Famoso por suas animações 2D cheias de detalhes para contar histórias fantásticas sobre a infância e o amadurecimento na sociedade japonesa, os Estúdios Ghibli se tornaram um fenômeno cultural do oriente e conquistaram os corações de fãs nos quatro cantos do mundo. Fundado em 1985 por Hayao Miyazaki, Isao Takahata, Toshio Suzuki e Yasuyoshi Tokuma, o estúdio não demorou para começar a encantar o mundo e lançou O Castelo no Céu logo no ano seguinte, filme que conquistou boas críticas e uma ótima bilheteria. Porém, foi em 1988 que o ocidente abriu os olhos para essas produções japonesas. Em 1988, indo contra qualquer tipo de regra do mercado, a Ghibli lançou dois filmes simultaneamente. E ambos se tornaram não só grandes sucessos, mas também entraram para o hall de clássicos imortais do cinema: o depressivo Túmulo dos Vagalumes e o fofíssimo Meu Amigo Totoro. Daí para frente, o estúdio se consagrou como um dos mais importantes produtores de animações do planeta e acumulou recordes e mais recordes, como ter cinco filmes indicados ao Oscar e ter vencido um Oscar de Melhor Animação com A Viagem de Chihiro (2001), fazendo dele a única animação de língua não-inglesa a ter vencido nessa categoria.


E apesar ter seu estilo de animação consagrado no mundo dos cinemas, os Estúdios Ghibli preparam uma grande mudança para 2021, com o lançamento da primeira animação feita com a tecnologia 3D da Computação Gráfica: Aya e a Bruxa. Na corrida pelo Oscar desse ano, o longa já foi lançado no Japão no final de 2020 e está no HBO MAX dos EUA desde o início de fevereiro. Na trama, acompanhamos a história de uma menina órfã que é adotada por uma bruxa que a leva para uma casa mal-assombrada, onde ela vai aprender feitiçarias, já que os pais biológicos da garota tinham poderes mágicos. A princípio, o roteiro não parece tão criativo quanto os clássicos do estúdio e ainda tem a questão da diferença de estilo de animação, agora mais próximo do trabalho feito por PixarDreamWorks e afins. Por isso, os fãs tradicionais chiaram bastante quando assistiram ao trailer, criticando principalmente o uso do 3D em vez do tradicional anime 2D. Mas, na verdade, o filme segue a mesma receita de O Castelo Animado, que também adaptou uma história da autora Diana Wynne Jones. A obra matriz da vez é o livro Tesourinha e a Bruxa.

Divulgação/ Estúdios Ghibli.

Com direção de Gorō Miyazaki, filho do lendário Hayao Miyazaki, o filme é uma aventura sobre coragem, maturidade e música. De acordo com o diretor: “Em nosso país, o número de adultos está crescendo cada vez mais e o de crianças diminuindo. Os pequeninos estão sendo ignorados em prol do público adulto, portanto são tempos difíceis para as crianças de agora. Foi durante essa reflexão que conheci a obra que inspirou Aya [ e a Bruxa]. Então pensei ‘É disso que precisamos!'”. Com essa responsabilidade de promover um cinema voltado para o público infantil, realmente deixado de lado pelas últimas produções japonesas, o longa da Ghibli aposta num estilo de animação mais popular, que é justamente o 3D. E é interessante reparar como as influências ocidentais realmente existem, mas sem abrir mão em momento algum da aura japonesa. É possível perceber que é um filme dos Estúdios Ghibli, mesmo com a computação gráfica tomando o espaço do 2D, as características clássicas dos personagens foram mantidas.



Divulgação/ Estúdios Ghibli.

Talvez a maior referência ocidental a influenciar em Aya e a Bruxa seja o clássico da LaikaCoraline e o Mundo Secreto. Não apenas por trazer essa história com ares sobrenaturais voltada para o público infanto-juvenil, mas também por fazer uso de bonecos para ter um referencial de movimentações dos personagens, como pode ser visto no vídeo abaixo.

Ou seja, apesar do preconceito inicial para com essa mudança drástica, o Aya e a Bruxa é uma produção feita com muito carinho, envolvendo alguns dos maiores nomes do estúdio e que busca resgatar o amor infantil pelos longas animados japoneses. Além de toda essa boa intenção, o filme está na lista dos pré-indicados ao Oscar desse ano, o que reconhece a qualidade da história e da nova tecnologia aplicada ao filme. Infelizmente, ainda não temos previsão de lançamento de Aya e a Bruxa no Brasil. Existem alguns boatos de que talvez possa chegar lá para o final do ano. No entanto, os fãs brasileiros são muito fiéis e nutrem um carinho mais que especial pelos Estúdios Ghibli. Ou seja, as distribuidoras nacionais estão perdendo de lançar um grande produto aqui no país, que, com certeza, responderia bem ao filme caso estreasse no streaming o quanto antes.

Confira o trailer:

Aproveite para assistir:



Aya e a Bruxa não tem previsão de estreia no Brasil.

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