Adele fez sua estreia no mundo da música ainda em 2008, com o elogiado álbum 19, que já demonstrou uma incrível habilidade de composição que ia de encontro ao estilo que dominava o mainstream à época. Suas tendências mais clássicas e elegantes, que a tornaram um ícone do soul e do neo-soul, criaram um bem-vindo e explosivo conflito quando pareado ao ressurgimento do synth-pop e do electro-pop, roubando os holofotes por sua nostálgica originalidade e por suas pungentes baladas.

Não demorou muito até que a artista britânica ascendesse a um invejável patamar no cenário fonográfico, quebrando recordes de vendas e de premiações – e igualando-se até mesmo ao Rei do popMichael Jackson, ao ter seu álbum 21’ como o mais vendido de dois anos seguidos.

Entretanto, Adele nunca se apressou em entregar suas músicas – pelo contrário, sempre tomou o tempo necessário para focar em sua vida pessoal e extrair de um tumultuoso e conturbado cotidiano uma vulnerabilidade que poderia transformar em pura poesia. Por essa razão, esperávamos seu retorno há nada menos que seis anos, algo que finalmente se concretizou seis anos depois de seu último compilado de originais. Intitulada “Easy on Me”, o lead single de sua próxima jornada densa e autorreflexiva, 30, é exatamente o que esperávamos da performer (e isso definitivamente não é nem um pouco infeliz ou problemático).

Enquanto a cantora posa como uma adorável e engraçada mulher, as faixas que compõe tiram nosso fôlego e pintam um retrato melancólico, por mais otimista que as mensagens criadas sejam. Com a track supracitada, ela faz a mesma coisa, mas com um teor um tanto quanto diferente e que representa um belíssimo amadurecimento que levou mais de meia década para acontecer: logo de cara, as pesadas notas do piano contrastam com a leveza e a suavidade de seus poderosos vocais; e, como se não bastasse, Adele reconhece o processo de renascimento pelo que precisava passar, endereçando a turbulência que passou com seu último relacionamento com os emocionantes versos “não tive a chance de sentir o mundo ao meu redor”.



Apesar das pontuais redundâncias, que se restringem à primeira estrofe e à repetição melódica do refrão, nada está fora de sintonia – nem mesmo a sutil referência que presta à clássica “Heaven”, de Bryan Adams. E, à medida que novamente aposta fichas nas baladas soul (responsáveis por colocá-la no topo do mundo), percebe-se uma certa mudança estética que deve acompanhá-la no novo álbum e que resgata uma narcótica sensação de pertencimento e de reencontro que ela sempre soube criar com perfeição aplaudível.

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