Você alguma vez já pensou se fez a escolha certa sobre um determinado assunto na sua vida? Já imaginou como seria se tivesse ido por um caminho diferente? O quanto essas escolhas estavam diretamente ligadas ao seu sonho de vida? O quanto você abriu mão e o quanto você se dedicou a esse sonho?

Essas são as perguntas que permeiam os 100 minutos de duração do longa ‘Tigertail’, novo longa da Dona Netflix. Filmado parcialmente em Taiwan, o filme estadunidense é essencialmente falado em taiwanês, com poucos diálogos em inglês. Essa escolha acertada do diretor Alan Yang ajuda a aproximar o espectador de uma realidade bastante rural e distante da nossa rotina em cidade cosmopolita.


O título, não traduzido na versão brasileira, faz menção ao bloco econômico ao qual Taiwan faz parte, autodenominado de Tigre Asiático, composto conjuntamente por Cingapura, Hong Kong e Coreia do Sul – sendo Taiwan o menos desenvolvido de todos, e, portando – em se tratando do animal que na cultura chinesa significa o mais poderoso de todos –, comparativamente é como se Taiwan estivesse mesmo no rabo desse imponente animal, na parte menos enérgica dele.

O drama começa por volta de meados da década de 1960 e acompanha a vida do jovem Pin-Jui (Hong-Chi Lee) que, quando pequeno foi enviado para viver com a avó nos campos de arrozais no interior de Taiwan. Lá ele conhece Yuan (Yo-Hsing Fang), que, anos mais tarde se tornará o grande amor da sua vida. Só que Pin-Jui é deslumbrado pelos Estados Unidos e tem o sonho de um dia ir para lá. Entretanto, ele e a mãe são pessoas muito pobres, que trabalham arduamente para sobreviver. Um dia, porém, Pin-Jui recebe uma oportunidade de se mudar para os Estados Unidos, só que o convite vem com um preço a pagar, uma escolha a fazer – e é aí que o longa alcança o seu propósito.

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Em uma camada mais profunda, ‘Tigertail’ joga luz sobre o drama vivido por centenas de milhares de imigrantes mundo afora – e, mais especificamente, por aqueles que decidem se mudar para os EUA. Todas as coisas que precisam ser deixadas para trás em nome do dito sonho… até que ponto é sonho e em que momento se torna sacrifício? Todas as pessoas, memórias, histórias, datas importantes de que se abre mão… tudo para estar em um outro país, talvez em busca de melhor condição de vida, talvez como refúgio de si mesmo. E, uma vez nesse novo país, novas escolhas são demandadas, por vezes apagando a raiz, a língua, a origem e a cultura desse imigrante.

Essas reflexões são apresentadas em ‘Tigertail’ através de flashbacks do personagem principal em conflito com a falta de tato para conversar com a própria filha, Angela (Christine Ko), o que também corrobora a imagem de que esses imigrantes endurecem com o tempo, seja pelo afastamento de sua própria identidade, seja pelas inúmeras concessões dadas ao longo da vida. É assim que o roteiro do diretor Alan Yang faz um retrato bastante sensível do drama sofrido pelos imigrantes, e o potencializa ao expor uma cultura diametralmente oposta à estadunidense, como é a taiwanesa.

Com boas atuações e uma fotografia poética, ‘Tigertail’ é um filme que nos convida a refletir sobre nossas próprias escolhas e nas consequências delas em nossas vidas.


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