Nascida há exatos 75 anos, Dolly Parton é uma figura única no cenário da música e quebrou diversos recordes ao longo de sua espetacular carreira.

Dona de nada menos que oito estatuetas do Grammy, incluindo um prêmio honorário concedido em 2011, e duas indicações ao Oscar de Melhor Canção Original, Parton é conhecida pelas gerações contemporâneas como a madrinha de Miley Cyrus, um dos expoentes da indústria fonográfica e uma das artistas mais conhecidas globalmente. Mas Parton não é responsável apenas por ter guiado a carreira de sua afilhada, e sim por ter quebrado barreiras de gênero desde o momento em que lançou ‘Hello, I’m Dolly’ em 1967.

A cantora e compositora, considerada um dos principais nomes do country e da americana do final do século passado, se uniu com o lendário Porter Wagoner ainda nos últimos anos da década de 1960 para um sucesso comercial e crítico inesperado que duraria seis anos seguidos e que pavimentaria a jornada da musicista para outras incursões fonográficas. É claro que, nesse meio tempo, a dupla enfrentou certas decepções à medida que exploravam investidas solo – mas Parton encontraria uma recepção incrível com uma de suas canções mais famosas, “Jolene”, em 1973. Com o estouro da faixa, a artista, que sempre quis seguir uma carreira por conta própria, deixou a dupla e a organização de Wagoner, e apostou em construções magníficas que seriam reavidas por diversos nomes do cenário musical – ainda mais com a canção “I Will Always Love You”, motivo de atenção tanto de Elvis Presley quanto de Whitney Houston (esta abraçando a iteração décadas mais tarde para o longa-metragem O Guarda-Costas).

Até o final dos anos 1970, Parton já havia alcançando sucesso global com inúmeras obras, como “Love Is Like a Butterfly” e “Please Don’t Stop Loving Me”. Sua importância para o cenário country era refletida na carreira almejada por nomes como Olivia Newton-John e Linda Ronstadt, ambas citando Dolly como uma de suas principais influências. Não demoraria muito até que as restrições do gênero através do qual se apresentava abrissem portas para sua transição à cultura popular, principalmente a partir de 1976, quando resolveu se apoderar das decisões criativas de seus álbuns. Um ano mais tarde, apostaria suas fichas em certos covers com ‘New Harvest… First Gathering’, destacando suas sensibilidades pop e amalgamando o mainstream ao classicismo do R&B – que mais tarde passaria por uma profunda revolução estética.

O resultado foi inimaginável: em 1977, Here You Come Again se tornaria o primeiro álbum de Parton a vender mais de um milhão de cópias. Um ano mais tarde, levaria sua primeira estatueta do Grammy depois de várias indicações; sua crescente visibilidade lhe concederia uma participação no programa da lendária Barbara Walters, além de uma colaboração especial com a icônica comediante Carol Burnett; em 1980, Como Eliminar seu Chefe se tornaria um dos filmes mais relembrados da carreira performática de Dolly, ainda mais por trazer sua colaboração com a dupla Jane Fonda e Lily Tomlin e a faixa-titular “9 to 5”, que lhe daria três #1 nos charts da Billboard.



Enfrentando certa resistência comercial apesar dos bons números de vendas, Dolly Parton não renovou contrato com sua produtora inicial, a RCA Records, o que a levaria a explorar territórios inóspitos. Não seria até 1987 que ela se reuniria com Emmylou Harris e Ronstadt para o aclamado Trio, álbum que revitalizou sua carreira e se tornou uma conquista para cada um dos membros do CD. Não é surpresa que tenha conquistado uma estatueta do Grammy e uma indicação a Álbum do Ano. A partir de meados da década de 1990, Parton conquistaria outros tantos feitos, sendo induzida ao Hall da Fama da Música Country e canalizando suas forças para o intimismo místico do bluegrass, provando a versatilidade da performer e sua capacidade de ser ovacionada e relembrada nos mais diversos gêneros. Em 2005, Parton seria indicada pela segunda vez ao Oscar pela canção “Travelin’ Thru”, escrita especificamente para o longa-metragem Transamérica, cuja história era centrada em uma mulher transsexual. Levando representatividade para o gênero que a colocara no centro dos holofotes, Dolly sofreu ameaças de morte por se manifestar abertamente a favor da comunidade LGBTQ+ e por se tornar uma aliada da causa queer – que mantém viva até os dias de hoje.

A presença de uma das deusas do country e uma das precursoras dos múltiplos suis-generis da esfera atual é sentida continuamente e veio a influenciar dezenas de artistas, incluindo Taylor Swift em seu début homônimo de 2006, Kacey Musgraves, Carrie Underwood, Martina McBride e o grupo a capella Pentatonix (com quem levaria outro Grammy por Melhor Performance Country em Duo/Grupo em 2017). Em uma longa narrativa que ainda tem muito a nos contar e que já traz nada menos que 3 mil músicas originais, Parton encontrou um território mais que fértil em praticamente qualquer direção à qual ousaria olhar (cinema, televisão, música, filantropia). Sua constante reinvenção, provavelmente uma de suas marcas mais memoráveis, a colocou como força-motriz do folk, do bluegrass, do country, do country-soul, do americana e até mesmo do pop.

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Com mais de 100 milhões de records vendidos, tornando-a um dos atos musicais mais bem-sucedidos de todos os tempos, Dolly possui em seu catálogo 25 músicas no topo das paradas estadunidenses, um instituto de caridade internacional que incita a leitura das crianças a partir dos cinco anos, um império temático ao lado da família Herschend em Missouri (como não lembrar de Dollywood?) e uma das líricas mais pungentes e humanas de todos os tempos. A temática social, que guia as diretrizes de sua presença no cenário do entretenimento desde seu surgimento, é exatamente o que a transforma em uma pessoa necessária em um mundo movido pelas desavenças e pela discórdia. Criticada pelo exagero de sua aparência física, qualquer um que já tenha cruzado com seus potentes discursos sabe que o que existe abaixo da superfície é algo real, autêntico e, principalmente, inspirador.

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