Crítica | Trickster – O Agente do Caos – Globoplay traz série canadense fantasiosa indígena

CríticasCrítica | Trickster – O Agente do Caos – Globoplay traz série canadense fantasiosa indígena

Jared (Joel Oulette) é um adolescente que vive em uma cidade pequena, vai à escola e trabalha no atendimento de drive tru de uma lanchonete. Sua história poderia ser como a de qualquer outro jovem, porém Jared tem uma mãe, Maggie (Crystle Lightning) que fala sozinha e que faz uso de substâncias ilegais, e um pai, Phil (Craig Lauzon), que suga financeiramente o próprio filho. Eis que a chegada de Wade (Kalani Queypo), velho amigo de Maggie e Phil, abala a estrutura já frágil do casal separado, pois ele alega ser pai de Jared e, com isso, segredos obscuros do passado irão vir à tona.

Resumidamente, a história de ‘Trickster – O Agente do Caos’ é chata. Bem chata. E muito tumultuada, com elementos que parecem concorrer entre si, em vez de somar para o bom andamento da trama. O que é uma pena, pois mostra que a adaptação dos best-sellers de Eden Robinson não foi bem-sucedida.

Escrita por Michelle Latimer, Tony Elliott e Amber-Sekowan Daniels, a série de seis episódios com média de quarenta minutos cada é centrada em um universo adolescente, mas com temáticas e personagens bem adultos. Assim, ao mesmo tempo em que vemos Jared manifestar preocupação com seu rendimento escolar, vemos ele mesmo produzindo drogas sintéticas em casa e lidando com uma mãe que bota pra dentro de casa seu próprio fornecedor de drogas. No meio disso tudo, Jared descobre que é filho de um Trickster, uma espécie de fenômeno fantasioso-sobrenatural oriundo dos povos norte-americanos. Nessa salada toda, ainda sobra espaço para a criação de personagens extremamente agressivos, nem um pouco carismáticos e cujas histórias não engajam o espectador.

Desenvolvida para ser uma história de humor sombrio adolescente, ‘Trickster – O Agente do Caos’ é qualquer coisa menos isso. Partindo de uma proposta de um thriller sobrenatural indígena, os elementos indígenas em si são poucos e mal explicados, o que demonstra que só estão ali para justificar a trama, não para construí-la. Tivesse sido bem feitinha, seria uma ótima oportunidade para apresentar uma história que mergulhasse nas lendas originárias dos povos do extremo norte das Américas e trazer algo novo aos espectadores.

A produção dirigida por Michelle Latimer não consegue se decidir qual público quer atingir: o jovem adulto, o adulto ou aqueles interessados em novas narrativas dos povos originários. Confusa, a série acaba por não agradar ninguém, com sua história arrastada que vai para todos os lados menos pra frente. Disponível na Globoplay, ‘Trickster – O Agente do Caos’ (aliás, o que é esse subtítulo, gente?), porém, foi cancelada e não teremos uma segunda temporada.

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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