Com milhões de acessos em suas plataformas virtuais, o artista Hungria Hip Hop é um cantor consolidado no cenário nacional e ganha cada vez mais destaque na cena musical brasileira. No entanto, a caminhada até o estrelato não foi nada fácil: precisando conviver com vários tipos de violência que rodeavam seu início de trajetória, lutando para manter vivo o sonho que sempre teve.
Apresentando alguns momentos de sua trajetória até o sucesso, chega em breve aos cinemas brasileiros a cinebiografia do artista, Hungria – A Escolha de um Sonho. Dirigido por Izaque Cavalcanti e Cristiano Vieira, o projeto parte de sua adolescência, passa pela violência que sempre o cercou, oferecendo uma visão geral – sem muita profundidade – sobre fatos que marcaram sua jornada.

Gustavo (Gabriel Santana) é um jovem que sonha em ser um artista do rap. Filho de uma mulher batalhadora que trabalhou como empregada doméstica, e vivendo em meio à violência provocada pelo pai dentro de casa, ele e os irmãos buscam dias melhores, cada um com seus sonhos. Incentivado por amigos, principalmente Gabiru (Ramon Brant), Gustavo adota o nome Hungria Hip Hop, passa a se apresentar em pequenos shows e grava algumas músicas, indo atrás de alcançar visibilidade com seu trabalho.
Ser um artista reconhecido geralmente é o resultado de um mix de talento e sorte, mas um outro fator também marca muitas estradas: a resiliência. Explorando bastante esse último ponto, vemos a construção de uma trama simples e sem rodeios, que se apoia no núcleo familiar para alcançar a formação de identidade de um jovem sonhador que transformou sua realidade em música.

Dono de um estilo próprio, já evidente nas primeiras composições, tudo que enxergava ao seu redor virava inspiração. Entre os problemas familiares, o desejo de uma vida melhor e o duro cotidiano na periferia de Brasília, Gustavo driblava principalmente a violência através da sua arte.
A narrativa, que em alguns momentos carece de ritmo e não se traduz envolvente como um todo, segue o modo convencional, apresentando pinceladas de acontecimentos que compõem um recorte de sua vida.

Assim como milhares de brasileiros, Hungria foi em busca do que acreditava e, acima de tudo, acreditou em si mesmo. Dessa forma, rompeu barreiras dentro do próprio gênero musical que abraçou, mesmo diante de olhares duvidosos em relação a algumas canções que abordam a ostentação e a ascensão social, rotulando-o de maneiras que não desejava. Essa parte do filme, no entanto, passa batida, sendo citada de forma superficial.
Em resumo, Hungria – A Escolha de um Sonho cumpre o que promete de forma simples e objetiva: apresentar as verdades de uma trajetória que se mostrou de sucesso e que teve muitos quebra-molas pelo caminho.


