sangue no mar.

A figura do tubarão esteve presente durante muito tempo na cultura popular, através das artes, principalmente nos relatos dos contadores de histórias (literatura oral). Existe o mito sobre os tubarões terem medo dos golfinhos. Esta questão foi investigada no documentário MythBusters, do canal Discovery Channel. Um pedaço de carne de foca foi lançado no mar, com um golfinho mecânico nadando bem próximo. No mesmo local, havia um tubarão branco que não se aproximou da carne até o momento em que o golfinho mecânico foi retirado do mar. Um episódio desses reforça a “lenda urbana” de cunho marítimo, mas ainda não há estudos científicos que comprovem essa questão.

Os tubarões habitam o imaginário popular há séculos. De acordo com alguns estudos,Jonas e a Baleia, a passagem bíblica que narra a história de Jonas, que fica dentro do ventre de uma baleia durante três dias e três noites no mar mediterrâneo, pode ter se referido a um tubarão, não a uma baleia. Esse estudo estampa uma edição da revista National Geographic, publicação que sugere ter sido um tubarão-baleia, uma vez que a versão hebraica usa a palavra tannium, que pode se referir a qualquer animal marinho de grande porte. Na seara das artes, há a pintura Watson e o tubarão, de John Singleton Copley (1778) e as obras literárias O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway e Jaws (Mandíbulas, mas Tubarão, aqui no Brasil), de Peter Benchley.


Tubarões e narrativas cinematográficas

Depois do sucesso de Steven Spielberg com Tubarão, muitos realizadores embarcaram na artimanha de colocar os tubarões como vilões sanguinários em suas histórias. A maioria foram produções fracassadas. Os roteiros eram fracos, os protagonistas ruins, os efeitos especiais deploráveis e o mais interessante para um filme de terror/suspense de baixo orçamento ficava de fora: o poder da sugestão. Todos sabem que às vezes, sugerir é melhor do que mostrar explicitamente. A partir de agora, vamos navegar neste mar de ideias sobre tubarões, buscando entender como estes seres foram abordados no cinema.

01 – Tubarão: um filme de vanguarda (1975)

Clássico moderno absoluto. Estreou nos cinemas em 07 de julho de 1975. Recebe essa alcunha por ser um filme de vanguarda. Tudo que foi produzido depois sobre tubarões assassinos tem base neste filme dirigido por Steven Spielberg. A produção ganha dos seus predecessores porque investe em um bom roteiro.

Na sinopse oficial, somos informados que um terrível ataque a banhistas é o sinal de que a praia da pequena cidade de Amity virou refeitório de um gigantesco tubarão branco, que começa a se alimentar dos turistas. Embora o prefeito queira esconder os fatos da mídia, o xerife local (Roy Scheider) pede ajuda a um ictiologista (Richard Dreyfuss) e a um pescador veterano (Robert Shaw) para caçar o animal. Mas a missão vai ser mais complicada do que eles imaginavam.

O conflito externo é a presença do tubarão. E o conflito interno foca no xerife local, que tem hidrofobia. Como resolver os problemas da cidade se o vilão da história não é um bandido armado, mas um tubarão que habita as profundezas do mar? O poder da sugestão também faz de Tubarão um bom filme. A música tema de John Williams situa o vilão no enredo, mas nem sempre é mostrado, até mesmo por questões ligadas ao orçamento.

Tubarão foi um filme salvo na sala de montagem. Ganhou o Oscar de melhor som, trilha sonora e edição. Devido aos problemas nas filmagens, Spielberg já estava cansado do processo de produção quando a montadora Verna Fields entrou com as suas atividades e transformou um filme fadado ao fracasso em um sucesso mundial de bilheteria e crítica. Era o preâmbulo da fase dos blockbusters. Alguns estudos alegam que na época, as pessoas ficaram com medo de adentrar no mar ou até mesmo nas praias, receosas em relação aos ataques de tubarões.


02 – Do Fundo do Mar: uma aventura bem orquestrada (2000)

Deliciosamente insano. Pervertido e divertido. O enredo: A Dra. Susan McAlester (Saffron Burrows) está fazendo pesquisa com tubarões, pois pretende através deles descobrir a cura para o Mal de Alzheimer. Russell Franklin (Samuel L. Jackson), um empresário e homem de negócios, é o principal patrocinador, pois doou 200 milhões de dólares para o projeto. Quando um tubarão escapa e ataca um barco, a reação de Russell não é boa, mas Susan consegue reverter a situação e ele decide visitar Aquática, uma antiga base no meio do oceano que foi usada para reabastecimento de submarinos e agora foi convertida em um laboratório. Neste local Susan faz alterações genéticas nos tubarões, deixando-os mais inteligentes, pois precisa que os cérebros deles estejam desenvolvidos, pois a partir daí conseguirá as enzimas necessárias para que sua experiência seja bem sucedida. Mas os tubarões se tornam também mais rápidos e não sentem vontade de colaborar, pois anseiam ir para mar aberto e, para piorar a situação, uma terrível tempestade se abate sobre Aquática.
Funciona? Sim. Apesar dos absurdos, a trama é bem orquestrada pelo diretor Renny Harlin, que prefere a aventura, ao invés de levar o filme muito a sério, defeito de outras produções, como a relatada a seguir.

03 – Terror na Água: uma produção de (muito) mau gosto (2011)

Constrangimento total. Inseriu 3D, mas a produção é um lixo. Sara (Sara Paxton) resolve retornar para sua casa de verão depois de três anos sem ir ao local e leva um grupo de amigos para curtir um período junto com ela. Quando chega à cidade, o passado bate à sua porta porque Dennis (Chris Carmack), seu ex-namorado, ainda guarda forte rancor pela maneira como eles se separaram e os recebe com muita agressividade. Contudo, a casa dela é longe dali, no meio do Lago Crosby e sem qualquer tipo de comunicação. A única coisa que eles não contavam era que esse isolamento poderia representar um grande perigo, uma vez que após um acidente durante a prática de wake board, descobriram que a perda de um braço foi causada pelo ataque de um tubarão enfurecido, sedento de sangue, capaz de destruir até embarcações. Agora, a morte está dentro d’água e eles precisam retornar para a civilização.
Funciona? Não. Apenas um desfile de mortes e efeitos 3D não tão funcionais.

04 – Tubarão Vermelho: de Hollywood à Itália (1986)

Biólogos unem-se ao xerife de uma praia da costa da Flórida para combater um sanguinário monstro marinho, híbrido de tubarão e polvo, que está devorando veranistas e pescadores locais. Uma versão absurda do filme de Spielberg.
Funciona? Não. Além de ser absurda a mutação, até permitida dentro dos parâmetros ficcionais do cinema, as cenas de violência erótica do mestre trash italiano Lamberto Bava não ajudam em nada.


05 – Tubarão 2 – A Vingança: e o velho estereótipo das continuações inferiores (1987)

Passaram-se quatro anos desde que o tubarão branco apavorou a população da, até então, pacífica praia de Amity. Quando tudo parecia mais calmo, uma nova criatura aparece para aterrorizar a região, agora alvo de uma intensa especulação imobiliária. O chefe de polícia Martin Brody (Roy Scheider) vai lutar contra o tempo para salvar toda a população da agressividade desse animal. Parte do elenco está de volta, mas a qualidade não.
Funciona? Sim. Uma continuação inferior, mas que é mais suportável do que todas as imitações fracassadas.


06 – Mar Aberto: os tubarões no episódio cinema verdade (2005)

Mar Aberto é um filme estadunidense baseado na história verídica de um casal de mergulhadores que foi abandonado em alto mar por seu barco quando praticavam mergulho Não é bem um filme sobre tubarões, mas funciona. Segundo relatos documentais, uma espécie do animal marinho foi a responsável pela morte de um dos desaparecidos.
Funciona? Sim. Mar Aberto é cinema verdade de primeira qualidade. Linguagem documental, boa montagem e performance do elenco.

07 – Maré Negra: tubarões ilustrando um drama barato (2012)

Enfadonho, chato e sem rumo. Kate (Halle Berry) é uma mergulhadora profissional que se afastou de seus estudos em alto mar depois que seu mentor sofreu uma trágica morte por causa de um tubarão branco. Ela passava os dias em águas profundas, mas após o acidente ela começou a guiar excursões. Nove anos depois, Kate vê voltar à cidade seu antigo parceiro e ex-namorado Jeff (Olivier Martinez), e ele a impulsiona a abandonar seus medos e a enfrentar o oceano. Só que dessa vez ela passará por um verdadeiro teste de sobrevivência com um feroz predador.
Funciona? Não. Muito lento, sem grandes emoções e direção irregular de John Stockwell.

08 – O Ataque do Tubarão de Duas Cabeças: sem palavras… (2012)

É difícil ficar sem ter o que dizer com um filme. Mas esta pérola inclui tsunamis, tramas paralelas sem nenhuma ligação pertinente com o eixo central. Horrível. Durante um curso de navegação marítima, o professor Babish e seus alunos acabam enfrentando grandes problemas depois que uma carcaça de tubarão fica presa na hélice do motor e danifica o barco. Na tentativa de consertar, uma pessoa acaba morta por um tubarão diferente, que possui duas cabeças e é mais ágil do que qualquer outra criatura que eles conheçam.
Funciona? Depende. Se você quiser rir muito dos absurdos, veja por curiosidade. De preferência, acompanhado dos amigos. Será diversão garantida. Esse filme ocupa a pré-salinidade da ruindade dos filmes de terror. Muito… Muito ruim.

09 – A Isca: o mesmo segmento, mas uma história com melhor desenvoltura (2012)

Um grupo enfrenta tubarões em um supermercado após um tsunami fazer os mares invadir uma cidade na costa da Austrália. Parece ruim, mas as subtramas bem desenvolvidas e os bons efeitos especiais garantem uma diversão mais coerente e coesa. Indicado.
Funciona? Sim. Parece ruim, mas as subtramas bem desenvolvidas e os bons efeitos especiais garantem uma diversão mais coerente e coesa. Indicado.


Pronto. Nosso especial chega ao fim. Vamos aguardar o próximo filme sobre tubarões: dessa vez, a trama vai apostar em tubarões dentro de um tornado. A aventura parece roteirizada por alguém com doses cavalares de nonsense. Vamos aguardar.

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