O mundo da música é lar de nomes que marcaram e continuam a marcar época com hits que se tornam atemporais e que servem de inspiração para outros artistas – e, quando pensamos no cenário pop, é inegável o impacto que as mulheres possuem.
Todavia, mesmo nomes como Lady Gaga, Ariana Grande, Beyoncé e Rihanna contam com deep cuts que, apesar de serem conhecidas pelos fãs, não tiveram tanto sucesso comercial geral quanto imaginávamos.
Pensando nisso, resolvemos voltar um pouco no tempo e revisitar a discografia de várias artistas populares para encontrar essas gemas perdidas e por que deveríamos colocá-las nas nossas playlists.
Confira:
GREEDY, Ariana Grande
Álbum: Dangerous Woman
Uma das eras mais memoráveis da discografia de Ariana é, sem sombra de dúvida, ‘Dangerous Woman’. O álbum, lançado em 2016, contou com uma variedade de singles – e o mais interessante é que o teor mercadológico da produção poderia ter transformado todas as faixas em canções promocionais. Esse é o caso de “Greedy”, uma das melhores entradas do compilado de originais que traz uma produção exímia de Max Martin e Ilya Salmanzadeh, vibrando em uma mistura impecável de disco-pop e synth-funk e acompanhada de vocais de tirar o fôlego.
DADDY LESSONS, Beyoncé
Álbum: Lemonade
“Daddy Lessons” é um dos vários ápices de ‘Lemonade’ e uma das canções que merecia mais reconhecimento que tem. Com a música em questão, a lead singer eleva as expectativas de sua própria sonoridade, iniciando com os primórdios do jazz apenas para cultivar um terreno propício à insurgência de um country texano que louva, como premedita o título, as lições que seu pai lhe ensinou: “ele me disse para não chorar; meu pai disse ‘atire’”, repetindo o refrão inúmeras vezes como forma de encontrar as forças necessárias para seguir em frente; tudo isso incluso em um escopo paradoxalmente nostálgico e modernizado.
SLUMBER PARTY, Britney Spears feat. Tinashe
Álbum: Glory
Há uma quantidade sólida de faixas muito boas dentro do espectro comedido de ‘Glory’, o nono álbum de estúdio da princesa do pop Britney Spears (e o último de sua carreira, ao menos até o momento). E, dentro das várias músicas que nos chamam a atenção no compilado, o single “Slumber Party” rouba os holofotes: produzida pela dupla sueca Mattman & Robin, a track se afasta dos elementos explorados no decorrer do disco e permite que uma espécie diferente de reggae-pop venha à superfície, pincelado com a química estonteante entre Britney e Tinashe e com a presença inesperada de marimbas e trompetes.
VROOM VROOM, Charli XCX
Álbum: Vroom Vroom
Se há uma música que define o estilo de Charli XCX, esta é a clássica “Vroom Vroom”. Lançada em 2016, a faixa é uma das principais representantes do movimento do PC music e do hyperpop, empregando novas camadas de sonoridade às fórmulas utilizadas ad nauseam pelos artistas mais conhecidos. Contando com a produção da saudosa SOPHIE, que também utilizou a canção para imprimir sua marca na indústria musical, a track mergulha em um pop industrial movido a batidas ressoantes e a sintetizadores propositalmente dissonantes para nos convidar a uma jornada sinestésica e bastante vanguardista.
HOTTER THAN HELL, Dua Lipa
Álbum: Dua Lipa
Assim como as outras canções promocionais do álbum de estreia homônimo de Dua Lipa, “Hotten Than Hell” mostrou-se como uma mixórdia instrumental que variou desde o dance-pop e o disco até o tropical house e o R&B (estética que voltaria a se mostrar com força em ‘Future Nostalgia’). Com aclamação generalizada por parte da crítica, a track rendeu a primeira entrada da cantora nos charts do Reino Unido, debutando em #15.
A-YO, Lady Gaga
Álbum: Joanne
O country-pop “A-YO”, uma das faixas que compõe o subestimado álbum ‘Joanne’, é uma resposta sutil e cheia de metáforas para os haters que tentaram, em vão, atacar o que Lady Gaga representa para o cenário artístico. Novamente, a música não foi bem aproveitada, apesar de ter sido performada inúmeras vezes ao vivo, mas colocou em voga vocais incríveis que, quando comparados a 2008, haviam envelhecido de modo excepcional.
SAME OL’ MISTAKES, Rihanna
Álbum: ANTI
“Same Ol’ Mistakes” é uma canção que, de fato, merecia ter sido lançada como single promocional do álbum ‘ANTI’, de Rihanna, principalmente por seu caráter saudosista e bastante sensual. A presença de sintetizadores logo no começo da faixa nos lembra das incursões noventistas de Madonna (principalmente da era ‘Erotica’) e volta a falar de temas românticos em que Rihanna não consegue conciliar-se a si própria por estar apaixonada e envolvida em um relacionamento que tem tudo para dar errado, mas que ainda assim é apelativo.
THUMBS, Sabrina Carpenter
Álbum: EVOLution
Um ano depois de ter feito sua estreia com o adorado ‘Eyes Wide Open’, Sabrina resolveu se afastar das incursões mais folk-pop para mergulhar de cabeça no electropop que dominava o cenário mainstream da época. E um dos singles de ‘EVOLution’, seu segundo álbum de estúdio, é o impecável “Thumbs”: a construção da faixa se inicia com um conjunto de cordas de tirar o fôlego, dando as bases para uma narrativa que critica o capitalismo predatório e o ciclo sem fim de apatia numa sociedade movida pela ganância e pelo dinheiro – facilmente um dos pontos mais altos da carreira da cantora.




