Lançado com certa expectativa de se tornar o novo O Discurso do Rei (filme vencedor do Oscar de 2011), Um Final de Semana em Hyde Park passou de forma basicamente despercebida em sua estreia norte-americana no final de 2012. O filme recebeu apenas três indicações a prêmios: a de melhor ator em uma comédia ou musical no Globo de Ouro para Bill Murray (Moonrise Kingdom), melhor atriz no Satellite Awards para Laura Linney (O Quinto Poder), e venceu o prêmio de melhor atriz coadjuvante para Olivia Colman (A Dama de Ferro) no British Independent Film Awards.

O motivo da comparação se deve pelo fato dos dois filmes usarem como pano de fundo um momento histórico político real, mas em seu centro apresentarem o relacionamento conturbado e humano de seus protagonistas. Tudo com forte teor politicamente correto, e pronto para agradar gregos e troianos (bom, talvez mais O Discurso do Rei). Além disso, o próprio Rei George VI (o regente gago personificado por Colin Firth no vencedor do Oscar), afetuosamente chamado de Bertie, dá as caras como um dos personagens centrais aqui. Um Final de Semana em Hyde Park aporta no Brasil um ano depois de seu lançamento nos Estados Unidos, tendo todo o hype da produção passado.

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A trama apresenta o fim de semana no qual os monarcas recém tronados (o Rei George e sua esposa, a Rainha Elizabeth) viajam até a propriedade campestre do presidente americano Franklin Delano Roosevelt (ou FDR, o 32º regente do país) – papel de Bill Murray – para estreitar as relações dos países  e pedir apoio durante a Segunda Guerra Mundial que estourava. Todos os elementos estavam lá para gerar o prestígio de uma produção indicada ao Oscar. A performance de Bill Murray como FDR é o melhor momento do filme. O ex-Caça Fantasma se tornou um bom ator dramático em sua fase madura, e esse talvez seja um dos maiores desafios de sua carreira.

Alguns problemas tomam conta da obra do diretor Roger Michell (Um Lugar Chamado Notting Hill), no entanto. E todos se convergem em um: a personagem da talentosa Laura Linney, que interpreta a prima distante do presidente. A solitária e triste mulher não possui uma vida própria e vive para cuidar de uma tia com quem mora. Ao ser lembrada e convidada como uma das hóspedes da propriedade durante o evento, a vida da mulher passa repentinamente de 0 a 100, e se ilumina. Logo, os primos passam a desenvolver um relacionamento bem próximo e íntimo, para dizer no mínimo. A obra tenta sem sucesso fazer de Daisy (a prima), uma heroína lírica, narrando maravilhada cada pequeno detalhe ocorrido. O que por consequência transforma o protagonista no grande vilão da história.

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Ao tentar voltar atrás numa cena na qual o presidente e o Rei se abrem um para o outro de forma fraternal expondo seus maiores medos e defeitos, talvez seja tarde demais para redimir esse sujeito que realizou grandes feitos profissionais, mas cuja índole o transforma num ser desprezível. FDR é retratado como um machista egoísta que usa a companhia de mulheres a seu bel prazer, e as dispensa com a mesma facilidade. Na lista estão a prima Daisy, e sua sofrida mulher, Eleanor (interpretada de maneira magistral, e com uma grande prótese dentária, pela ótima Olivia Williams, de Anna Karenina). A pretensão aqui é criar uma obra agradável e para cima, mas o bom gosto nem sempre fala mais alto. Não deixa de ser curioso e interessante para os amantes de história. Nunca um cachorro-quente foi tão decisivo.

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