Crítica | O Predador: A Caçada leva a franquia de volta aos eixos com MUITA ação e cenas sangrentas

Você conhece a franquia de ‘O Predador’, a história da criatura alienígena invisível que já veio para a Terra algumas vezes nos anos 1980/1990 e deixou um rastro de corpos por onde passou – e forçando muito herói a ter que se mexer para salvar a humanidade. Em ‘O Predador’ o próprio Arnold Schwarzenegger teve que ir até a Guatemala para salvar políticos estadunidenses presos por lá; em ‘O Predador 2 – A Caçada Continua’ a criatura foi para Los Angeles, tocar o terror nas ruas dominadas por gangues rivais; em seguida, a produção jogou o foco na criatura, que foi brigar com ‘Alien’ em dois longas-metragens; agora o público poderá finalmente conhecer a origem de tudo, no prequel ‘O Predador: A Caçada’, que chega hoje com exclusividade na plataforma da Starplus.

Naru (Amber Midthunder) é uma jovem indígena Comanche que quer provar ser mais do que uma mulher destinada a cuidar e colher, mas sim uma verdadeira caçadora, pronta para defender seu povo. Porém, seu irmão Taabe (Dakota Beavers) e os outros rapazes da aldeia não só não acreditam no potencial dela, como também a impedem de ir caçar. Quando um leão ameaça a permanência do grupo naquela região, Naru decide ir atrás do grupo de caçadores, numa tentativa de mostrar seu valor. O que ela não esperava era descobrir que o leão seria o menor dos problemas para a sua aldeia, pois uma ameaça muito maior e totalmente desconhecida estava matando todas as criaturas vivas da floresta.

Com uma hora e quarenta de duração, ‘O Predador: A Caçada’ tem a duração e o formato certos para prender a atenção do público, entretendo e ao mesmo tempo oferecendo conteúdo. Partindo dos personagens criados por Jim Thomas e da franquia original, o roteiro de Patrick Aison e Dan Trachtenberg volta no tempo para trazer as origens deste que é um dos personagens mais marcantes da ficção científica de terror. Esta origem, entretanto, não é sobre a criatura enigmática, mas sim da história, deste que, até o momento, é o primeiro registro de contato do Predador no planeta Terra.

Ao centrar a história lá nos idos 1700, o roteiro coloca o Predador como uma metáfora para o período colonial: se o Predador só mata àquele a quem considera uma ameaça, e os povos indígenas estão sendo invadidos pelos europeus colonizadores, quem, nessa história, é a verdadeira ameaça e quem tem o direito a permanecer na terra? Tudo isso é oferecido em uma camada profunda, sinalizada especialmente ao final do longa, ao mostrar a característica nômade do povo Comanche em uma história cujo final nós já conhecemos: hoje os Comanche são apenas cerca de 15 mil.

As cenas de ação e de luta são muito bem coreografadas e convincentes, o que torna o projeto do diretor Dan Trachtenberg um filme coletivo, que se vale dos esforços individuais de cada um da equipe para alcançar o resultado. Carismática e exímia manejadora de machadinhas, Amber Midthunder dá conta do recado como uma jovem que luta para conquistar o respeito do grupo, e convence mais do que ‘Valente’ ou ‘Pocahontas’, inclusive nos vários diálogos em Comanche que o filme traz. As cenas de matança e brutalidade não são gráficas, e, no todo, há até pouco sangue em cena – o que pode desapontar a alguns. Entretanto, por alguma razão isso não prejudica a produção; ao contrário, faz com que tanto o Predador quanto os humanos tenham que se valer da inteligência para matar – e isso, na franquia, é algo que andava faltando.

Com um elenco todo composto por nativos indígenas ou descendentes dos povos originários, ‘O Predador: A Caçada’ leva a franquia de volta aos eixos, apresentando uma boa trama comercial dentro de uma história crítica que faz sentido, oferecendo entretenimento que prende a atenção do espectador e joga luz sobre possíveis caminhos que a franquia pode tomar. Filmão!

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.