Crítica | ‘American Horror Story: 13’ une nostalgia e velhos dilemas em uma sólida dobradinha de episódios

O texto a seguir discorre sobre o sétimo e oitavo capítulos da temporada. Spoilers à frente.

‘American Horror Story: 13’ vem trilhando um caminho um tanto quanto conturbado desde sua estreia, seja no modo como foi configurada, seja no estranho ritmo de seus episódios. Estreando no final do mês passado e já tendo exibido oito episódios, a mais nova temporada da popular antologia de terror criada por Ryan Murphy e Brad Falchuk vem pouco a pouco nos levando a uma viagem no tempo, nos reapresentando a icônicos personagens desse expansivo panteão à medida que coloca em confronto forças descomunais que caminham para uma batalha que pode ditar os rumos da humanidade e que se apoia em conhecidas tramas já exploradas pela dupla nos anos anteriores.

Para aqueles que não se recordam, a história nos levou para o estranho Edifício Apollyon, lar do misterioso Sr. Nas (Fedor Steer), um idoso à beira da morte que está sob cuidados de Constance Langdon (Jessica Lange) e o Sr. Phibes (John Waters). Na semana anterior, tivemos a confirmação de que Nas, na verdade, é a materialização do próprio Satã – e que seus planos de dominação mundial estão prestes a ser concretizados com a ajuda de seus asseclas. E, para garantir que seu objetivo seja alcançado, ele traz de volta perigosos serial killers (incluindo James Patrick March e Richard Ramirez, marcando o retorno de Evan Peters e Zach Villa em seus respectivos personagens) para invadir a conhecida Academia Robichaux e destruir o clã de bruxas gerenciado por Cordelia Goode (Sarah Paulson).

No final do sexto capítulo, James e seus seguidores engatam o plano arquitetado por Satã e matam Cordelia, deixando suas pupilas, incluindo Madison (Emma Roberts), Queenie (Gabourey Sidibe) e Mallory (Billie Lourd) enfrentando os perigosos e mortais assassinos por conta própria – isto é, até o retorno de Fiona Goode (Lange) de sua eterna danação no Inferno para ajudar a filha a ressuscitar e mandar os agentes do Diabo de volta ao lugar de onde nunca deveriam ter saído. Não demora muito até que Fiona e Cordelia esquadrinhem um plano complicado e muito perigoso que envolve uma aliança temporária com Marie Laveau (Angela Bassett), a Rainha do Vodu, que volta dos mortos para ajudá-las a enfrentar seu maior inimigo até então.

Alfonso Gomez-Rejon e Crystle Roberson Dorsey dividem a cadeira de direção da nova dobradinha de episódios e, como era de se esperar, constroem uma nostálgica incursão que navega pelos extensos corredores da Academia Robichaux em uma clara homenagem à estética eternizada por Murphy e Falchuk – desta vez, mergulhando no exagero das grandes angulares para reafirmar o teor fabulesco e sobrenatural da temporada. Mantendo-se fiel à identidade explorada nos capítulos anteriores, a dupla de diretores deixa bem claro que não tem qualquer intenção de fugir do “livrinho de regras” das gloriosas primeiras iterações da antologia (e, no final das contas, é isso o que queremos).

Se ‘American Horror Story: 13’ funciona como um pot-pourri de ‘Coven’, ‘Murder House’, ‘Freakshow’, ‘Hotel’ e ‘1984’, é notável como os nomes por trás das câmeras têm uma ideia bem clara de presentear os fãs de longa data da série – e, ao mesmo tempo, firmar um enredo que consegue ser apreciado em sua completude sem muitos problemas. Assim, o roteiro assinado por Ned Martel e Charlie Carver encontra um ponto de equilíbrio que se afasta do frenesi criativo dos episódios iniciais, dando chance para que as personagens brilhem em sua completude, por mais que os deslizes ainda existam.

Mais uma vez, Paulson e Lange brilham ao trazer de volta às telinhas a complexa e controversa relação entre Fiona e Cordelia: enquanto esta ainda carrega mágoas pela negligência deliberada da mãe, aquela retorna ao mundo dos vivos em um remorso inescapável e que, ao que tudo indica, deve lhe garantir um merecido arco de redenção – ampliando a versatilidade performática que Lange exibe em sua multiplicidade de personagens nesta temporada. E, além disso, temos uma abertura maior para que Sidibe, Roberts e Orlando Jones (reprisando seu papel como o poderoso Papa Legba) roubem os holofotes, enquanto Bassett recupera os conhecidos trejeitos de Marie Laveau a fim de nos preparar para as próximas semanas.

Os novos episódios de ‘American Horror Story’ funcionam dentro de um escopo nostálgico e saudosista que parece recriar o que tentou ser feito em ‘Apocalypse’ – mas de uma maneira mais sólida e palpável. E, apesar de certos vícios de linguagem ainda existirem, é interessante ver como a temporada vai se reencaixando nos trilhos e nos preparando para uma batalha de proporções catastróficas que pode, inclusive, redefinir boa parte desse panteão antológico.

Lembrando que os próximos capítulos chegam ao Disney+ em 15 de outubro.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.