Estreou na última semana a mais nova série – por assim dizer – da Marvel no Disney+. Sem ter sido anunciado oficialmente junto com os outros seriados, Legends veio com um mistério acerca de seu conteúdo. Alguns fãs apostaram que seria algo original, enquanto outros não botaram muita fé e já aceitavam há algumas semanas que seria apenas um compilado dos heróis.

Quem jogou as fichas na segunda opção acertou em cheio. Sem trazer novidades, cenas excluídas ou algo do tipo, Legends parece mais um tentativa de garantir o nome da produção em questão de direitos autorais para impedir que a rival, DC – que tem uma linha com esse nome -, fizesse uso do mesmo num futuro próximo. Isso porque os dois episódios lançados são dedicados a dois personagens: Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany). Ao longo de aproximadamente 7 minutos, cada episódio relembra momentos-chave dos heróis no decorrer do Universo Cinematográfico Marvel, sem fazer qualquer adição especial, apenas amarrando cenas antigas de forma que criasse uma breve narrativa introdutória.

Não coincidentemente, os dois personagens abordados chegam ao Disney+ em seis dias para protagonizar a série WandaVision. Ou seja, é bem provável que os próximos capítulos da série sejam focados no Falcão (Anthony Mackie), no Soldado Invernal (Sebastian Stan) e no Barão Zemo (Daniel Brühl), estrelas de Falcão e o Soldado Invernal, que chegará mais tarde esse ano. Tudo bem, isso pode ter frustrado um pouco alguns fãs que esperavam por conteúdos originais, expansões menores do universo e até mesmo curtas envolvendo os personagens. Porém, esses resumões oficiais são uma jogada muito inteligente não para agradar a um público fiel que já acompanha os heróis da Marvel há quase quinze anos, mas para atrair e fidelizar novas audiências que tenham interesse pelas séries sem terem necessariamente assistido a tudo que veio antes.

Essa situação do Legends remonta a uma piada que o Screen Junkies (ou foi o CinemaSins?) fez há alguns anos. Na época, eles brincaram que a Marvel poderia fazer um longa-metragem chamado “Carrinho de Supermercado: O Filme“, que ainda assim teria milhões de pessoas correndo atrás de ingressos como loucas. E isso não deixa de ser verdade, porque Legends é literalmente um apanhado de cenas que o público já viu reunidas em um videozinho que poderia muito bem ter sido por um fã em seu canal no YouTube, mas ainda assim é um conteúdo interessante para os fãs relembrarem de momentos que eles talvez tenham esquecido, e que vale a pena ser visto. Só que, como dito no parágrafo anterior, o foco dessa produção não são os fãs de longa data, e sim os possíveis novos fãs. Por exemplo, em The Mandalorian, a primeira grande produção original do Disney+, acompanhamos uma nova aventura com novos personagens inseridos dentro do universo de Star Wars. Como a saga principal já tem nove filmes, for spin-offs e séries animadas canônicas de dezenas de episódios, muita gente acaba se afastando de The Mandalorian por não querer assistir a tudo isso que veio anteriormente – e posteriormente também.



Apesar de ser maravilhosa e se sustentar sozinha, The Mandalorian é evitada por novos públicos que não querem assistir aos 9 filmes de Star Wars para entenderem melhor o que está acontecendo em tela.

Ou seja, por conta de um extenso passado, a franquia deixa de angariar alguns novos fãs para o futuro. E como toda empresa, a Disney quer muito que novas audiências se interessem por seus produtos para que o lucro seja contínuo. Agora, se nove filmes afastam certo tipo de público, como fazer para aumentar o interesse por uma série que é resultado de nada menos que 23 filmes? É pedir muito que as pessoas assistam a todas as três fases para entenderem o que está acontecendo em WandaVision e afins. Tirando os fãs mais assíduos – sendo muito sincero, duvido que até mesmo esses façam a maratona de novo, considerando que a maioria já fez antes de Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato -, é muito pouco provável que alguém vá tirar um fim de semana para maratonar o MCU de uma vez. Dessa forma, o Legends acaba vindo a calhar, porque ele sintetiza em aproximadamente 7 minutos tudo aquilo que os fãs precisam saber dos personagens em questão para entender suas motivações e dramas na séries que virão. Ou seja, economiza tempo, ajuda na compreensão e facilita no processo de criação de novos fãs. E vamos ser honestos aqui, se alguém tivesse que assistir a Vingadores: A Era de Ultron (2015) para se empolgar pela história da Wanda, muito provavelmente essa pessoa sequer assistiria a série depois.

Introduzida em uma versão sem tantos poderes e com uns dilemas morais superficiais, a Wanda (Elizabeth Olsen) cresceu muito ao longo dos filmes.

Por fim, é interessante observar quais pontos são abordados como fundamentais em cada episódio de Legends. Isso porque eles podem indicar o que esperar das séries de cada personagem. Por exemplo, a questão do Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson) é muito importante para entender o passado de Wanda, já que a morte do irmão a faz mudar de lado e ir atrás do robozão Ultron (James Spader). No entanto, ele ganha bastante tempo em tela no Legends da irmã. Isso indica que ele vai voltar a aparecer em WandaVision? Não exatamente, mas pode ser que sim. É algo que só vai dar para saber quando a série estrear. Em outras palavras: vale a pena observar o que está sendo apontado nesses episódios de Legends e ver se eles serão desenvolvidos ou relembrados nas respectivas novas séries.

Aproveite para assistir:

Os dois primeiros episódios de Legends estão disponíveis no Disney+. Wandavision estreia no Disney+ em 15 de Janeiro de 2021.

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