Crítica | Mãe! – Terror Provocador com Jennifer Lawrence estreia na Netflix

Disponível na Netflix

Sabe quando você está tendo um pesadelo e não consegue acordar? O terror e o desespero começam a tomar conta do seu corpo e você não sabe como reagir, ou seja, se chora ou se grita ou não se move. Este é o angustiante cenário montado por Darren Aronofsky (Noé) para nos envolver na alegoria religiosa de Mãe!, em que cada personagem sem nome próprio representa simbolicamente o nascimento do cristianismo.

Diferente de Noé (2014), última obra do cineasta, este não é um filme bíblico, mas cheio de referências do livro sagrado. No início, um casal, formado por Jennifer Lawrence e Javier Bardem, vive isolado em uma enorme casa. Enquanto ela é responsável por restaurar toda a estrutura do palácio, ele passa os dias buscando inspiração para escrever mais uma história. Até que uma noite, um estranho (Ed Harris) bate à porta, se apresenta como médico e diz que confundiu a grande casa com uma pousada.

Confusa e contrariada com a situação de ter um desconhecido sob o seu teto, Jennifer Lawrence mantém o tom educado ao lidar com o seu desconforto até mesmo quando a esposa do forasteiro (Michelle Pfeiffer) surge e se impõe como dona do espaço.

Paulatinamente, vamos sentindo o desconforto de Jennifer Lawrence com a presença dos indesejados hóspedes. A atriz desempenha uma brilhante performance com tons comedidos da personagem recatada a entregas dramáticas quando tudo começa desmoronar. A câmera passeia bem de perto pelo seu rosto e corpo, conduzindo-nos durante toda projeção. Assim, pouco a pouco, a casa se torna uma espaço de agonia.

Diferente dos delírios de Réquiem para um Sonho (2000) e Cisne Negro (2010), Mother! se apega ao sentido literal, mas na linha do surrealismo. Isso porque os acontecimentos são totalmente inesperados e fora de dimensão aceita como social. Mesmo convivendo com o crescente caos, Jennifer Lawrence tenta manter o seu lar intacto, enquanto o marido está mergulhado na vaidade e busca receber o amor de desconhecidos. A ideia de ser adorado pelo casal estrangeiro o fortalece, tal como um alimento para o corpo.

Lawrence entrega todo o seu talento que já lhe rendeu três indicações ao Oscar e, talvez, mais uma para o próximo ano.

Javier Bardem desempenha brilhantemente o seu papel de sedutor e dominador. Ele é o poder sobre todas as coisas e, principalmente, sua esposa. A benevolência de suas ações durante o filme nos causa mais aflição, sua maior necessidade é ser amado acima de todas as coisas. Vocês já ouviram isso antes, não? Sua presença, no entanto, não é tão marcante quanto a de Michelle Pfeiffer, mesmo em papel secundário.

Mãe! não é um filme de horror, não há cenas de sustos, entretanto, é aterrorizante como a câmera segue Jennifer Lawrence por todos os lados, detalhando cada processo de travessia da personagem da confusão, apaixonamento, horror, aflição, medo até a redenção.

É uma obra questionadora em todos os momentos, todos os detalhes significam e é bom prestar atenção ao que se passa, principalmente na casa, um dos maiores elementos dessa fábula macabra. Por mais confuso e difícil de comprar a ideia principal, já que o filme nos envolve em uma proporção de absurdos, Aronofsky presenteia o público com uma singela explicação, o que transforma este longa em uma obra fantástica. Mãe! é um filme artístico, figurativo e provocador, portanto, é para ser digerido lentamente e como muita interpretação. Se você gosta de desafios, divirta-se!

Notícias

Confira o teaser inédito de ‘Estilhaços’, nova série de SUSPENSE de Ryan Murphy

Foi divulgado um teaser inédito de 'Estilhaços' (The Shards),...

Prime Video escala DOIS novos atores ao elenco da adaptação ‘Sex Criminals’

Segundo o Deadline, o Prime Video escalou dois novos atores ao elenco de...

‘Pluribus’: Assista aos HILÁRIOS erros de gravação da 1ª temporada!

'Pluribus', a nova série do aclamado realizador Vince Gilligan ('Breaking...

Charli XCX lança “Camera”, novo single de seu próximo álbum de estúdio

A cantora, compositora e produtora Charli XCX lançou o quarto...
Letícia Alassë
Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.