Crítica | Black Mirror 4×05 – Metalhead

O Exterminador do Futuro

Três conceitos parecem definir a quarta temporada de Black Mirror. O primeiro, e mais louvável, é o maior destaque para presenças femininas nas tramas, impulsionando ou protagonizando os episódios. A segunda, são histórias focadas em tecnologias ligadas a chips e implantes em nossas mentes, com monitoramento de nossas cabeças e pensamentos – Arkangel, USS Callister, Crocodilo e Black Museum utilizam vertentes desta tecnologia, ou seja, quatro dos seis episódios. E finalizando, temos como uma constante na nova temporada, tramas simples, sem grandes complexidades no terreno da ficção científica ou humanas – como em temporadas passadas.

Metalhead funciona com a simplicidade de O Exterminador do Futuro (1984), de James Cameron, mas também com sua eficiência. Tudo o que precisamos saber aqui é que máquinas querem nos matar, num futuro pós-apocalíptico. Assim como o T-800 de Arnold Schwarzenegger, essas pequenas criaturas robóticas, parecidas com cachorros mecânicos, são implacáveis e não desistem nunca.

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Não há muita explicação também. Não sabemos de onde vieram estas máquinas, por que foram criadas e quem são estes membros da resistência. Mas aqui isso não importa muito, já que o episódio compensa em outras áreas, como na narrativa dinâmica e acelerada, e no alto nível de tensão. E assim como em produções cult independentes (todo feito em preto e branco, o primeiro da história da série, dando ar de cinema de arte), as lacunas são deixadas para que nós as preenchamos.

Metalhead também funciona como o filme de terror e ação da temporada. Reserva altos níveis de adrenalina e momentos de grande tensão. É essa eficiência que faz o episódio sobressair a outros que igualmente não exibem similaridade ao cânone de Black Mirror. A proposta aqui é “já que vale ser diferente, vamos entregar algo realmente diferente”.

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Dirigido por David Slade, do excelente Menina Má.com (2005), o terceiro nome de peso atrás das câmeras nesta temporada, o quinto episódio acompanha um grupo de sobreviventes em uma terra aparentemente devastada, invadindo um grande galpão atrás de um item. No local se deparam com a ameaça iminente de um pequeno robô, uma mistura entre cachorro e tatu. A criatura “bonitinha” não deixa que se enganem quanto a sua crueldade, e se mostra uma máquina de matar perfeita. O episódio é muito sangrento, inserindo grande nível de urgência na história.

A britânica Maxine Peake, no papel de Bella, é basicamente a única personagem da trama, e a Sarah Connor da vez. A atriz segura bem a história nervosa de sobrevivência. Pode não ser exatamente material de Black Mirror, mas é bom, e isso que interessa. Como ponto negativo, mais um desfecho incompreensível nesta temporada – que nem mesmo o escritor Charlie Brooker deve ter uma resposta convincente.

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