A cinebiografia ‘Michael’, que retrata a trajetória do Rei do Pop, já está em cartaz nos cinemas nacionais. Porém, antes do lançamento do longa, que acompanha a jornada de Michael Jackson até a era do álbum “Bad”, em 1988, outro filme sobre o cantor chegou a ser desenvolvido sob uma perspectiva bastante inusitada: a partir dos olhos de Bubbles, o famoso chimpanzé de estimação do astro.
De acordo com o The New York Times, em 2015, quando o espólio da família Jackson ainda rejeitava cinebiografias tradicionais, o roteiro que mais chamava atenção em Hollywood era uma comédia sombria intitulada ‘Bubbles’, escrita por Isaac Adamson.
O longa começaria em um santuário de primatas na Flórida, apresentando Bubbles como “um chimpanzé grisalho, barrigudo e de meia-idade”, para então mergulhar no passado. A partir das memórias do animal, a trama revisitaria sua convivência com Jackson e momentos marcantes da carreira do cantor.
Entre os episódios retratados estariam participações de Prince, convidado para cantar em “Bad”, mas incapaz de passar da primeira frase de “Your Butt Is Mine”, além dos integrantes do Bon Jovi, que surgiriam festejando com Bubbles em um hotel em Tóquio. Ambos os acontecimentos seriam inspirados em histórias reais.
Entretanto, a narrativa assumia tons mais densos com a chegada de Kyle Bosman, personagem fictício inspirado em Jordan Chandler, o primeiro acusador de Jackson. Na trama, Bubbles passaria a enxergar o garoto como um rival pelo afeto do cantor em Neverland.
Sobre a controvérsia em torno do artista, Adamson optou por manter a história sob a ótica limitada do chimpanzé. “Claro que seria ambíguo, porque Bubbles não entende o que está acontecendo”, explicou o roteirista.
Na época, o projeto rapidamente ganhou força em Hollywood. Adamson revelou que, apenas uma semana após concluir o roteiro, foi chamado para Los Angeles e participou de cerca de 20 reuniões em apenas três dias. O então presidente da Creative Artists Agency entrou em contato, Taika Waititi negociava para dirigir e, posteriormente, a Netflix adquiriu os direitos da produção.
Pouco depois do anúncio, porém, Adamson recebeu uma carta do espólio de Michael Jackson, descrita por ele como um “aviso preventivo”, informando que nenhum direito envolvendo músicas, nome, imagem ou semelhança seria liberado. Em seguida, o documentário ‘Deixando Neverland’ estreou no Festival de Sundance, mudando o clima em torno da imagem pública do cantor.
Após esses acontecimentos, Taika Waititi deixou o projeto e a Netflix abandonou o longa. Adamson ainda revisou o roteiro, tornando o comportamento de Jackson mais sombrio e alterando o desfecho para uma “punição satisfatória” ao artista, mas o interesse comercial esfriou de vez.
Enquanto ‘Bubbles’ permaneceu apenas na imaginação de Hollywood, ‘Michael’ finalmente chegou aos cinemas nacionais.
‘Michael’: O que aconteceu com Bubbles, o chimpanzé de Michael Jackson?
‘Michael’ está em cartaz nos cinemas nacionais.
Crítica 2 | ‘Michael’ é uma embalagem bonita para uma caixa VAZIA. Para alguns, isso basta…
Dirigido por Antoine Fuqua (‘Dia de Treinamento’, ‘O Protetor’), o filme propõe um retrato cinematográfico profundo sobre a vida e o legado de Michael Jackson. A trama vai além dos palcos, acompanhando a jornada do artista desde a descoberta de seu talento precoce como líder dos Jackson Five até sua transformação em um visionário global, impulsionado pela busca incessante de se tornar o maior artista do mundo.
O roteiro, assinado pelo três vezes indicado ao Oscar John Logan (‘Gladiador’, ‘O Aviador’), oferece ao público um lugar na primeira fila para observar a vida de Michael fora dos holofotes, alternando com as performances mais emblemáticas do início de sua fase solo.
A cinebiografia marca a estreia de Jaafar Jackson no cinema, assumindo o desafiador papel de seu tio. O elenco principal conta ainda com nomes de peso da indústria: Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller, Laura Harrier e Juliano Krue Valdi.
A produção executiva está sob o comando do vencedor do Oscar Graham King (‘Bohemian Rhapsody’), em parceria com John Branca e John McClain, figuras ligadas diretamente ao espólio de Michael Jackson e responsáveis por projetos como ‘This Is It’.



