Histórias inspiradoras, especialmente quando baseadas em fatos que aconteceram com alguém, geralmente rendem bons filmes, que causam sensação de bem-estar e inspiram o espectador a pensar como ele ou ela podem mudar suas vidas e se tornar pessoas melhores. Essa é a proposta oculta em ‘Somos Todos Iguais’, filme de 2017 que chegou recentemente à Netflix e, desde então, não sai do Top 10 dentre os mais assistidos da plataforma.

Tudo começa com Ron Hall (Greg Kinnear), um negociador de obras de arte que vive e circula por um mundo rico e sofisticado. Após revelar à esposa, Debbie (Renée Zellweger), que havia tido um caso, Ron se surpreende com a reação dela: em vez de brigar e querer se separar, Debbie faz com que ele participe com ela de uma missão comunitária de ajuda às pessoas em situação de rua. Certo dia, Debbie tem um sonho com um homem misterioso, Suicide (Djimon Hounsou), que mais tarde eles descobrem ser Denver Moore, um homem extremamente violento e agressivo. Debbie está certa de que seu sonho é um chamado, e convoca o marido a ajudar este homem, custe o que custar. O que eles não esperavam é que esse gesto fosse ter um impacto tão positivo na família deles.



Inspirado no livro escrito pelos próprios Ron Hall e Denver Moore, ‘Somos Todos Iguais’ é um filme que até escorrega na clássica versão do branco salvador, mas traz um diferencial: por vezes o longa é intercalado pela narrativa e o ponto de vista de Denver. Isso faz com que o filme não seja o tempo todo pelo viés da família branca rica cheia de boa intenção que ajuda aos pobres dando-lhes prato de comida. Para além disso, o longa dedica parte de sua produção a contar a história de Denver – que faz uma incisiva crítica à branquitude, ao processo colonial estadunidense e ao racismo naquele país – e como a recorrência desses elementos causa traumas que impede com que as pessoas pretas consigam, de alguma forma, algum dia se sentir à vontade e confiar em pessoas brancas. Esse é o núcleo mais interessante do filme.

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O filme de Michael Carney se divide em três partes: a vida vazia de Ron, que muda completamente a partir da missão; a inspiração de Debbie, cuja vida não é muito abordada, resumindo-se apenas a ser esse instrumento de articulação do bem; e a já mencionada vida primeva de Denver. Chama muitíssimo a atenção, porém, a aparição de Renée Zellweger no filme: de cabelos castanhos e bem magra, ela aparece irreconhecível na produção. Não fosse a voz e o jeitinho dela, que os fãs tanto conhecem, seria bem difícil dizer que é ela no papel de Debbie Hall.

Somos Todos Iguais’ é um bom filme, que não se limita a uma única narrativa salvadora. Apesar do título em português que vai de encontro à proposta do longa (o filme explicitamente fala que não somos todos iguais, mas sim que somos todos diferentes e nos aproximamos por nossas diferenças), é uma produção inspiradora, que cai como uma luva nesses tempos em que há tantas pessoas precisando de todo tipo de ajuda em nosso país. Uma boa dica para se ver, a tempo de mudar a vida de alguém nesse fim de ano.



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