Crítica | ‘Beladona’ – Distopia revela o despertar no envelhecer

CríticasCrítica | 'Beladona' – Distopia revela o despertar no envelhecer

Um dos pontos existenciais que, volta e meia, chega com forte pensar em nossa trajetória é o envelhecimento – um período da vida marcado pelas possibilidades de descobertas e desafios sociais. Buscando por meio de uma distopia apresentar questões ligadas à melhor idade, o longa-metragem francês Beladona chega forte com suas belas reflexões em breve no circuito exibidor brasileiro. Antes, foi um dos filmes integrantes do 2º Festival de Cinema Europeu Imovision.

Dirigido pela cineasta lituana Alanté Kavaïté, a obra nos leva para uma série de situações que colocam na vitrine o comportamento e os desejos, em uma abordagem que impulsiona o refletir sobre o envelhecer em um futuro mundo ainda mais opressor, onde a única saída é contar com a compaixão de quem enfrenta um sistema que não dá margens para respiros.

Gaëlle (Nadia Tereszkiewicz) é uma jovem que vive em uma ilha isolada, cuidando de algumas pessoas com idade avançada que se protegem de uma lei que atinge o continente, que consiste na obrigatoriedade de pessoas idosas serem internadas em instituições. Com a chegada da médica Aline (Daphne Patakia) e de sua família, uma renovação de alegria, desejos e apreensões começa a surgir para os habitantes do local.

Nadando a fortes braçadas rumo a um desfecho repleto de significados, nessa ficção científica, camuflada de drama existencial, percorremos tentativas de explorar um tema recheado de significados. Ainda assim, as camadas que se abrem não conseguem se traduzir na força que podia. Sob uma perspectiva de fora dessa realidade, uma jovem que se mantém paralisada no tempo para defender seus ideais, vamos sendo guiados para um despertar por meio de uma mudança de rotina e de um novo olhar para uma condição de limitações.

No mundo de hoje, com sérias restrições no mundo trabalhista, por exemplo, que invoca de maneira impiedosa um termo muito dito: o etarismo, um assunto como esse, proposto em um filme com múltiplas possibilidades, vai ganhando paralelos reais através da ficção. É interessante a proposta, que segue fielmente ao discurso sobre a importância de pensarmos sobre esse assunto. Poderia ser mais incisivo: algumas suavizações desaceleram a potência de suas mensagens – mas nada que atrapalhe muito a experiência.

Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.

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