Samantha Andretti (Valentina Bellè) foi sequestrada há 15 anos. E agora foi encontrada à beira de uma estradinha remota e com a perna quebrada. Ao seu lado está o Dr. Green (Dustin Hoffman), que lhe faz uma série de perguntas na tentativa de traçar o perfil do sequestrador. Em paralelo, o detetive particular Bruno Genko (Toni Servillo) foi diagnosticado com uma doença no coração e está com os dias contados, por isso resolve dedicar seus últimos dias de vida em tentar solucionar um antigo caso seu: o do sequestro da jovem Samantha. Com dois métodos distintos, ambos os homens buscam encontrar o criminoso, mas qual deles conseguirá chegar à verdade primeiro?

Inspirado nos círculos do submundo de ‘A Divina Comédia’, do escritor Dante Alighieri, ‘O Labirinto’ possui uma plasticidade bem marcante em cada um dos seus núcleos, e essa característica salta aos olhos do espectador desde o primeiro momento. Os cenários centrados em mulheres que não a protagonista têm paredes vermelhas, remetendo à luxúria; o departamento de pessoas desaparecidas tem um tom verde-musgo que contrasta com a foto das vítimas ao fundo; a casa em que Genko vai entrevistar uma senhora é rodeada por labaredas de fogo, consequência dos incêndios na Itália, que enfrenta uma terrível onda de calor; até mesmo o labirinto-prisão, como diz a própria Samantha, é cinza, escuro e sufocante. Em formatos arredondados, esses cenários ajudam a construir uma sensação infernal e confinante ao longa, e corroboram a inspiração do diretor.



O roteiro de Donato Carrisi, que é inspirado em seu próprio livro, traça duas histórias em paralelo para imergir o espectador no thriller psicológico, que são as memórias do confinamento da protagonista, acompanhado pela caça do detetive ao bizarro sequestrador, vestido como coelho e se escondendo no mato. O background repugnante do vilão é erigido de maneira bem atraente para o espectador, de modo que por mais reprovável que ele seja, nós nos sintamos inclinados a querer saber mais dele, vê-lo em cena com aquela máscara assustadora. Numa pegada estilo ‘Jogos Mortais’, ‘O Labirinto’ vai cozinhando uma sensação de angústia e de fascínio à essa figura grotesca.

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O mesmo Donato Carrisi é responsável pela direção do longa, e a conduz com eficiência, embora o núcleo da protagonista se assemelhe mais à uma peça de teatro, com cenas gravadas soltas para serem inseridas posteriormente ao núcleo paralelo do detetive, que ocupa a maior parte da trama. Isso causa a impressão de que Dustin Hoffman soa meio superficial no papel, literalmente entrando em cena toda vez que a história retorna ao centro médico onde ele conduz a entrevista. Fica destoante, mas não prejudica o projeto.

Quase todo falado em italiano, ‘O Labirinto’ é um thriller psicológico bem intenso, que prende o espectador do início ao fim. Com um vilão bizarro e interessante, e uma história instigante, é uma ótima pedida para quem curte filmes nos quais você é convidado a juntar as peças de um quebra-cabeças dentro de outro quebra-cabeças, pois é esse o jogo psicológico que o filme propõe. O longa chega essa semana aos cinemas brasileiros.



 

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