Em momentos chave em nossa vida o ser humano tende a parar e refletir. Seja após algum trauma profundo, uma grande oportunidade inesperada ou simplesmente quando simplesmente paramos para pensar no que estamos fazendo – eventualmente, paramos para pensar. É o que muitos de nós está fazendo nesse 2020. E é também o fio condutor de ‘A Última Nota’, drama que estreia essa semana nas plataformas de aluguel digital.

Henry Cole (Patrick Stewart) é um exímio pianista, adorado por centenas de pessoas ao redor do mundo. Porém, Henry sente-se velho, cansado e com uma espécie de bloqueio que lhe acomete de repente, e ele se sente paralisado ao ponto de esquecer o que está fazendo e o porquê de estar ali. Após uma apresentação, Henry participa de uma coletiva de imprensa, onde conhece Helen Morrison (Katie Holmes), uma jornalista do The New Yorker que se aproxima dele para tentar uma matéria exclusiva. E o que era para ser uma relação estritamente profissional evolui para uma amizade calcada na admiração mútua.

O roteiro de Louis Godbout alterna os momentos vividos por Henry no tempo presente com reflexões sobre a condição humana, narradas em off pela personagem Helen ao mesmo tempo em que transita por paisagens de tirar o fôlego na Suíça, em Nova York e outras locações. Os três atos – por vezes metafóricos – fazem o espectador acompanhar a sequência de espantos de Henry, seu deslocamento do tempo presente para memórias do passado e a eventual fusão entre os diversos tempos e memórias vividas. A maior parte dessa construção fica evidente ao espectador, porém, em uma história que parte tanto do pessoal – e sendo esse pessoal partícipe de um nicho tão elitista – o espectador meramente assiste ao desenrolar da história, sem criar conexão com ela.

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Salta aos olhos a capacidade de entrega de Patrick Stewart ao construir um personagem que é ao mesmo tempo admirado por todos, mas, por dentro, está desmoronando. Patrick facilmente consegue passar a sensação de desnorteamento diante da vida, de desamparo frente ao futuro, de abandono e desespero quando se flagra fazendo algo que não entende o motivo. É tão vívido, que é angustiante.

Embalado por belos conjuntos ao piano cujas partituras embalam a transição dos atos, ‘A Última Nota’ propõe uma pausa no cotidiano para questionarmos a mecanicidade de nossos atos e o tênue limite entre a eterna perda e a eterna esperança. Dada a circunstância em que estamos, é uma boa proposta, acompanhada por belíssimas paisagens que nos fazem sonhar.

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