Por Gustavo Barreto

Aclamado universalmente nos videogames, The Last of Us agora precisará sobreviver em um novo território: a televisão

The Last of Us é um sucesso colossal. Não há muito o que dizer sobre o já clássico game da Naughty Dog que virou o mercado de cabeça para baixo em 2013 – ao priorizar não ter um mundo aberto e vasto como GTA V fez no mesmo ano e que inspirou o mesmo em tantos outros jogos, mas sim uma narrativa intimista e que realmente faça o jogador mergulhar na relação da dupla protagonista Joel e Ellie.

O mote geral da história é, à primeira vista, muito simples. O mundo foi vítima de um fungo infeccioso que transforma as pessoas em seres canibais conhecidos como “estaladores”, criaturas cegas que se baseiam em ruídos produzidos por meio de estalos. Vinte anos após o fim da sociedade o jogador acompanha Joel, um homem disposto a fazer o que for preciso para sobreviver e que ainda é assombrado por um episódio traumático. Ainda no início da jornada ele recebe o trabalho de levar a adolescente Ellie através do país, pois ela pode ter a chave para a cura da infecção.

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De acordo com uma matéria de Samit Sarkar publicada no site Polygon em 2018, nos primeiros 13 meses do jogo ainda em 2013 a Sony (distribuidora do game) reportou que o número de vendas havia atingido a marca de 7 milhões. Eventualmente quando a geração do Playstation 3, assim como a sétima geração de consoles domésticos como um todo, se encerrou e começou a geração seguinte encabeçada pelo Playstation 4, muitos títulos foram remasterizados para essa nova leva de consoles.

No primeiro mês o remaster gerou um milhão de cópias vendidas e em setembro de 2014 a quantia de vendas chegava a 8 milhões. Em uma postagem em uma rede social em 2018, a Naughty Dog confirmou durante o quinto aniversário de lançamento de The Last of Us que as versões para Playstation 3 e as de Playstation 4 somavam juntas 17 milhões de cópias vendidas.

No Metacritic, site que reúne as avaliações da mídia especializada e público sobre um determinado jogo, a versão do PS3 ficou com a nota de 95 no Metascore (realizada por avaliadores profissionais) e com 91 no User Score (avaliação popular). O jogo não só detém o selo Must-Play como também recebeu a avaliação de universalmente aclamado. O reconhecimento da obra veio também na forma de uma lista de prêmios que o jogo veio a receber nos anos pós lançamento.

Dentre eles é interessante notar que consta o prêmio do Sindicato de Escritores da América que, mesmo existindo desde 1949, passou a premiar videogames a partir de 2008. Em 2014, a história criada por Neil Druckmann venceu esse tão importante prêmio. Após tantos êxitos financeiros e técnicos não é de se espantar que uma adaptação em carne e osso viria.

Em 2020, a HBO confirmou que uma adaptação de The Last of Us estava em desenvolvimento inicial. O pouco que se tem confirmado é a presença do diretor dos jogos, Neil Druckmann, e Craig Mazin como produtores da série. Mazin ganhou reconhecimento ainda em 2019 por ter estado à frente da elogiada minissérie Chernobyl. Datas iniciais apontam a estreia para 2021, mas até o momento de publicação deste texto não há maiores informações sobre escalação de elenco ou datas.

Outro fator que torna o ano de 2020 tão importante para a marca é que em junho chegou às lojas The Last of Us Part II, a tão aguardada sequência que agora teria em Ellie sua protagonista e o seu amadurecimento pessoal como o norte da trama. Ao mesmo tempo que o jogo está quebrando recordes de venda, ele está em meio a uma recepção mista; a critica especializada aclamou a abordagem nova para a história e os gráficos, enquanto que uma fatia do público não gostou do caminho pelo qual a agora duologia seguiu. Ainda assim, o fenômeno da saga tem suas bases presas a algo muito anterior a 2013.

Chegando a Jackson (Ou considerações finais)

 O sucesso que The Last of Us obteve é única e exclusivamente pelos esforços da Naughty Dog em entregar uma experiência o mais humana possível para um videogame e com a tecnologia disponível. Só que quase tão importante quanto a jornada em si, protagonizada por Joel e Ellie (que se concluiu na chegada à cidade de Jackson, no estado do Wyoming), é o contexto em que ela nasceu e que foi essencial para moldar o cenário em que ela se basearia, e como seria a dinâmica dos personagens.

Havia uma demanda do público por mais produtos desse nicho, forte o suficiente para a Naughty Dog arriscar a criação de uma nova marca que diferia bastante de sucessos obtidos no passado como as sagas Uncharted e Crash Bandicoot (mais puxadas para a comédia e aventura). Esse mesmo contexto também mostrava um caminho estabelecido sobre o que dava certo até então para os jogos desse gênero e o que poderia ser feito para melhorar.

Essa mesma visão poderá ser lançada sobre a vindoura adaptação da franquia pelas mãos da HBO, já que o caminho do sucesso já foi traçado pelos jogos e caberá aos showrunners e ao canal se manterem fiéis ao material original e sábios o suficiente para realizar as adaptações que eventualmente forem necessárias para essa nova mídia. O contexto, como já dito, será essencial para se produzir e apreciar essa série.

Se você chegou até aqui após tantos parágrafos, e provavelmente está tão cansado quanto Joel e Ellie, saiba que agora está em Jackson e que esse é o momento de olhar para trás e apreciar, ou reapreciar, uma das grandes obras dos games em todos os tempos.

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