Após Scarlett Johansson e Kristen Stewart, John Travolta estreia como diretor em Cannes 2026



Há uma semana da divulgação (9 de abril) da aguardada lista de filmes em competição pela Palma de Ouro, a 79ª edição do Festival de Cannes segue revelando, em doses homeopáticas, alguns de seus participantes. Já se sabe que o presidente do júri será Park Chan-wook, e em breve conheceremos a composição completa — fica a torcida para a presença de Wagner Moura. Entre os destaques já anunciados estão os homenageados Peter Jackson e Barbra Streisand, além do filme de abertura, a comédia francesa La Vénus électrique, de Pierre Salvadori, revelada ontem. Hoje, porém, o destaque é outro: John Travolta assume, pela primeira vez, o comando atrás das câmeras.

Em coincidência curiosa, Cronologia da Água, estreia de Kristen Stewart na direção, chega hoje (3 de abril) aos cinemas brasileiros, após dois adiamentos. Exibido na mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard), o longa foi bem recebido pela crítica, acumulando cerca de 90% de aprovação no Rotten Tomatoes, com 105 avaliações.

Kristen Stewart faz sua estreia com a adaptação do memoir ‘The Chronology of Water’.

Agora, é a vez de Travolta. Seu filme, em tradução livre do título francês, Voo Noturno para Los Angeles (Propeller One-Way Night Coach), narrado, escrito e dirigido pelo próprio ator, integra a mostra Cannes Première — seção fora de competição que tradicionalmente reúne títulos de apelo mais midiático.

A Estreia de Travolta

Imortalizado como o inesquecível Vince Vega em Pulp Fiction – Tempos de Violência, Travolta retorna à Croisette para celebrar não apenas sua estreia como cineasta, mas também uma antiga paixão. Voo Noturno para Los Angeles adapta um livro publicado em 1997 pelo próprio ator, aficionado por aviação desde a juventude e piloto profissional experiente. A produção é assinada pela JTP Films Inc., em parceria com a Kids At Play, com produção de Travolta, Jason Berger e Amy Laslett.

A história acompanha Jeff (Clark Shotwell), um jovem fascinado por aeronáutica que embarca com a mãe (Kelly Eviston-Quinnett) em um voo sem volta rumo a Hollywood, atravessando os Estados Unidos. O que seria uma viagem comum se transforma em uma jornada formativa, marcada por encontros improváveis e escalas inesperadas. Com olhar nostálgico para a era de ouro da aviação comercial, o filme destaca também a tripulação — entre eles, personagens vividos por Ella Bleu Travolta e Olga Hoffmann.

- Ads -

Embora tenha estreia mundial no Palais des Festivals, com a presença do diretor, Voo Noturno para Los Angeles já tem lançamento confirmado para o público geral: 29 de maio de 2026, na Apple TV+.

John Travolta em Cannes

John Travolta no Festival de Cannes 2018.

Com carreira consolidada, Travolta já passou diversas vezes por Cannes. Esteve na competição com Pulp Fiction – Tempos de Violência (1994) e Loucos de Amor (1997), além de aparecer fora de competição com Segredos do Poder (1998). Dono de uma Palma de Ouro (como parte do elenco de Pulp Fiction), duas indicações ao Oscar e múltiplos prêmios — entre eles Globos de Ouro e Emmys —, construiu uma trajetória marcante em títulos como Os Embalos de Sábado à Noite (1977), Grease (1978), Um Tiro na Noite (1981) e Hairspray (2007).

Paralelamente à atuação, a aviação sempre foi uma de suas grandes paixões. Travolta começou a voar ainda adolescente, conquistou sua licença aos 22 anos e, ao longo das décadas, acumulou mais de 9 mil horas de voo.Essa paixão, inclusive, já apareceu em sua carreira cinematográfica, como na comédia da Sessão da Tarde Olha Quem Está Falando Agora (1993) e, agora, é o ponto de partida de sua estreia como diretor.

Paralelamente à atuação, a aviação sempre ocupou papel central em sua vida. Travolta começou a voar ainda adolescente, obteve licença aos 22 anos e acumulou mais de 9 mil horas de voo. Essa paixão atravessa sua carreira — ainda que de forma pontual, como em Olha Quem Está Falando Agora (1993) — e agora se torna o eixo de sua estreia como diretor.

Atores atrás das câmeras

Com mais essa estreia, Cannes se consolida como uma vitrine para atores que desejam migrar para a direção. Além de Kristen Stewart, no ano passado o jovem Harris Dickinson (Triângulo da Tristeza) surpreendeu com Urchin, vencedor do prêmio FIPRESCI. Já Scarlett Johansson teve recepção mais morna, com um filme considerado previsível e de direção pouco marcante.

Joe Anders e Kate Winslet participam da estreia mundial do filme “Goodbye June”, da Netflix, no Curzon Mayfair, em 3 de dezembro de 2025, em Londres, Inglaterra. (Foto de StillMoving.Net para a Netflix)
Joe Anders e Kate Winslet participam da estreia mundial do filme “Goodbye June”, da Netflix, no Curzon Mayfair, em 3 de dezembro de 2025, em Londres, Inglaterra. (Foto de StillMoving.Net para a Netflix)

Fora do circuito do festival, Kate Winslet também tentou a direção no fim do ano passado, em um projeto lançado pela Netflix. Adeus, June, no entanto, teve recepção negativa, sendo visto mais como um gesto pessoal do que como uma obra consistente — ainda que revele o empenho da atriz em apoiar o filho roteirista.

Leia também: Entrevista – Por que ‘Adeus, June’ levou Kate Winslet à sua estreia na direção [EXCLUSIVO]

Agora, as atenções se voltam para John Travolta. Resta saber se sua estreia seguirá o caminho do sucesso ou se se juntará às tentativas menos memoráveis. De todo modo, a curiosidade é inevitável.

author avatar
Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

Inscrever-se

Notícias

Assista também:


Letícia Alassë
Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.