Começando sua carreira como atriz de soap opera, Kylie Minogue tornou-se uma powerhouse do mundo do entretenimento e sagrou-se não apenas como a princesa do pop australiano, como encontrou um sucesso sólido ao redor do planeta com produções que marcaram época e que encantaram os fãs. Desde sua estreia em 1988, Minogue nunca pensou duas vezes antes de deixar sua marca no cenário fonográfico e, apesar de ter recebido críticas inexplicáveis sobre uma “falta de identidade”, ela provou que veio para ficar.
Ao longo de uma expressiva carreira que está em vias de completas quatro décadas, a capacidade de reinvenção da performer é algo a ser admirado por completo: não é surpresa que ela saia a voz por trás de canções icônicas como “Can’t Get You Out of My Head”, “Spinnin’ Around”, “Get Outta My Way”, “All the Lovers” e “Padam Padam” – conquistando duas estatuetas do Grammy e mais centenas de prêmio através de uma discografia que nunca deixa de nos satisfazer e de nos encantar. Com sua merecida ressurgência nos anos 2020, em virtude do sucesso dos álbuns ‘DISCO’ e da duologia ‘Tension’, Minogue voltou a cimentar seu legado com uma identidade apaixonante e que une o escapismo das pistas de dança a uma melancolia contemporânea que nos envolve logo de cara.
Neste último dia 20 de maio, a cantora e compositora ganhou uma série documental intitulada ‘KYLIE’ e que já está disponível para todos os assinantes da Netflix. Explorando a vida, os temores, as angústias e as felicidades de um dos nomes de maior respeito da indústria, o projeto veio acompanhado de uma canção original, “Light Up”, que reúne todos os conhecidos elementos da carreira de Minogue em uma celebração testamentária e antêmica que navega pelo melhor do pop e nos entrega uma mensagem de bonança e de positividade que já é bem característico da artista.
Responsável pelos versos ao lado de nomes como Chris Martin, vocalista da banda de rock Coldplay, e Biff Stannard, Minogue se apropria dos convencionalismos de tantas outras músicas similares, pegando páginas emprestadas do trabalho que Taylor Swift e Pink fizeram em seus respectivos documentários, mas pincelando os tropos com uma deliciosa declaração de amor e de vulnerabilidade que nos arrebata assim que chega ao primeiro refrão. Aqui, a sutileza dos sintetizadores se mescla com as notas do violão e da bateria para construir uma narrativa de libertação e empoderamento que embarca num crescendo poderoso – e que traz inspirações de seu trabalho em ‘Tension’, principalmente no tocante à cadência e à performance.
Minogue não apenas constrói um hino humano sobre empatia e sobre comunhão, mas se apropria de uma espécie de “melancolia esperançosa” em um estilo mais constrito de “Vegas High”, por exemplo, fazendo questão de unir letargia e euforia em uma compreensão contundente de que existe a calmaria e a paz após a tempestade – e, no final das contas, é exatamente isso o que esperávamos de uma canção tão vibrante quanto esta, que apenas um nome como Kylie poderia nos dar.
Lembrando que a música e o documentário já estão disponíveis no streaming.




