Filme assistido durante o Festival de Toronto 2020

Cheio de metáforas e simbologia, a vida da atleta Sam Bloom é naturalmente surpreendente por suas vitórias em meio a tantos obstáculos. E como alguém que renasceu das cinzas ao lado da inesperada companhia de um pássaro, ela acabou criando suas próprias asas, uma vez que o vigor de suas pernas lhe havia sido tirado. E na cinebiografia Penguin Bloom, essa trajetória de renascimentos e redescobertas – que já possui um doce toque do extraordinário – ganha vida diante da audiência, em uma drama cheio de coração e delicadeza, embora seja pouco memorável.


É equivocado chamar Penguin Bloom de piegas e sentimentalista. Mensurar a dor e as sequelas de um acidente tão grave como o vivido por Bloom, sem sequer ter passado por qualquer experiência remotamente semelhante, é presunção. E justamente por tentar dimensionar com precisão excessiva esses sentimentos da atleta, o diretor Glendyn Ivin acaba por seguir em direção a um caminho mais emotivo, explora as alterações emocionais da personagem e entrega seu filme nas mãos de Naomi Watts, que se apropria da trama e entrega um show de atuação.

Baseado nas biografias Sam Bloom: Heartache & Birdsong e Penguin Bloom, o drama conta a inspiradora história de Samantha Bloom, uma mulher que sofreu um grave acidente durante suas férias na Tailândia, ao se apoiar em um corrimão de madeira em deterioração. Sofrendo com uma paralisia do tórax até os demais membros inferiores, ela digladiu com o seu próprio desejo de viver e encontrou na canoagem uma nova forma de reinventar a sua vida e sua percepção sobre si mesma. Se tornando uma canoísta campeã após tantos contratempos, ela aprendeu com a simplicidade de um pássaro o poder das asas que sempre carregou em si.

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E é essa conexão, que quase se assemelha a um roteiro mirabolante à la Hollywood, que torna Penguin Bloom um drama tão emocionante. Construindo a história de Sam em contraste com a deste pequeno pássaro resgatado pelos seus filhos, testemunhamos dois personagens tão distintos, mas tão semelhantes, tentando aprender a voar à sua maneira. Essa analogia – que é um genuíno relato real – foi uma peça pregada pela própria vida de Samantha e traz um ar doce e pueril à trama. E nos ajudando a identificar com a jornada da protagonista, o longa nos leva à reflexões sobre como pequenos instantes são capazes de mudar o curso das nossas vidas e como esses efêmeros e emblemáticos momentos afetam todos ao nosso redor.

Sob uma fotografia natural que explora a riqueza de uma paisagem quase bucólica, Penguin Bloom é banhado pela luz do dia, que se contrapõe à fase mais sombria da protagonista. Se apoiando mais nas atuações de Watts e Andrew Lincoln, o filme peca por ser óbvio demais em sua construção narrativa, é linear em todos os sentidos e tem dificuldades de se destacar dos demais dramas do gênero, como o excepcional vencedor do Oscar, A Teoria de Tudo. Contando uma história tão particular de forma excessivamente segura, Ivin não inova, mas consegue equilibrar sua produção ao colocar Watts e Lincoln no centro dos holofotes. Brilhante, cru e com uma química extraordinária, a dupla de protagonistas carrega o filme nas contas. Mas ainda assim, em meio a todas as suas fraquezas, Penguin Bloom consegue ressurgir com um forte caráter emocional, que é capaz de cativar qualquer coração sensível.

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