A franquia Pânico lançará seu mais recente capítulo nos cinemas em Janeiro de 2022. O quinto filme, que desta vez não terá o numeral em seu título e será chamado somente de Pânico, contará com os retornos dos veteranos da franquia: Neve Campbell (Sidney), Courteney Cox (Gale) e David Arquette (Dewey), e servirá como um reboot da série nas telonas, como uma passagem de bastão do elenco original para a nova geração. Algo assim havia sido tentado em Pânico 4, há dez anos atrás. A mudança de ares na franquia não fica apenas na frente das telas, com o novo longa sendo lançado pela Paramount Pictures e saindo das mãos da Miramax. Fora isso, esse será o primeiro filme da franquia que não terá direção do saudoso Wes Craven, falecido em 2015. Quem comanda agora é Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin, dupla responsável pelo sucesso cult Casamento Sangrento (2019).

Para irmos aquecendo (mais) os motores, o CinePOP tem trazido inúmeras matérias sobre os filmes anteriores da franquia – a maioria de autoria deste amigo que vos fala. Assim, nada mais natural que abordemos agora o último longa que havia sido deixado de fora desse tratamento até agora: Pânico 2 (1997), o segundo melhor episódio (e há quem diga que é o melhor de todos) da franquia. Confira abaixo as curiosidades de bastidores mais interessantes desta primeira continuação de Pânico, que manteve o nível elevado do original.

Wes Craven Manipula a Censura

O saudoso diretor de todos os filmes da franquia, Wes Craven, era um especialista no gênero terror, com muitos anos de estrada. Dessa forma, ele sabia lidar como ninguém com o MPAA (Motion Picture Association of America – ou a Associação de Cinema dos EUA) que, entre outras coisas regula a censura dos filmes. No filme original, o cineasta já havia encontrado barreiras quando o órgão exigiu que muitas cenas fossem cortadas para não pegar uma censura alta. Da segunda vez, Craven bolou um plano, e enviou uma cópia de Pânico 2 contendo mais cenas violentas e explícitas, cenas essas que realmente não pretendia utilizar no corte final. O plano de Craven era que a censura pedisse para retirar tais trechos violentos, o que acabaria deixando o filme do jeito que o diretor queria inicialmente.



Os Atores Famosos que Quase Fizeram o Filme

Pânico (1996) se tornou mais que um sucesso absoluto, o filme virou um fenômeno e ditou regras na indústria, se tornando um dos filmes mais influentes no gênero terror. Seu elenco era constituído basicamente de jovens atores desconhecidos ou que estrelavam séries de TV da época (vide Friends e Party of Five – O Quinteto). Assim, quando foi a hora de escalar os personagens da continuação, muitos jovens atores se jogavam com tudo o que tinham para conseguir uma participação no filme. Como, por exemplo, Tobey Maguire, visado para o papel de Mickey, que terminou nas mãos de Timothy Olyphant. Outra que quase esteve em Pânico 2 foi Denise Richards, oferecida um papel que infelizmente teve que recusar por conflitos de agenda com Tropas Estelares, lançado no mesmo ano, o qual ainda estava filmando e seria responsável por sua revelação.

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Duas atrizes bem famosas que por pouco também não estiveram no filme foram Reese Witherspoon e Alicia Silverstone. Já pensou? Na verdade, ambas eram cogitadas para o mesmo papel: Cici, que terminou, é claro, com Sarah Michelle Gellar. Na época, Silverstone era um dos nomes jovens mais populares devido ao sucesso de As Patricinhas de Beverly Hills, lançado dois anos antes, e estrelaria Excesso de Bagagem em 1997. Já Witherspoon, acabava de sair do thriller Medo (1996), sua revelação adolescente. Por outro lado, Selma Blair, que ficaria famosa em Segundas Intenções (1999), participa de Pânico 2 apenas com a voz. É ela quem fala ao telefone com a personagem de Sarah Michelle Gellar.

Buffy Dura na Queda



Como todos sabem, Sarah Michelle Gellar marcou seu nome na cultura pop ao protagonizar a série cult de sucesso Buffy – A Caça-Vampiros, programa que permaneceu no ar de 1997 a 2003. Ou seja, o programa havia acabado de estrear e já fazia barulho quando Gellar foi escolhida para o papel de Cici em Pânico 2. Seu papel é pequeno, mas ajudou em sua trajetória como um dos nomes mais quentes dos anos 1990. No programa, Gellar protagonizava ela mesma algumas de suas cenas de ação, já que era uma série intensa com muitas lutas. Assim, o diretor Wes Craven decidiu por uma cena em que Gellar deveria fazer sem usar dublês. A cena de sua morte, quando é arremessada de uma varanda na altura de três andares. A atriz ficou reticente, mas no fim das contas aceitou realizar a façanha.

Título Diferente

Ao contrário das demais franquias de terror, Pânico, apesar de sua imensa qualidade acima das outras do subgênero, pode ser considerada a menos criativa no que diz respeito aos seus títulos. Em geral, os filmes de uma franquia de terror além dos numerais que marcam suas continuações, possuem também subtítulos. Pânico só possui os numerais da ordem cronológica, isto é, até este mais recente exemplar que irá abandonar o número 5 em seu título para se tornar apenas “Pânico”. Isso que é falta de criatividade. Seja como for, nem sempre foi assim. E nessa primeira continuação, a franquia iria brincar com alguns títulos que foram cogitados. Entre eles estavam: “Scream Again”, “Scream Louder” e “Scream: The Sequel”. Convenhamos, todos melhores que Pânico 2. De fato, a sequência chegou a ser filmada com o título Scream: The Sequel, ou Pânico: A Sequência, com a equipe de produção inclusive usando camisas e bonés com esse título. Porém, a decisão de manter o nome foi negada pela Miramax.

Continuação rapidinha

O autor Kevin Williamson, responsável pelo roteiro do primeiro filme e desta continuação, disse ter tido a ideia para o dois enquanto ainda escrevia o roteiro do primeiro. Segundo o autor, enquanto escrevia Pânico (1996), ia descobrindo que a história possuía novas possibilidades. Como resultado, a pré-produção da sequência começou seis meses após o lançamento do original. Pânico 2 estrearia em menos de um ano depois de seu predecessor.

Roteiro Vazado

Em 1997, ainda vivíamos uma era dos primórdios da internet. Mas desde que o mundo é mundo, o ser humano sempre usará as invenções criadas para o bem de uma forma negativa, que venha a prejudicar outros. Assim, roteiros vazados e spoilers não são coisa de agora. De fato, a produção de Pânico 2 passou por dificuldades deste tipo e ficaria conhecida como um dos primeiros grandes filmes a ter seu roteiro vazado na internet. E como sabemos, a história destes filmes depende muito de suas reviravoltas. Apesar de toda a segurança em torno do texto, como o elenco não saber quem seria o assassino até o fim da pré-produção e não receber as últimas dez páginas do roteiro, essas últimas páginas serem impressas em papel cinza (para dificultar a cópia) e outras medidas de segurança, o roteiro eventualmente viria a vazar na internet das mãos de um dos figurantes. Como resultado, o roteiro precisou ser quase inteiramente reescrito, com algumas páginas sendo terminadas na hora das filmagens.



Entre as maiores bilheterias do mesmo ano

O ano de 1997 foi um marco para a franquia Pânico. Ambos Pânico 2 e o original figuraram entre as maiores bilheterias daquele ano. Pânico 2 foi lançado no início de dezembro de 1997 e só no fim de semana de estreia arrecadaria mais que seu orçamento, terminando sua bilheteria mundial com quase US$200 milhões. Já Pânico, foi lançado perto da época de natal de 1996, e fez a maior parte de sua bilheteira (igualmente de quase US$200 milhões) no início do mesmo ano do segundo, 1997.

Metendo medo em blockbusters

Pânico possui um conceito irreverente que se mostrou uma jogada de mestre, mas em seu núcleo é uma produção pequena para os padrões de Hollywood. Um terror adolescente. Seu sucesso estrondoso, no entanto, fez os grandes estúdios olharem com atenção para a sequência. Todos ansiavam por Pânico 2 e mesmo os maiores blockbusters começaram a temer a concorrência com esta tão aguardada continuação. Assim, dois dos maiores filmes de 1997 mudaram suas datas de estreia para não baterem de frente com o “humilde” Pânico 2. Isso que é moral. Mais ainda quando ficamos sabendo que estes filmes eram nada menos que o Todo-Poderoso Titanic, de James Cameron, e 007 – O Amanhã Nunca Morre.

Concurso bem-vindo da MTV


No fim da década de 1990, a MTV ainda era o maior meio de comunicação para os jovens – já que o Youtube ainda não sonhava em nascer. Assim, sendo Pânico uma franquia extremamente mirada ao público jovem e adolescente, nada melhor do que se a MTV vinculasse seu nome a esta obra. Assim, o canal de música na TV criou um concurso no qual o vencedor ganharia uma participação especial no aguardado Pânico 2. A vencedora foi Paulette Patterson, que aparece logo no início do filme como a funcionária do cinema que entrega as máscaras do Ghostface para os personagens de Jada Pinkett Smith e Omar Epps, as primeiras vítimas da continuação.

Atrizes “Guerreiras”

Como dito, grande parte do elenco jovem de Pânico 2 tinha outros empregos como astros da TV em séries de sucesso na época. Esse era o caso com Neve Campbell (Party of Five), Sarah Michelle Gellar (Buffy), Courteney Cox (Friends) e Jerry O’Connell (Sliders). Desta forma, eles precisavam se “desdobrar em dois” para conseguir dar conta de ambos os trabalhos. Campbell, por exemplo, gravava Party of Five às segundas e terças durante o dia, e passava quarta, quinta, sexta, sábado e domingo nas gravações de Pânico 2, que ocorriam quase sempre à noite. Aos domingos, ela virava a noite no terror até às 6:00 da manhã, ia para casa tomar banho e tirar o sangue falso de si, e imediatamente partia para o set de sua série para gravar o dia todo, sem dormir nada.

Sarah Michelle Gellar gravava Buffy, e havia acabado de filmar Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, também com roteiro de Kevin Williamson. Apesar do cronograma apertado, a atriz admitiu em uma entrevista que aceitou a participação no filme sem sequer ler o roteiro, não perdendo a oportunidade devido ao sucesso que o original havia feito. Garota esperta.

Dois diretores talentosos

Wes Craven é um ícone do cinema de terror e fora A Hora do Pesadelo, a franquia Pânico é definitivamente seu trabalho mais amado. Embora muito associado a estes filmes, Craven não foi o único diretor em Pânico 2. Explico. Acontece que Robert Rodriguez, que na época estava em ascensão devido aos sucessos consecutivos de El Mariachi (1992), A Balada do Pistoleiro (1995) e Um Drink no Inferno (1996), fez participação como diretor no “filme dentro do filme”. Topando a brincadeira, Rodriguez foi quem comandou as cenas de “Stab” em Pânico 2. Foi ele quem gravou as cenas com Heather Graham (a Casey) e Luke Wilson (o Billy).

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