’99 Nights in the Forest’: Sam Raimi vai transformar fenômeno do Roblox em FILME

Hollywood definitivamente encontrou nos videogames uma de suas maiores minas de ouro — e agora os grandes estúdios estão olhando muito além de PlayStation, Xbox e Nintendo em busca do próximo fenômeno. A bola da vez é ’99 Nights in the Forest’, experiência de sobrevivência e terror que explodiu dentro do Roblox e conquistou uma audiência gigantesca. O sucesso foi suficiente para chamar a atenção da 20th Century Studios, que está desenvolvendo uma adaptação cinematográfica e acaba de colocar dois nomes de peso por trás do projeto.

Segundo informações do Deadline, Josh Cooley, vencedor do Oscar por ‘Toy Story 4’ e diretor de ‘Transformers: O Início’, foi contratado para escrever o roteiro da adaptação. A notícia por si só já seria interessante, mas existe outro nome que deixa o projeto ainda mais curioso para os fãs do gênero: Sam Raimi, responsável pelo clássico ‘A Morte do Demônio’ e pela trilogia original de ‘Homem-Aranha’, está envolvido como produtor através de sua companhia, a Raimi Productions.

A 20th Century Studios já havia adquirido os direitos para transformar ’99 Nights in the Forest’ em filme, mas a contratação de Cooley e a participação de Raimi indicam que o projeto está avançando de maneira mais concreta dentro do estúdio. Ainda não existe um diretor anunciado, assim como não foram revelados integrantes do elenco ou uma possível data de estreia. Mesmo assim, colocar um roteirista vencedor do Oscar e um dos cineastas mais importantes da história do terror moderno por trás da produção deixa claro que o estúdio enxerga potencial muito além de uma adaptação pequena destinada exclusivamente aos jogadores.

Para quem nunca entrou no universo do Roblox, a premissa de ’99 Nights in the Forest’ é simples, mas extremamente cinematográfica. Os jogadores são colocados em uma floresta assustadora e precisam sobreviver durante 99 noites, reunindo recursos, explorando os arredores, fortalecendo seu acampamento e enfrentando ameaças que surgem quando a escuridão toma conta do lugar. O que começa como uma aventura de sobrevivência vai ficando cada vez mais sinistro conforme o jogador percebe que definitivamente não está sozinho naquele ambiente.

Essa combinação de sobrevivência, exploração, criaturas e terror ajuda a explicar por que Hollywood enxergou rapidamente potencial cinematográfico no game. Existe uma estrutura praticamente pronta para um filme: um grupo de personagens isolado em uma floresta, recursos limitados, ameaças desconhecidas e uma contagem regressiva representada pelas próprias noites. O roteiro poderá expandir a mitologia do jogo sem necessariamente ficar preso a uma narrativa extremamente rígida, dando aos realizadores liberdade para construir personagens e criar novas ameaças especificamente para as telonas.

E é justamente nesse ponto que a presença de Sam Raimi fica ainda mais interessante. O cineasta construiu boa parte de sua carreira sabendo equilibrar terror genuíno, criaturas grotescas, violência exagerada e humor, combinação que transformou ‘A Morte do Demônio’ em uma das franquias mais cultuadas do gênero. Mesmo quando atua apenas como produtor, Raimi costuma se aproximar de projetos com conceitos fortes e bastante espaço para horror visual, o que combina perfeitamente com uma história envolvendo personagens tentando sobreviver noite após noite em uma floresta tomada por perigos.

Raimi também possui uma longa relação com produções que transformam premissas relativamente simples em espetáculos muito maiores. Além de comandar ‘Homem-Aranha’, ‘Homem-Aranha 2’, ‘Homem-Aranha 3’ e ‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’, o cineasta permaneceu bastante ativo como produtor de terror. Seu nome esteve ligado a projetos como ‘O Homem nas Trevas’, ‘A Morte do Demônio’ de 2013, ‘Evil Dead Rise – A Ascensão’ e outras produções que mantiveram viva sua relação com o gênero mesmo durante suas incursões pelos grandes blockbusters.

A escolha de Josh Cooley para escrever o roteiro também chama atenção justamente pela diferença entre os dois profissionais. Cooley vem de uma escola muito mais associada à animação e às grandes aventuras de estúdio. Antes de dirigir ‘Toy Story 4’, trabalhou durante anos na Pixar e participou do desenvolvimento de filmes como ‘Divertida Mente’. Mais recentemente, comandou ‘Transformers: O Início’, mostrando familiaridade com propriedades gigantescas que já possuem uma enorme comunidade de fãs e precisam funcionar também para quem nunca teve contato com o material original.

Essa experiência pode ser particularmente valiosa em ’99 Nights in the Forest’. Diferentemente de uma adaptação tradicional de videogame com protagonista, diálogos e uma história previamente estabelecida, o longa precisará transformar uma experiência essencialmente interativa em uma narrativa cinematográfica com personagens pelos quais o público realmente se importe. A estrutura de sobrevivência pode permanecer, mas será necessário encontrar uma razão dramática para que aquelas pessoas estejam na floresta — e, principalmente, para que o espectador queira vê-las chegar até a 99ª noite.

Há também uma questão especialmente interessante envolvendo o Roblox. Durante anos, Hollywood buscou adaptações principalmente entre grandes franquias tradicionais dos consoles. O crescimento de plataformas nas quais os próprios usuários criam e popularizam experiências está mudando completamente esse cenário. Em vez de esperar décadas para descobrir se uma propriedade possui força suficiente para virar filme, os estúdios conseguem observar praticamente em tempo real quais conceitos estão mobilizando milhões de jogadores.

O sucesso de adaptações recentes baseadas em videogames certamente ajudou a acelerar essa corrida. Depois de títulos como ‘Super Mario Bros. – O Filme’, ‘Sonic’, ‘Five Nights at Freddy’s’ e ‘Minecraft’ demonstrarem o enorme potencial comercial desse público, praticamente qualquer fenômeno dos games passou a ser observado com outros olhos pelos grandes estúdios. A diferença é que uma propriedade como ’99 Nights in the Forest’ oferece algo particularmente atraente: uma premissa facilmente compreensível mesmo para quem jamais abriu o Roblox.

E existe ainda o potencial de franquia. Se o primeiro filme conseguir construir uma mitologia interessante em torno da floresta, das criaturas e do mistério por trás das 99 noites, a 20th Century terá bastante liberdade para expandir esse universo. O próprio formato do game permite imaginar continuações, derivados e novas histórias ambientadas no mesmo cenário sem necessariamente depender dos mesmos protagonistas.

Por enquanto, porém, ainda existem muitas perguntas sem resposta. Não há elenco anunciado, diretor confirmado ou previsão de início das filmagens, e também não sabemos até que ponto o filme seguirá exatamente os acontecimentos e criaturas presentes no jogo. A classificação indicativa também será especialmente interessante: o estúdio poderá optar por uma aventura sombria destinada ao público adolescente ou aproveitar a participação de Raimi para mergulhar com mais força no terror.

De qualquer maneira, a união de Josh Cooley e Sam Raimi transforma uma adaptação que poderia facilmente passar despercebida em um projeto bastante curioso. De um lado está um cineasta acostumado a transformar propriedades gigantescas em aventuras acessíveis; do outro, um dos grandes responsáveis por moldar o terror moderno. No centro de tudo está uma ideia simples e irresistível: sobreviver por 99 noites em uma floresta onde alguma coisa está esperando no escuro.

Se a 20th Century conseguir preservar justamente essa sensação de que cada anoitecer pode trazer algo pior do que o anterior, ’99 Nights in the Forest’ pode acabar se tornando muito mais do que apenas ‘o filme daquele jogo do Roblox’. E, com Sam Raimi observando tudo de perto, certamente existe espaço para que essas 99 noites sejam bem mais assustadoras do que os jogadores estão acostumados.

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