[ANTES DE COMEÇAR A MATÉRIA, FIQUE CIENTE QUE ELA ESTÁ RECHEADA DE SPOILERS]

Se você ainda não assistiu ao segundo episódio de What If…?, não leia esta matéria para não receber spoilers.

Na última semana, com a estreia de What If…? e a história da Capitã Carter, ficou uma sensação estranha de que a Marvel seria mais conservadora nesta série e não exploraria tanto as possibilidades de um universo alternativo, fazendo apenas versões diferentes dos personagens, enquanto seguia as mesmas histórias dos filmes. No entanto, esse segundo episódio veio para mudar essa primeira impressão negativa do primeiro capítulo.



Imaginando o que aconteceria se os Saqueadores capturassem T’Challa em vez de Peter Quill, na Terra, o segundo capítulo faz justiça às palavras do Vigia (Jeffrey Wright) de que um único momento pode alterar os rumos de todo o universo. No linha do tempo original do MCU que já fora trabalhada, Yondu (Michael Rooker) sequestrou um jovem Peter Quill para levá-lo ao pai, Ego (Kurt Russell) e acabou criando o garoto numa relação conturbada que envolvia ameaças, mentiras e dificuldade de comunicação. Junto aos traumas prévios de uma criança instável, isso criou um anti-herói imaturo e egocêntrico que acabaria fundando os Guardiões da Galáxia e agindo tanto para o bem quanto para o mal daquele universo. Nesta nova visão, ao abduzir a criança errada, Yondu pega um jovem T’Challa que não se entrega ao medo e, na verdade, meio que sempre sonhou com aquele momento. Não por motivações mesquinhas, mas por um desejo de conhecer o mundo. Os mundos. Isso é fruto de uma década de estudos e família estruturada em Wakanda, que preparou seu herdeiro para promover seus ideais e estar pronto para exercer o comando o quanto antes. Assim, ao demonstrar calma e um aparente controle sobre a situação, o pequeno T’Challa consegue desenvolver uma relação de respeito mútuo para com Yondu, que perde os ares patriarcais da visão de James Gunn e passa a ser abordado como um melhor amigo. E isso muda tudo.

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Parafraseando outro personagem de Chris Pratt, não é sobre controle, é uma relação baseada em respeito que, em vez de mudar o garoto, altera o comportamento dos Saqueadores, que agem como verdadeiros heróis dos oprimidos intergaláticos. Buscando essa igualdade entre os povos, o grupo resolve a principal ameaça do MCU antes mesmo dela sequer acontecer: Thanos (Josh Brolin). Ao agir com diplomacia para com o Titã Louco, T’Challa traz uma nova perspectiva para o plano de “equilíbrio universal” do vilão, que não só desiste do genocídio, como também se une aos Saqueadores, evitam casos como a destruição do planeta e família do Drax e o fim da Tropa Nova.


Por outro lado, questões passadas do próprio Thanos seguem influenciando nesse universo, como o trauma da Nebulosa (Karen Gillan), a ascensão criminosa da Ordem Negra e a briga pelo poder deixado pelo Titã ao abrir mão do título de maior ameaça. Essa ausência de uma figura ameaçadora central abre espaço para que Ronan e o Colecionador (Benicio Del Toro) tentem pegar esse papel. E isso levanta questões interessantes sobre o que aconteceu nessa realidade, porque a coleção de armas do Colecionador traz diversos itens icônicos do MCU, como o escudo do Capitão América, o elmo da Hela, uma nave de Wakanda e o Mjölnir. Esse arsenal asgardiano faz o público se perguntar o que aconteceu com a cidade dourada das lendas nórdicas. Será que o Ragnarok já aconteceu nessa realidade e foi causado pelo Colecionador? E o que aconteceu em Wakanda no período em que T’Challa estava fora? Como visto, o Rei T’Chaka enviou uma mensagem para o espaço. Será que a cidade do Vibranium se tornou uma potência da exploração espacial por conta de T’Challa? São pontos muito interessantes que renderiam novos episódios incríveis desenvolvendo apenas esse universo apresentado.



No entanto, mesmo se tornando uma lenda dos oprimidos espaciais, um homem que luta pela igualdade e justiça, o Senhor das Estrelas de T’Challa parece estar alheio ao conflito entre os Kree e os Skrulls. Na verdade, diferente do que o MCU havia mostrado até em então, os Skrulls parecem assumir o papel de vilões que têm nos quadrinhos, como pode ser visto em uma fala de Yondu, que afirma nunca ser demais bater num Skrull. Foi um momento estranho, mas que também abre brecha para interpretações da importância da guerra desses povos nessa realidade em questão.

Por fim, esse episódio é muito especial para os fãs do falecido Chadwick Boseman, já que esse foi seu último trabalho em vida. Ou seja, vale muito a pena assistir ao episódio legendado para ouvi-lo uma última vez. Fora isso, grande parte do elenco original do núcleo dos Guardiões da Galáxia, com exceção de Dave Bautista e Chris Pratt, reprisam seus papéis no capítulo, o que faz muita diferença, considerando que eles consagraram esses heróis e vilões no cinema, então entendem melhor do que ninguém suas respectivas personalidades. Ah, vale ressaltar que o final desse episódio traz um gancho para a criação de um novo vilão, então fica aí a expectativa para um “E Se Peter Quill Se Juntasse Ao Ego?”.

Comparado ao primeiro episódio, a aventura espacial de T’Challa parece ser o exemplo a ser seguido pela série. Ele entende seu verdadeiro potencial e traz uma história completamente nova com personagens que tiveram não apenas seu visual alterado pelo evento Nexus, mas também sua personalidade. Isso é fantástico e justifica o “O Que Aconteceria Se…?” do título. Fica a expectativa para que os próximos episódios sejam menos engessados e mais inventivos, desenvolvendo personagens de maneira nova e explorando coadjuvantes em papéis mais elaborados.

Os novos episódios de What If…? estreiam no Disney+ toda quarta-feira.

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