Outubro é o mês do halloween. A data festiva, surgida dos povos celtas ainda na antiguidade, se tornou extremamente popular nos EUA, permanecendo ainda hoje como uma das datas comemorativas mais celebradas do país. É claro que ganhando força por lá, ela terminou exportada para muitos outros países do mundo – embora ainda tenha sido iniciado antes em países como a Inglaterra. No Brasil a moda demorou a pegar e apenas nos últimos anos tem sido incorporado mais amplamente o conceito. Apesar da resistência de muitos em relação à possível entrada do halloween no país (afirmando que devemos enaltecer outras festividades únicas daqui, como o carnaval ou o dia de São Cosme e Damião), a verdade é que não tínhamos nada parecido como o dia das bruxas nestas bandas.

O que fala alto nesta celebração é o elo que possui com o terror e o medo, mesmo que seja de mentirinha. A comemoração fala sobre o dia dos mortos, e todo ano no dia 31 de outubro o costume é se fantasiar e pedir doces por lá nos EUA. Por esta definição realmente soa como uma mistura entre o carnaval e o dia de Cosme e Damião, porém, o halloween possui ainda o elemento assustador. Por aqui, o tal costume dos doces ainda não pegou, mas os aficionados pelo gênero horror na cultura pop (sejam em filmes, séries, games, livros ou qualquer outro item) foram os primeiros a “abraçar a causa” por aqui também. E por que não? Afinal, uma coisa não anula a outra.

Aqui no CinePOP somos fãs do terror, como todos sabem, e por isso o halloween se torna igualmente especial. Esse é o mês ideal para o gênero e durante outubro traremos muito conteúdo voltado a isso para você. Nesta nova matéria iremos comemorar o aniversário de algumas produções muito queridas, que completam 25 anos de seu lançamento em 2021, e casam perfeitamente como dicas para este dia das bruxas. Portanto anotem e se preparem para maratonar essas obras nostálgicas. Confira abaixo.

Pânico



O quinto e tardio filme da franquia Pânico estreia nos cinemas no início do ano que vem. Para ir aquecendo os motores, nada melhor do que revisitar o original que começou tudo. É claro que não podíamos começar a lista de melhor forma. E sim, o primeiro Pânico está comemorando 25 anos de seu lançamento em 2021: uma vida. O tempo voa. Pânico é muito importante para o terror adolescente e para os filmes slasher por ter soprado nova vida ao subgênero numa época em que tais filmes estavam desgastados. Sua contribuição foi adicionar na mistura muito humor, referências e autoconsciência.

Jovens Bruxas

Aproveite para assistir:

Pânico e Jovens Bruxas possuem mais em comum do que apenas serem filmes de terror joviais que comemoram 25 anos de lançamento: ambos possuem em seu elenco a atriz Neve Campbell, que migrava de forma muito satisfatória da TV para as telonas. Definitivamente, 1996 foi um ano divisor de águas na carreira da atriz. E se em Pânico ela interpretou a protagonista Sidney, em Jovens Bruxas ela vivia um papel menor como coadjuvante, ainda assim importante para a trama como uma das quatro bruxinhas do título. Ano passado uma espécie de reboot / continuação foi lançada sem o mesmo impacto. Ou seja, neste dia das bruxas, é melhor se ater ao original.

Medo



Concluindo a tríade dos filmes de terror/suspense juvenis de 1996, Medo é protagonizado por uma dupla de respeito, então pós-adolescentes promissores, que realmente viveram para se tornarem alguns dos maiores astros da indústria de Hollywood: Reese Witherspoon e Mark Wahlberg. Os títulos Pânico e Medo podem ser facilmente confundíveis para os incautos e os não escolados neste tipo de filme, porém, não poderiam ser mais distintos. Nada de assassinos mascarados realizando matanças por aqui, e de certa forma, Medo é ainda mais assustador por ser mais real. Aqui temos um verdadeiro retrato de um psicopata. Na trama, a jovem Nicole (Witherspoon) acredita ter encontrado o namorado perfeito, mas aos poucos David (Wahlberg) vai deixando transparecer seu lado sombrio.

Um Drink no Inferno

Sim, nossas dicas são repletas de grandes nomes do cinema. E aqui nos despedimos do terror adolescente e adentramos a seção dos grandes realizadores que marcaram presença no gênero há 25 anos. Começamos com uma dupla matadora, em todos os sentidos. Bem antes de homenagearem o cinema B em Grindhouse (2007), Quentin Tarantino e Robert Rodriguez celebravam sua amizade em público em grande estilo. Escrito e protagonizado por Tarantino e dirigido por Rodriguez, Um Drink no Inferno se tornou cult por excelência e pegou a todos de surpresa na época de seu lançamento. Isso porque se divide em dois filmes totalmente diferentes. Ele começa como um road movie criminal, onde dois assaltantes irmãos (George Clooney e Tarantino), sendo um deles um verdadeiro psicopata, estão em fuga da polícia e sequestram uma família. Todos juntos, eles terminam num bar longínquo, onde irão descobrir da pior maneira possível que o local fica infestado com alguns dos piores vampiros que você já viu após escurecer.

Os Espíritos

Deixamos os sugadores de sangue de lado um pouquinho, que voltaram com tudo recentemente na ótima série da Netflix Missa da Meia Noite, para nos concentrarmos agora em espíritos malignos, assombrações e fantasmas. Mas não apenas isso, já que o filme de fantasia repleto de efeitos visuais de primeira tem a direção de ninguém menos que Peter Jackson, antes de ficar conhecido como o gênio por trás da trilogia O Senhor dos Anéis. De fato, Os Espíritos foi sua primeira superprodução no cinema, e o filme que mostraria o talento do cineasta para comandar obras do tipo em larga escala. Mistura de terror e comédia, seguindo de perto a linha de Os Caça-Fantasmas, lançado doze anos antes, Os Espíritos é protagonizado por Michael J. Fox em seu último filme antes de se afastar por motivo de sua doença. Ele vive um “caçador de fantasmas” golpista que irá se deparar com o maior desafio de sua vida.

Marte Ataca!

O diretor Tim Burton definitivamente tem tudo a ver com a data do dia das bruxas. E se pegarmos todos os seus trabalhos até o lançamento deste Marte Ataca, veremos que isso era uma regra então para o cineasta. Beetlejuice, Edward Mãos de Tesoura, Ed Wood e seus Batmans (em especial O Retorno) parecem ter sido criados para serem assistidos no halloween. E mesmo Marte Ataca possuindo um teor um pouco mais leve, ainda assim se encaixa perfeitamente na data. Aqui, Burton pegou como inspiração uma linha de  figurinhas clássicas antigas que traziam o desenho de alienígenas cabeçudos e estranhos, e desenvolveu um filme em cima disso. Um dos elementos que mais chama atenção aqui, porém, é o uso de um dos melhores elencos daquele ano, com nomes como Jack Nicholson (em papel duplo), Glenn Close, Annette Bening, Pierce Brosnan e Michael J. Fox, só para citar alguns.



A Maldição

Qual outro nome tem tudo a ver com halloween? Bem, já dissemos Tim Burton e Wes Craven na lista. Então que tal Stephen King? Nenhum outro autor literário tem mais a cara da data do que King, e seus livros são em sua maioria construídos especificamente para os fãs do gênero. Isso sem contar que King talvez seja o escritor que mais textos viu sendo adaptados ao audiovisual, cinema ou vídeo. Aqui temos uma obra que chegou direto em vídeo no Brasil, apesar de ter sido lançada nos cinemas nos EUA. Essa é uma das histórias menos conhecidas do autor e que rendeu igualmente um dos filmes mais obscuros – por isso seria uma boa pedida se alguém resolvesse dar mais uma chance a ele o reimaginando atualmente. Um dos chamarizes foi a maquiagem usada para “engordar” o ator Robert John Burke (o “RoboCop 3”), o mesmo tipo que foi popularizada em O Professor Aloprado com Eddie Murphy, lançado no mesmo ano. A trama é uma espécie de Arraste-me para o Inferno, com Burke no papel de um advogado obeso sendo amaldiçoado por um velho cigano para que emagreça até definhar.

O Bordel de Sangue

Os jovens de hoje talvez não saibam, mas no passado eram comuns programas de temática de terror apresentados por criaturas monstruosas. Em diversos canais de TV tínhamos programas especializados no gênero sendo introduzidos por alguma figura nefasta. Tudo começou nos primórdios da televisão, mas o conceito atingiu novos níveis nas décadas de 1980 e 1990. Foi na época que tivemos figuras como Elvira, por exemplo, que voltou aos radares agora na Netflix, e até mesmo o demônio dos sonhos Freddy Krueger teve um programa para chamar de seu e apresentar. Nos anos 90, Os Contos da Cripta era um programa de terror muito popular, atraindo a atenção de grandes nomes do cinema, e sendo apresentado pela caveirinha risonha conhecida como o zelador da cripta. A popularidade foi tão grande que o seriado ganhou dois filmes, e o segundo estreava logo em 1996. Na trama, como diz o título, jovens cheios de hormônios descobriram da pior forma que o bordel de seus sonhos era regido por vampiras sedentas de sangue.

Lua Negra


E se já tivemos os vampiros como tema de duas das dicas na lista, chegou a hora de seus “primos”, os lobisomens. As criaturas peludas fazem parte da mitologia do gênero e são inclusive mais antigas que o próprio cinema em suas lendas. Há 25 anos foi a vez da Warner investir nestes monstros de dentes afiados, num filme protagonizado pela sumida Mariel Hemingway. Você lembra dela? Curiosamente, o título do livro no qual este filme é baseado se chama Thor. Na trama, Hemingway é uma advogada bem sucedida, vivendo em sua mansão isolada na floresta ao lado do filho pequeno e do cachorro. É quando em sua porta chega o irmão (papel de Michael Paré), um sujeito explorador e aventureiro, cujo último contato com as selvas terminaram por transformá-lo num homem atormentado, lutando contra uma maldição que libera uma criatura bestial de dentro dele.

Joe e as Baratas

Tudo bem, este último item não é necessariamente um filme de terror – apesar de que para muitos nada consegue ser mais assustador do que os insetos cascudos do título, ainda mais se forem voadoras. Seja como for, este longa que marca uma parceria entre a MTV (sim, o canal de música que fez muito sucesso nos anos 80 e 90 chegou a produzir também seus próprios filmes) e a Warner tem toda a cara de um filme para ser assistido no halloween. Além disso é um produto de seu tempo que se comunicava muito bem com os jovens da época – tudo a ver com a geração MTV e suas vinhetas muitas vezes “sem noção” e “nojentas”. Baseado num curta do mesmo John Payson – que dirige aqui – a trama mostra um sujeito sem dinheiro, arrumando um apartamento que é uma verdadeira pocilga para viver. No local ele faz amizade com algumas baratas falantes. Um dos fatores que venderam esta primeira produção da MTV foram os efeitos visuais de computadores que criavam os insetos, numa época em que eles ainda causavam verdadeiro alvoroço

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