Uma das coisas positivas que veio nesse ano de 2020 foi uma maior abertura das plataformas de streaming em oferecer produções de outros países que fugissem do eixo hollywoodiano. É assim que tivemos a oportunidade de conhecer, em julho, a série ‘Nas Montanhas da Coruja’, cuja segunda temporada estreou recentemente na Netflix.

Dessa vez, a trama já começa engatilhada com o desaparecimento de Nina (Magdalena Zak), e seu pai – o chefe da polícia Trela (Andrzej Konopka) – acaba se afundando na bebida. Com isso, Ada (Helena Sujecka) fica sobrecarregada, ainda mais agora que seu ex-marido está concorrendo à eleição de prefeito junto com o atual representante, Paszke (Miroslaw Kropielnicki). Para ajudar o pai, Agata (Helena Englert) decide revender parte das drogas produzidas pelo padre Jonasz (Andrzej Mastalerz), mas, no meio do caminho, um carro de turistas desaparecidos é encontrado na beira da estrada e uma bebê aparece vagando pela floresta. Tudo isso faz com que em pouco tempo a pequena cidade de Sowie Doly aumente consideravelmente o índice de criminalidade e a eficiência do trabalho de Ada e Trela seja colocada em cheque.

O que o espectador da primeira temporada descobriu é que essa pacata cidade de Sowie Doly, nas cordilheiras de ‘Nas Montanhas da Coruja’, possui segredos baseados em fatos reais: esconderijos construídos por soldados nazistas, segredos enterrados nas montanhas, corpos camuflados na floresta e empreiteiras que querem construir no local para que através desses investimentos possam se apropriar e ocultar esses episódios do passado na Polônia. Soma-se a isso uma pitada de sobrenatural, de misticismo e de religião cega e está construído o pano de fundo da série. Porém, assim como na primeira temporada, os novos capítulos pouco exploram esse panorama tão interessante – que ficam, na verdade, relegados para os últimos três episódios, e, mesmo assim, de maneira beeeem au passant.



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Se o que seria interessante na trama não ganha os holofotes, ‘Nas Montanhas da Coruja’ volta a focar em seus personagens principais – que, por suas vezes, não evoluíram e permanecem extremamente chatos. De todos os núcleos, o que melhor funciona continua sendo o da personagem Ada, que desde a primeira temporada é relegada a assistente de polícia, submetendo-se a um chefe mal-humorado e antipático, que infelizmente também é o protagonista. E esse continua sendo o principal problema do roteiro essencialmente escrito por Blazej Przygodzki, com a colaboração de outras nove pessoas: o de não explorar melhor o panorama histórico bizarro da região e construir personagens entediantes e sem carisma.

E, nesse ponto, podemos atribuir a parcela de responsabilidade à direção de Jakub Miszczak, que se atém a tomadas longuíssimas de transição (cenas de personagens saindo do carro e andando até o ponto x; cenas de personagens caminhando pela floresta até o ponto y, etc) e, em contrapartida, os momentos-chave da trama (por exemplo, quando determinada personagem volta a falar) são acelerados, pouco explicados, relegando ao espectador a obrigação de entender sozinho o que aconteceu.

Se a primeira temporada de ‘Nas Montanhas da Coruja’ é sonolenta, a segunda é uma total perda de tempo. Dá para resumir os pontos principais em meia hora. Porém, se você é desses espectadores que não desistem daquilo que já começou, uma boa dica é utilizar o artifício de aceleração disponível na Netflix; com uma história tão devagar, agilizar a velocidade não causa nenhum prejuízo nessa série.



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