Festival do Rio 2013: Jovem & Bela

CONFISSÕES DE UMA GAROTA DE PROGRAMA

François Ozon é um dos cineastas de maior prestígio e evidência atualmente na França. O diretor tem em seu repertório obras como Swimming Pool – À Beira da Piscina, 8 Mulheres e Dentro da Casa, filmes de grande sucesso em seu país de origem e no mundo. Agora, Ozon volta com Jovem & Bela, um conto subversivo sobre amor e sexo. A trama apresenta Isabelle, uma jovem de 17 anos, que depois de sua primeira experiência sexual, resolve capitalizar, e muito, em cima do ocorrido se tornando uma garota de programa.

De férias com sua família, numa casa de praia, a menina resolve perder a virgindade com um gentil e simpático rapaz alemão. Mas a protagonista não está atrás de um namorado, ou sequer um romance de verão. A estranha jovem decide adentrar o mundo adulto de forma impactante, após assistir na TV uma matéria sobre estudantes que aderem a esse tipo de vida dupla a fim de levantar uma grande quantia. Talvez o maior presente que Ozon, e seu filme, dê ao público seja apresentar a menina Marine Vacth, a tímida e belíssima atriz e modelo francesa, de 23 anos, em seu primeiro trabalho de destaque no cinema.

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Vacth tem uma grande presença nas telas, seu rosto é fotogênico, marcante e causa impacto não apenas pela beleza, mas, como diz um personagem, pela melancolia que transmite. A jovem tem tudo para se tornar uma grande atriz. É um grande sinal de talento nessa arte conseguir transmitir sentimentos mesmo sem dizer muito. Diversos atores podem recitar os textos mais longos sem conseguir atingir a emoção esperada, que outros exprimem apenas com olhares, gestualidade e expressões. Vacth sem dúvidas se encaixa na segunda opção.

No filme, a jovem atriz não é pedida para decorar muitos diálogos, mas sim exibir sentimentos e emoções, ou a falta deles. Ozon e os realizadores da obra escolheram a dedo, e muito bem, a atriz perfeita para o papel da fria Isabelle. O roteiro apresenta as aventuras da menina durante um ano inteiro, desde a sua iniciação sexual, trabalho escuso, até a espécie de reabilitação. O interessante de Jovem & Bela, assim como grande parte das produções europeias, está na condução, que aproxima os filmes da realidade do nosso dia a dia.

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Muita atenção é prestada a cada detalhe. Obras assim geralmente estão interessadas em como o público irá se relacionar e identificar com cada etapa, e para isso deixam transparecer o máximo de realismo nas ações dos personagens e suas interações. Aqui, por exemplo, muito mais do que qualquer reviravolta na trama, Ozon e os envolvidos estão muito mais interessados em explorar a experiência de sua personagem principal, dessa forma emergindo o público num mundo particular e específico. O interessante de obras assim é que ao apresentarem um tema, ele realmente será esmiuçado.

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Somos levados ao lado da protagonista por um mundo perigoso, e ao lado dela enfrentamos todas as etapas, e todo tipo de cliente que a menina irá se deparar. Assim como na maioria dos filmes do diretor, o foco é dado em como um jovem ou adolescente lida com a vida de adulto, e vice e versa. Tema usado em Swimming Pool e Dentro da Casa também. Com uma boa trilha sonora, uma eficiente fotografia, ótimas atuações, e principalmente bastantes sensações, Jovem & Bela é um dos melhores filmes exibidos esse ano no Festival do Rio. É impossível não se deixar seduzir por essa nova, moderna e agressiva Lolita do cinema.

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