Nesta terça-feira (13 de maio), a 79ª edição do Festival de Cannes foi oficialmente aberta com uma cerimônia marcada por discursos emocionados sobre resistência, homenagens ao cinema mundial e um forte tom político. Realizado no Grand Théâtre Lumière, o evento foi apresentado pela atriz francesa Eye Haïdara, que também homenageou o presidente do júri, o cineasta sul-coreano Park Chan-wook, e o vencedor da Palma de Ouro honorária, Peter Jackson.
Ao lado da violinista Miri Ben-Ari, a mestre de cerimônias citou Jean-Luc Godard ao afirmar que “não fazemos filmes para sermos cautelosos” e homenageou cineastas que escolhem mostrar nas telas aquilo que o mundo prefere ignorar. Ela também destacou o poder do cinema em criar empatia e conectar diferentes realidades.
“Essas histórias que ressoam dentro de nós desenham toda a humanidade. Nada foi melhor inventado do que duas horas no escuro para aprendermos a olhar e ouvir os outros em plena luz”, declarou.

Peter Jackson recebe Palma de Ouro honorária
O momento mais celebrado da noite foi a homenagem ao cineasta Peter Jackson, responsável pela trilogia O Senhor dos Anéis e O Hobbit. O diretor recebeu uma Palma de Ouro honorária das mãos do ator Elijah Wood, eternizado pelo papel de Frodo nas adaptações da obra de J.R.R. Tolkien.
Wood destacou o impacto revolucionário da trilogia para o cinema mundial. “Você mostrou ao mundo algo que ele nunca tinha visto antes”, afirmou o ator, que também declarou sua amizade de longa data com Jackson e agradeceu ao diretor por imotalizar seu nome para milhões de fãs ao redor do mundo.
Em seu discurso, Peter Jackson relembrou os desafios de filmar os três longas simultaneamente na Nova Zelândia, projeto que chegou a ser chamado de “loucura” pela imprensa da época. Segundo o cineasta, a percepção mudou completamente após a exibição de 20 minutos de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel em Cannes, em 2001.

Além disso, Jackson afirmou que jamais imaginou receber a honraria, já que seus filmes tradicionalmente fogem do perfil mais clássico celebrado pelo festival. Durante a homenagem, imagens de sua carreira foram exibidas no telão, relembrando desde seus primeiros passos com Trash – Náusea Total (1987) até a série documental The Beatles: Get Back (2021).
Música, política e defesa da arte
Em celebração à homenagem ao cineasta neozelandês, a cerimônia ainda contou com apresentações musicais de Theodora e Oklou, que interpretaram “Get Back”, dos Beatles, em referência ao documentário dirigido por Jackson. Durante a performance, o diretor deixa transparecer sua paixão pela banda ao cantor junto cada estrofe, sentado ao lado de Eye Haïdara no palco.

Para simbolizar a união cultural promovida pelo cinema, as atrizes Gong Li e Jane Fonda entraram em cena a fim de declarar oficialmente aberta a 79ª edição do festival. O momento também contou com um discurso inteiramente em coreano do presidente do júri, Park Chan-wook, reforçando a multiculturalidade do evento, embora a competição principal deste ano não conte com nenhum título latino-americano entre os 22 filmes selecionados.
Após a cerimônia, o filme de abertura Vênus Elétrica, de Pierre Salvadori, encerrou a primeira noite do festival com uma mistura de farsa romântica, homenagem à Paris dos anos 1920 e comédia de máscaras, na qual mentiras acabam revelando grandes verdades. O longa ainda traz ótimas performances de Pio Marmaï, Anaïs Demoustier e Gilles Lellouche.
Acompanhe até o dia 23 de maio todos os detalhes da 79ª edição do Festival de Cannes no CinePOP.


