Numa escola do interior da França, uma tragédia acontece: o professor de literatura se suicida na frente dos alunos, jogando-se do telhado do prédio. Como o ano letivo já havia começado, a escola resolve contratar Pierre Hoffman (Laurent Lafitte, maduro e consistente no papel) como professor substituto. Porém, já no primeiro dia de aula Pierre entende que terá problemas em sala: é que um grupinho de seis alunos se acha especial demais, colocando em cheque a autoridade e a competência do novo professor.

O que começa como um incômodo no ambiente de trabalho, rapidamente se transforma em algo perigoso, e Pierre tem certeza de que seus alunos estão tramando alguma coisa terrível.

Através do artifício do professor substituto – que funciona como um observador da história –, o diretor Sébastien Marinier (que também escreve o roteiro, junto com Elise Griffon) traz para discussão o tema do perigoso tédio que a geração millennial (jovens nascidos a partir dos anos 2000) sente, e o quanto essa angústia existencial está levando toda uma geração a uma apatia coletiva, que culmina em jogos imprudentes em que os limites de cada um são testados e uma constante necessidade de justificar sua infelicidade profunda culpando as questões mundiais fora de alcance. Por outro lado, como a história se passa na França, o espectador tem um retrato aproximado do quanto a realidade naquele país mudou após os constantes atentados terroristas – por exemplo, nas escolas, em vez de treino contra incêndio (que já vimos em muitos filmes holliudianos), as crianças têm treino contra ataques terroristas. Ou seja, se alguém invadir o colégio atirando, por exemplo, as crianças são treinadas para se esconderem contra a parede, recolherem todo o material de suas carteiras (para que o invasor ache que a sala está vazia) e colocarem o celular no modo avião (para não receberem nenhuma chamada durante a invasão, e, assim, não se colocarem em risco). Triste realidade, não?

A atuação dos jovens atores é o ponto alto de ‘O Professor Substituto’, mantendo a tensão e o nervosismo desde a primeira cena em que aparecem, manipulando, chantageando, ameaçando e confrontando todos os adultos. O destaque vai para a líder do grupinho, Apolline (Luana Bajrami), fria e calculista, que assedia os amigos – Clara (Adèle Castillon), Victor (Victor Bonnel), Dimitri (Leopold Buchsbaum), David – para que sigam suas instruções e se tornem inabaláveis.

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Apesar de uns deslizes convenientes e umas pontas soltas do roteiro (especialmente no terceiro ato), ‘O Professor Substituto’ é um bom filme que alerta para a delicada e conturbada adolescência de uma geração que está crescendo sem perspectivas de vida.

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