Jessie Ware vem ganhando cada vez mais reconhecimento no cenário musical – e, sem sombra de dúvida, a cantora e compositora é um dos nomes que mais merece esse status. A artista britânica fez sua estreia em 2012 com o ótimo ‘Devotion’, construindo uma identidade mais sinestésica e peculiar do que o vibrante cenário mainstream mostrava com a repopularização do EDM e do synth-pop nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Desde então, Ware nunca teve medo de arriscar, esquadrinhando estilos diferentes que logo a transformariam em um dos emblemas dos anos 2020 – mais precisamente com o lançamento de ‘What’s Your Pleasure’, que representou um profundo amadurecimento em sua identidade e que ofereceu a seus fãs um imaculado compilado movido a infusões do disco. Em 2023, ele deu continuidade a esse estilo nostálgico com ‘That! Feels Good!’, alcançando ainda mais aclame ao redor do planeta e permitindo que, este ano, ela retornasse com uma espécie de encerramento de trilogia com ‘Superbloom’.
E, para celebrar a impecável carreira que a performer vem eternizando na indústria fonográfica, preparamos uma breve lista elencando suas dez melhores canções.
Confira abaixo as nossas escolhas e conte para nós qual a sua favorita ou qual deixamos de fora:
10. “OOH LA LA”
Álbum: What’s Your Pleasure
Promovendo um encontro entre R&B, funk e disco, “Ooh La La” leva Ware de volta aos anos 1980, buscando inspirações em Prince e Stevie Wonder. A canção, lançada como single promocional do compilado de originais, conta com a presença bem-vinda do sempre ótimo James Ford para uma narrativa neo-noir surrealista à la David Lynch que utiliza as propositais dissonâncias para um encontro romântico e sensual entre duas pessoas que estão apenas se conhecendo.
9. “I RIDE”
Álbum: Superbloom
Mergulhando sem pensar duas vezes nos nostálgicos tropos do disco-pop e do dance-pop, a performer constrói, em “I Ride”, uma ponte que une passado e presente no mesmo lugar, não apenas erguendo um monumento testamentário que puxa elementos de cada uma de suas eras anteriores, com destaque aos discos mencionados nos parágrafos acima, mas um encontro explosivo entre cinema e música que honra a memória de Ennio Morricone com uma interpolação da icônica trilha de ‘Três Homens e um Conflito’.
8. “BEAUTIFUL PEOPLE”
Álbum: That! Feels Good!
Ao que tudo indicava, Ware planejava se aposentar da música depois de parar o mundo durante a pandemia de COVID-19 com ‘What’s Your Pleasure’. Felizmente, ela resolveu dar continuidade à sua carreira recheada de brilho e, dentro do espetacular ‘That! Feels Good!’, “Beautiful People” é facilmente uma das melhores da carreira da cantora: a faixa evoca um sentimento quase didático sobre como deixar os problemas descansarem e abraçar a noite (e ninguém poderia ter entregado os versos “sirva um drinque; mistura sua felicidade com tormento – tão doce” como ela).
7. “SAUNA”
Álbum: Superbloom
Ware é conhecida por um trabalho de composição exímio, que mergulha em duplos sentidos, ambiguidades, ironias e sarcasmos deliciosamente bem elaborados que aparecem em cada uma de suas produções – e isso não seria diferente em “Sauna”. Através de breves três minutos, a artista promove um retorno aos anos 1970 e 1980 com uma atmosfera retrofuturista esquadrinhada por nomes como Giorgio Moroder, Diana Ross e Donna Summer, sem deixar de lado suas conhecidas e instigantes peculiaridades. Desde versos mais incisivos como “eu quero os caras que procuram diversão em cada canto do spa” até os intrigantes “suba a bordo da minha carruagem”, cada elemento é pensado com exímia.
6. “SAVE A KISS”
Álbum: What’s Your Pleasure
É costumeiro no cenário pop que canções falem sobre paixões efervescentes e duradouras e relacionamentos que deixam profundas marcas de companheirismo e saudade. Porém, o que acontece quando uma artista do calibre de Jessie Ware resolve mergulhar em tais tropos? O nascimento da joia intitulada “Save a Kiss”. Trazendo elementos do synth-pop, do Hi-NRG e do new wave em um reestruturação dos convencionalismos de baladas românticas, a performer dá vida a uma impactante e inebriante jornada de amor que não desliza em nenhum de seus beats.
5. “REMEMBER WHERE YOU ARE”
Álbum: What’s Your Pleasure
‘What’s Your Pleasure’ carrega uma distinção clara entre incursões hedonistas e uma melancolia identitária que revela um entendimento amadurecido sobre o mundo, por mais introspectivo e letárgico que seja. E, em meio a essas tracks, “Remember Where You Are” é a que melhor representa esse coming-of-age: servindo como conclusão dessa jornada espetacular e sensorial, a canção é cinemática e evocativa em sua completude, além de contar com um ótimo curta-metragem estrelado por Gemma Arterton.
4. “THAT! FEELS GOOD!”
Álbum: That! Feels Good!
O quinto álbum de Jessie dá continuidade à persona sensual, livre de amarras e movida pelo poder empoderador da música que havia esquadrinhado alguns anos antes. E, nessa efervescente e saborosa jornada, a faixa-título o compilado irrompe como uma orgásmica exaltação dos anos 1970, imbuída em vibrantes mesclas de funk e R&B – com instrumentais que fundem o baixo e o trompete em um hino dançante a que não podemos ficar parados. Aqui, somos bombardeados com uma sensorialidade invejável, que nos carrega por uma experiência sublime que se estende em todas as outras faixas do disco.
3. “BEGIN AGAIN”
Álbum: That! Feels Good!
Três anos depois da espetacular obra-prima ‘What’s Your Pleasure’, Jessie Ware voltou para nos agraciar com mais uma impecável jornada pela música com ‘That! Feels Good!’, uma ode ao prazer e à alegria que caminha por inúmeros estilos musicais que nos arremessam diretamente à pista de dança. E um dos carros-chefe do compilado é “Begin Again”, uma deliciosa e operística gama de elementos conflituosos que criam mágica através de uma trama hedonista e cheia de paixão – e que traz, inclusive, elementos brasileiros da bossa nova.
2. “WHAT’S YOUR PLEASURE”
Álbum: What’s Your Pleasure
Ware exalou toda sua glória com o requinte sensorial de seu quarto compilado de originais – e a faixa titular do álbum é tudo o que esperaríamos de uma obra desse calibre. Nutrindo-se de um disco mais amadurecido e mergulhando de cabeça nas recriações uptempo do EDM (sendo inspirada inclusive por Lady Gaga), a sutileza vocal e a onírica atmosfera são o bastante para nos tirar do chão.
1. “SPOTLIGHT”
Álbum: What’s Your Pleasure
Abrindo com a poderosa e inspiradora “Spotlight”, Ware dá as cartas do sedutor jogo de ‘What’s Your Pleasure’ a seu bel-prazer, navegando pelas pulsões de um eu-lírico que não deseja nada além do mais puro dos amores, seja ele como for. “Não é o bastante dizer que eu penso em você; palavras nunca conseguem fazer o que eu preciso que elas façam” são os versos que dão início a essa espetacular sinestesia musical.


