Em entrevista à Rolling Stone, a vocalista e compositora Amy Lee, da icônica banda de rock Evanescence, comentou um pouco sobre as mensagens de “The Game Is Over”, segundo single oficial de seu aguardado álbum de inéditas The Bitter Truth – o primeiro em nove anos. Lee revelou que a canção discorre acerca de “estar cansado da facada. Os disfarces que usamos para fazer os outros se sentirem confortáveis, quando os sentimentos internos são bem diferentes do que mostramos para o mundo”.

De fato, o grupo formado em 1995 nunca deixou de realizar composições bastante críticas aos padrões impostos por uma sociedade massificada e homogênea, fugindo de quaisquer rótulos que as pessoas tentassem lhe impor – e, com o vindouro lançamento fonográfico, parece que o time está pronto para voltar às suas raízes com poderosos liricismos (mesmo que se valham de uma produção nostálgica demais para o ano em que nos encontramos).

Seguindo os passos da sentimental “Wasted On You”, que representou um retorno sólido o suficiente à forma em abril, “The Game Is Over” mergulha de cabeça em versos elegíacos. Guiado pelos poderosos vocais de Lee, esse hino de libertação já se inicia com uma luta épica contra as amarras que a impedem de ser quem é, eventualmente culminando na frase “detrás de nossos artifícios vãos, somos todos iguais”. É óbvio que, considerando a longa história da banda, escolher tais metáforas para exultar a individualidade do ser humano é um tanto quanto formulaica, ainda que funcione em grande parte.



Comandado pelas habilidosas mãos de Nick Raskulinecz (que já trabalhou com Evanescence em seu álbum homônimo lançado em 2011 e com nomes como Alice in ChainsApocalyptica), a produção traça um caminho, no geral, competente. Temos as guitarras clássicas dos anos 2000 acompanhadas da seca batida da bateria; temos o crescendo explosivo sustentado pela nota quase única de Lee no refrão; e temos um bridge bastante irreverente que, sem dúvida alguma, é a melhor parte da música. No topo de tudo isso, há um sutil flerte da própria composição instrumental com iterações já exploradas nas décadas anteriores, delineando laços com as reminiscências de The Open Door, (e a teatralidade gótica de suas inflexões musicais).

O principal deslize aqui encontrado é o complexo amalgamado de fragmentos que não combinam entre si: as mudanças sonoras são bruscas demais e tentam se segurar através da performer. E, como se não bastasse, ela se estende ao longo de extensos quatro minutos e meio, caminhando para uma resolução prática e singela que não exige demais dos ouvintes. No final, percebemos que há uma mudança significativa e bem-vinda na identidade entre esta faixa e a anterior – mas a consistência e a coesão ainda precisam ser lapidadas mais um pouco.



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