O criador de ‘Euphoria’, Sam Levinson, manifestou-se publicamente sobre as críticas recebidas em torno da última temporada da série da HBO.
Conforme o Deadline, o showrunner rebateu os questionamentos de criadores de conteúdo adulto e defendeu a abordagem dada à trama, explicando por que preferiu fazer uma análise “bastante crítica” da cultura do OnlyFans em vez de retratar a plataforma como algo necessariamente empoderador.
“Se você olhar para o OnlyFans, ele está movimentando tanto dinheiro quanto Hollywood. Quero dizer, essencialmente está no mesmo nível. Não é um nicho, é uma indústria gigantesca. Então, se você é jovem, pode pensar: ‘Não quero trabalhar em um emprego convencional. Talvez eu possa simplesmente começar a tirar fotos minhas'”, explicou Levinson.
“O que me interessa é: quais são as consequências disso a longo prazo? O que acontece quando, ainda jovem, você cresce ouvindo nas redes sociais que você é o produto, você é a marca, e então, aos 18 anos, se pergunta: ‘Como posso ganhar dinheiro?’. Achei interessante explorar essa busca pelo desejo e pelo dinheiro rápido”, acrescentou.
O cineasta também comentou a recepção negativa por parte de alguns setores do público, argumentando que a rejeição ocorreu justamente por não romantizar a atividade.
“Recebemos muitas críticas por isso, mas uma parte de mim se pergunta se teríamos recebido as mesmas críticas caso a série tivesse validado esse estilo de vida e mostrado o quanto ele pode ser empoderador. Nós fizemos uma abordagem bastante crítica. Isso esvazia o indivíduo. Você passa a depender constantemente de curtidas e de validação externa”, concluiu.

Na terceira e última temporada de ‘Euphoria’, a polêmica central envolve a personagem Cassie, interpretada por Sydney Sweeney, que cria uma conta no OnlyFans para financiar seu casamento de US$ 50 mil com Nate, papel de Jacob Elordi.
De acordo com informações da Variety, a trama apresenta a jovem produzindo conteúdos considerados extravagantes e fetichistas, incluindo ensaios com temáticas de animal play. A representação gerou forte controvérsia na comunidade de criadores da plataforma, que acusaram a produção de reforçar estereótipos prejudiciais.
Sydney Leathers, criadora na plataforma desde 2017, criticou duramente a abordagem: “Há muita coisa absurda e caricata nisso tudo. Algumas situações mostradas sequer seriam permitidas no OnlyFans”.
Leathers destacou que a série ignora as diretrizes de segurança da empresa, citando especialmente conteúdos de “age play” (fantasias infantis), que são terminantemente proibidos pelas regras oficiais da plataforma.
A atriz e criadora Maitland Ward também manifestou seu descontentamento com o tom adotado pela produção. Para ela, a escolha criativa reforça preconceitos antigos:
“No contexto atual, transformar uma personagem em um bebê para produzir conteúdo adulto foi extremamente problemático. Isso reforça o estereótipo de que profissionais do sexo não têm limites morais”, acrescentou.
Em contrapartida, o criador da série, Sam Levinson, defendeu a escolha narrativa em entrevista ao The Hollywood Reporter, afirmando que o objetivo era explorar o humor satírico.
“O engraçado da situação é que a governanta da casa é quem está filmando tudo”, explicou, ressaltando que buscava contrastar a fantasia de Cassie com sua realidade “deprimente”.
‘Euphoria’: Sydney Sweeney comenta polêmica e defende nova trama de Cassie na 3ª temporada
Embora a série tenha acertado em pontos como a tentativa de Cassie em viralizar frequentando festas de influenciadores, o “sucesso instantâneo” mostrado na tela também foi contestado.
A criadora de conteúdo Alix Lynx afirmou que essa parte da trama faz mais sentido: “Essa estratégia realmente existe. Mas a série faz parecer que basta ser bonita e fazer algo chocante para ganhar dinheiro instantaneamente, e não funciona assim”.
Maitland Ward resumiu o sentimento da classe ao afirmar que a trama trata o setor como uma piada: “Isso mostra exatamente por que essa trama está sendo retratada dessa forma: ninguém está levando isso a sério”.
O debate reforça uma crítica recorrente à indústria cinematográfica, como pontuou Sydney Leathers: “Hollywood quase sempre retrata profissionais do sexo de maneira deprimente, exagerada ou ridícula.”
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Criada por Sam Levinson, a série é baseada na produção israelense homônima lançada em 2012.
“A trama é envolta em drogas, sexo, busca por identidade, traumas, redes sociais, amor e relacionamentos. Todas essas temáticas serão relatadas pela ótica de Rue (Zendaya), uma garota de 17 anos viciada em drogas e mentirosa”, diz a sinopse.




