Crítica | ‘Atraídos pelo Destino’ – A ingênua pretensão de unir a maturidade ao conto de fadas

Estava navegando no gigante catálogo do Prime Video quando me deparei com um nome que me remeteu a um clássico de Nicolas Cage que passava na sessão da tarde quando eu era um jovem estudante: Atraídos pelo Destino.

Mas esse filme que está lá no catálogo do poderoso streaming mencionado, e que dei o play para assistir, nada mais é do que um homônimo. Não tem nada a ver com a história de amor dirigida por Andrew Bergman há mais de 30 anos. Na verdade, é mais parecido – mesmo que por uma simples coincidência – a outro filme da década de 1990, O Guarda-Costas.

 

Dirigido por Óscar Pedraza, em seu primeiro longa-metragem da carreira, após assinar a direção de diversos seriados, como a ótima Sky Rojo (disponível na Netflix), Atraídos pelo Destino (2026) é inspirado em uma duologia, Enfrentados, escrita pela autora argentina Mercedes Ron – também criadora da saga Culpados. A obra nos leva até uma trama que mistura ação, suspense e sedução e que, por fazer parte de um contexto maior, já sabíamos que o final dessa primeira parte deixaria a história em aberto, algo que pode ser frustrante para quem não sabe que são dois livros: Marfil e Ébano.

Cena de Atraídos pelo Destino
Cena de Atraídos pelo Destino

 

Marfil (Ester Expósito) é uma jovem espanhola que mora em Manhattan e vive seus dias entre os estudos na faculdade de economia e as aulas de balé. Um dia, quando estava correndo em um parque, é sequestrada e rapidamente liberada. A situação deixa seu pai, o milionário e empreendedor Cortés (Pablo Molinero), preocupado, fazendo com que ele contrate um guarda-costas para ela, Sebastian (Hugo Diego Garcia). Precisando conviver um ao lado do outro, a protagonista e seu novo protetor começam a estreitar relações, enquanto uma trama cheia de mistérios começa a ficar disponível aos olhos deles.

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O ponto principal, e que logo percebemos, é uma ingenuidade gigante em tratar uma história de amor que tem a pretensão de ser algo maduro em um conto de fadas, ainda mais nos dias de hoje. À disposição, o velho olhar superficial para uma relação que une dois mundos completamente diferentes, com conflitos e mais conflitos marcados por conveniências disponíveis em cada cena. O roteiro insiste em se ausentar dos fatos, buscando em simbolismos nada envolventes chegar até dilemas sem provocações. Isso deixa a narrativa com problemas para se impor.

As cenas são bem feitas, seja na curta parte de ações, seja na composição do clima de intimidade focado no cenário principal, o apartamento. Há tentativas de maximizar ao máximo o clima caliente que vai se formando através de um contraste de cores e pela disposição de um enorme lugar, causando a sugestão de isolamento, algo vivido e sentido pelos personagens. Nesses valores técnicos, vale mencionar a fotografia competente de David Acereto.

Entretanto, a química em cena entre os artistas protagonistas é bem gelada, pecando por uma certa falta de naturalidade, algo que poderia deixar momentos mais marcantes. Esse fato vai ao encontro do que chamo de ‘primeira parte com o freio de mão puxado’, algo que acontece em algumas adaptações de sagas que precisam começar de alguma forma e, depois, tentam, por meio de complementos, preencher o que não se encaixou.

Atraídos pelo Destino terá sua continuação em Ébano, já finalizado, pois foi rodado simultaneamente a esta primeira parte. Esse desfecho deve chegar em meados de 2027, até então sem confirmação de data. Tomara que, na segunda parte, as inúmeras lacunas deixadas ganhem desenvolvimentos convincentes e que a trama chegue ao seu clímax com o máximo de possibilidades para convencer os milhões de fãs da obra literária.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.