De volta aos holofotes com novo filme, diretor já tem há muito tempo um nome consolidado

Se houvesse uma listagem, e provavelmente há, dos diretores mais importantes dos últimos anos, o nome de David Fincher certamente iria figurar entre eles. O norte-americano voltou aos holofotes com seu mais novo filme, Mank; a obra retrata a conturbada produção de roteiro de Cidadão Kane escrito por Herman Mankiewicz e como a ficção em muito era ligada com a vida dele.

Aliás, personagens problemáticos são um dos fortes nas narrativas dele. Geralmente focada em suspenses policiais ou dramas pessoais, Fincher é o tipo de cineasta que gosta de inserir seus personagens em ambientes que realce certas características. Em geral negativas, mas em alguns casos também positivas.

Oriundo da indústria de videoclipes, ele ganhou grande projeção durante os anos 80 por dirigir dois clipes de Madonna: Express Yourself e Oh Father; o segundo sendo claramente inspirado no filme Metropolis, o que já mostrava uma disposição do realizador para com estéticas consagradas do cinema.



Seu debute na telona foi logo com uma franquia consolidada por dois clássicos: Alien. Responsável por assumir o navio após a saída de James Cameron, o jovem David Fincher precisou elaborar uma forma de dar sequência às desventuras da Ripley após sua apoteótica luta com a rainha Alien. Aliens, que foi dirigido por Cameron, é um clássico absoluto do cinema de ação; constantemente alçado ao topo do segmento e revezando bastante com Exterminador do Futuro 2 por esse posto.

Aliens é um clássico do cinema de ação

Em Alien 3 o diretor coloca Ripley em um novo ambiente: uma prisão confinada apenas por homens. Não coincidentemente um ovo de xenomorfo sobrevivente da luta anterior chega junto com ela para uma nova matança. O terceiro título da franquia foi muito criticado à época de seu lançamento por não trazer nada novo à franquia, reciclando apenas o elemento de suspense em ambientes fechados com o xenomorfo. Se o primeiro filme em 1979 inovou por produzir um “slasher” com um monstro no espaço e o segundo por produzir um filme de ação de primeira qualidade, o terceiro tinha pouco mais do que nenhuma personalidade.

A carreira de Fincher teria seu revés muito em breve, mais especificamente no seu filme seguinte. Com Se7en – Os Sete Crimes Capitais o diretor se provou como um nome diretamente atrelado à dramas criminais, com uma trama focada em uma dupla de detetives (cada um com seus problemas) que buscam desesperadamente capturar um serial killer que mata com base nos sete pecados. 

Não só pela trama, mas a ambientação também tinha participação importante no desenvolvimento dos defeitos de ambos os protagonistas. A cidade que jamais é nomeada no filme constantemente é exibida como um local perigoso e infestado de corrupção, soma ainda o clima de chuva constante que esteticamente reforça o ar melancólico do local. Claramente é o estilo do diretor de usar o ambiente como uma extensão dos defeitos ou angústia de seus personagens.



Com “Se7enDavid Fincher se consolidou como um dos melhores diretores da sua geração

Alguns anos depois ele seria o responsável por Clube da Luta; filme com a finalidade de botar na mesa o debate sobre o consumismo na sociedade moderna, ainda que de maneira discreta. Na superfície a trama era sobre um vendedor que, ao perceber que sua vida não tinha mais qualquer propósito, decide entrar para um grupo de luta clandestina de modo que ele possa voltar a sentir algo; nem que seja dor.

Feito no final dos anos 90, a obra foi importante por integrar uma linha de pensamento reflexiva sobre o que a sociedade havia se tornado até então e quais eram as perspectivas para o novo milênio. Como já é seu estilo habitual, Fincher expõe a falta de perspectiva do seu protagonista tanto por sequências mostrando preços de imóveis em certos apartamentos quanto pela postura explosiva dos integrantes do clube da luta.

Em anos seguintes, tanto Quarto do Pânico quanto Zodíaco iriam se debruçar, respectivamente, em elementos narrativos do diretor, como um ambiente hostil que simboliza o sentimento dos personagens e uma trama policial. Em ambos, ele aposta positivamente nesses questões para montar as tramas em questão.

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O Curioso Caso de Benjamin Button talvez seja o filme que mais se distancia do perfil de protagonistas problemáticos inseridos em ambientes hostis. O personagem principal homônimo é representado como alguém que, mesmo tendo uma condição incomum, mantém certa doçura e inocência com relação às outras pessoas; essas sim mais condizentes com o perfil problemático tradicional na filmografia de Fincher.

As três obras seguintes (A Rede Social, Os Homens que Não Amavam as Mulheres e Garota Exemplar) resgataram o ímpeto do diretor por histórias dramáticas envolvendo pessoas moralmente dúbias, não muito diferentes dos antigos noir. Nesses três exemplos temos apresentado um cenário que, como já dito, instiga os envolvidos a despertarem o que há de pior neles para que assim possam sobreviver.

Mesmo tendo uma filmografia invejável, David Fincher permaneceu algum tempo afastado do cinema e focado em seus projetos streaming (House of Cards e Mindhunter que também não desviam de seu estilo), e com Mank, um dos diretores mais influentes da atualidade, pôde voltar às luzes do palco.



 

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