007 – Sem Tempo para Morrer, o vigésimo quinto filme oficial da franquia mais duradora do cinema, tem estreia programada em nova data para o dia 30 de setembro de 2021 exclusivamente nos cinemas – após ser adiado do ano passado devido à pandemia. Como forma de irmos aquecendo os motores para esta nova superprodução que, como dito, faz parte de uma das maiores, mais tradicionais e queridas franquias cinematográficas da história da sétima arte, resolvemos criar uma nova série de matérias dissecando um pouco todos os filmes anteriores, trazendo para você inúmeras curiosidades e muita informação.

O que era para ser uma grande comemoração da franquia 007 terminou se mostrando um presente de grego. Um Novo Dia Para Morrer era planejado como comemoração dupla: dos 40 anos da franquia no cinema e também como vigésimo filme da cronologia oficial. Esforços não foram poupados, o orçamento era o maior da franquia até então e até mesmo Madonna estava à frente da trilha sonora (e fazia uma ponta na trama). Apesar da bilheteria colossal, recorde na franquia igualmente, o consenso foi de que o vigésimo longa não foi um exemplar muito bom, entrando para a história como um dos piores, quiçá o pior, capítulo da franquia – na opinião dos fãs e dos críticos. Assim, quatro anos foi o tempo necessário para a reformulação até Cassino Royale. Confira abaixo os detalhes de bastidores.

Leia também: Todas as Matérias Dossiê 007 – até o momento

Produção



Um Novo Dia Para Morrer era para ter sido um dos grandes exemplares da franquia, que serviria como marco dos filmes de 007 para comemorar um feito duplo (vigésimo filme em 40 anos de produções). Apesar de um recorde nas bilheterias, e de tudo parecer estar no lugar, todos consideraram o filme um dos piores da série no cinema. Em partes devido ao uso excessivo de efeitos visuais de computadores que tornavam os feitos do espião, já cinquentão, simplesmente ridículos. No período, a EON Pictures de Barbara Broccoli e Michael G. Wilson conseguiram reverter os direitos de Nunca Mais Outra Vez e Cassino Royale de volta para a produtora. Assim, sem perder muito tempo, ficou decidido que seria usado como tema do vigésimo primeiro filme justamente o livro de Ian Fleming citado, que já havia sido adaptado na forma de uma paródia. Nos últimos anos, os roteiros eram inéditos e assim, pela primeira vez em muito tempo, um texto do autor seria utilizado novamente como base da narrativa. Para a direção, um especialista em introduzir novos atores no papel se mostrava disponível, e Martin Campbell retornava a cadeira de direção onze anos depois de Goldeneye.

James Bond

Aproveite para assistir:

Quando Pierce Brosnan estreou como James Bond em Goldeneye, ele logo foi considerado a “salvação da lavoura” para a franquia. Ele foi a escolha certa e seu debute ocorria com o pé direito. Ao final de quatro filmes como o personagem, o pensamento geral sobre sua Era havia mudado. A culpa, no entanto, não foi do ator, que apresentou um desempenho sólido como James Bond. O problema eram os roteiros e os resultados de seus filmes que, embora fossem diversões escapistas, falharam em criar alguma ressonância junto aos fãs. O ápice acontecia com Um Novo Dia Para Morrer, considerado um episódio abaixo da média até mesmo pelos cabeças da EON. Porém, mesmo depois de ter ficado decidido que Cassino Royale seria o novo episódio da franquia, a lealdade para com Brosnan estava de pé. A EON considerava que o ator merecia se despedir da franquia com um grande filme, que fizesse jus ao seu talento, e em especial seus três últimos filmes como Bond não realizaram isso.

O que pesou mesmo em seu desligamento da franquia foi justamente a escolha da história ser Cassino Royale. Tudo porque neste exemplar, Bond iria se apaixonar como nunca anteriormente, sendo o relacionamento fervoroso com Vesper Lynd toda o centro da trama. Bem, isso não era uma boa notícia para Pierce Brosnan. Então um Bond cinquentão, os produtores não acharam que um protagonista veterano se encaixaria neste tipo de narrativa, afinal um espião experiente seria mais duro e frio. A não ser que seu par tivesse sua idade, e quem pagaria para ver um romance maduro de meia idade num filme de 007? Pior para Brosnan, que precisou ser desligado, fato que nunca aceitou muito bem ou superou, afinal quem aceitaria? Para o ator tudo estava indo bem, os números de bilheteria eram favoráveis e ele queria permanecer mais tempo no papel. Não foi o que pensaram os produtores. O mundo é injusto.



Assim, após uma nova e extensa seleção de candidatos ao cargo de novo 007 do cinema, finalmente era escolhido o mais jovem e atlético Daniel Craig. Esta escolha não vinha desprovida de suas próprias polêmicas, afinal Craig é loiro – o que causou, de forma despropositada, comoção na época. E segundo, que o ator não era considerado, digamos, muito galante, para ocupar a elegância do papel. De aparência bruta e rústica, muito se brincou com as feições de um James Bond, digamos, não necessariamente bonito ou atraente. Mais uma vez demonstrando a histeria coletiva sem razão, Daniel Craig provou que todos estavam errados. Se mostrou o James Bond para os novos tempos, mais em forma e dono de um físico avantajado, era um 007 mais bruto e forte, aos poucos lapidando a sofisticação esperada através de seus filmes.

Missão Secreta

Os anos 2000 foram, entre outras coisas, a década dos reboots. Após o malfadado Batman & Robin (1997), o maior super-herói de todos, o Homem Morcego, finalmente ganhava uma reimaginação do zero, iniciando suas aventuras com Batman Begins (2005). Coincidência ou não, no ano seguinte, o mesmo era tentando com James Bond em Cassino Royale, que contava o início de carreira de um inexperiente 007, ganhando seu título na agência e sua tão famosa permissão para matar.

Cassino Royale já havia sido levado aos cinemas em 1967, mas na forma de uma paródia. Em 2006 era a hora de adicionar o livro de Ian Fleming ao cânone da franquia com um filme sério, que terminou revolucionando as produções de 007 como nunca antes. De começo, esta é uma aventura mais “pé no chão” e que embora seja repleta de ação frenética, é desprovido de qualquer elemento fantasioso – como os gadgets imortalizados do personagem. Na trama, Bond ganha seu novo título na agência após realizar uma missão e é logo incumbido de seguir um intermediário para um grupo terrorista. O espião é designado a um jogo de cartas num cassino, a fim de tirar todo o dinheiro de Le Chiffre, o tal contato dos terroristas. No caminho, ele conhece e se apaixona por Vesper Lynd, relacionamento este que poderá botar tudo a perder.

Bondgirls e Aliados

Cassino Royale até possui outra Bondgirl nas formas de Solange, personagem de Caterina Murino, mas a intenção era dar foco pleno e absoluto para o grande amor da vida de James Bond: a enigmática Vesper Lynd. Assim, não tinha para ninguém além dela, e nem podia. Personagem ambígua, Vesper entra na trama como parceira da agência e ligação de Bond, de forma fria e calculista. Aos poucos inicia um relacionamento de confiança com o agente secreto, que envolve a mulher se abrir por completo para o espião, demonstrando também suas fragilidades. No final, ganhamos a reviravolta de sua traição. Vesper já tinha um companheiro e fez tudo de forma pensada para ele. Para esta grande personagem, era necessário uma atriz à altura. E a escolhida foi a francesa Eva Green, então saída do sucesso erótico O Sonhadores. Green deslanchou em sua carreira devido a esta rica personagem.

Além disso, a chefe M era novamente interpretada pela Dama Judi Dench, trazida da era Brosnan como único elo do passado na franquia, causando certa confusão. Afinal, se a trama de Cassino Royale reinicia tudo, como pode ter a mesma M do futuro? Bem, o melhor é não pensar nisso e imaginar esta M como uma versão alternativa de Judi Dench. Nada de Q e Moneypenney ainda, no entanto. Porém, aqui temos Felix Leiter, o amigo da CIA, nas formas de Jeffrey Wright.



Vilões

O grande vilão de Cassino Royale é Le Chiffre, que havia sido interpretado por Orson Welles na paródia de 1967. Aqui, ele era vivido por um ator igualmente de grande peso, embora nesta época não possuísse a importância que tem hoje. Mads Mikkelsen, consagrado dinamarquês de filmes como A Caça (2012) e Druk – Mais Uma Rodada (2020). Para alguns fãs, há de se argumentar a importância de Le Chiffre como vilão em Cassino Royale, afinal ele não é o cabeça de nenhuma organização, está mais para o capanga intermediário. O doleiro. Fora isso, ele é eliminado antes do último ato do filme, o que cria uma quebra de expectativa com a trama continuando depois disso. Mas a verdade é que seus atos são inegáveis e Le Chiffre personificado por Mikkelsen, com sua cicatriz no olho, se torna uma figura muito emblemática, dando o pontapé necessário da era Craig. Que o diga a cena de tortura na cadeira com Bond nu.

Relatório

Sempre quando uma franquia se torna muito fantasiosa, é necessário uma volta às origens. E duas das grandes franquias de ação do cinema provavam isso em meados da década de 2000: Batman e 007. Cassino Royale trouxe o Bond para os novos tempos, num thriller repleto de uma ação grandiosa, porém, de uma forma mais realista e crua. Nada de firulas de “tiozão”. Aqui, a aposta era no sangue e suor. O resultado, tanto de Cassino Royale, quanto de Daniel Craig na pele de James Bond foi melhor, muito melhor, que o esperado. Assim, a franquia adentrava uma nova época, disposta a fazer frente de novo à concorrência. Na trilha sonora, a já costumeira canção que vende o filme logo na abertura ficou a cargo do saudoso Chris Cornell, que interpretou a eletrizante You Know My Name. Bem propício.

Cassino Royale atingiu o objetivo planejado pela EON Pictures: a aprovação do público, dos fãs e da crítica. Além disso, atingia uma marca impressionante de bilheteria igualmente, que embora não fosse um fenômeno estrondoso, fez bonito o suficiente para garantir Craig para novos filmes. E assim, sem perder muito tempo como de costume, uma continuação era planejada para Cassino Royale. Mas isso é assunto para o próximo Dossiê, como você sabe.


Comentários

Não deixe de assistir: